Caso Thawanna: Ouvidoria da PM questiona omissão e atraso em socorro
Reconstituição da morte de Thawanna Solmázio, cometida por uma PM, deve ser feita nesta 4ª feira (15/4) em Cidade Tiradentes, em São Paulo
atualizado
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A Ouvidoria da Polícia Militar (PM) vai recomendar à Corregedoria da corporação que investigue uma possível omissão de socorro de Thawanna da Silva Solmázio. Ela foi morta aos 31 anos por uma policial militar na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, após uma discussão com PMs.
“Há de se apurar qual é a responsabilidade de cada um dos policiais: quem era [o agente com] a maior patente? Ao tomar conhecimento da demora do Samu no local, qual era o procedimento, o que ele orientou a fazer ou se ele simplesmente continuou esperando o Samu. Ao que me parece, foi isso que aconteceu. Tem uma lei federal que diz que tem que ser garantido o imediato socorro da vida. E, ao meu ver, isso não foi garantido”, afirmou o ouvidor da PM, Mauro Caseri, ao Metrópoles.
O ouvidor também chamou a atenção para uma resolução de 2013, da Secretaria da Segurança Pública (SSP), que orienta o policial a acionar o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para solicitar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O órgão também deve oficiar a Ouvidoria da Prefeitura de São Paulo para entender se quem recebeu o chamado no Samu sabia que se tratava de um chamado para uma ocorrência com uma pessoa baleada.
O companheiro de Thawanna, Luciano Gonçalves dos Santos, prestou depoimento na Ouvidoria na segunda-feira (14/4) e reafirmou a mesma versão do que foi relatado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com Mauro Caseri, outras duas testemunhas sustentaram que Thawanna não agrediu a PM Yasmin Cursino Ferreira, apenas que elas discutiam.
Luciano Santos também afirmou ao Metrópoles que os policiais não o deixaram socorrer Thawanna. “Eles falaram para mim a todo momento que se eu chegasse perto eu ia tomar tiro”, disse. Ele também contou que os dois estavam planejando se casar. Juntos há três anos, o casal esperava a emissão da segunda via da certidão de nascimento dela para oficializar a união.
A câmera corporal de um dos policiais militares envolvidos na abordagem mostra a dinâmica da ocorrência que acabou na morte de Thawanna. Após a ocorrência, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o companheiro dela, por oferecer resistência, enquanto que a policial que atirou contra Thawanna constava como vítima.
Protesto após morte
- Moradores fizeram um protesto, no último dia 3/4, na Rua Alexandre Davidenko, em Cidade Tiradentes, após a morte de Thawanna.
- Eles montaram uma barricada e atearam fogo em objetos.
- O Corpo de Bombeiros foi acionado e equipes do Choque foram encaminhadas para o local.
- Houve confronto entre os policiais e os manifestantes e uso de bombas de gás lacrimogêneo.
- Também ocorreu uma tentativa de atear fogo em um ônibus.
- Ninguém foi preso ou ficou ferido.
- Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes serão analisadas.
- Os policiais foram colocados em funções administrativas até o fim da investigação.
- O caso foi registrado no 49º Distrito Policial (São Mateus) como resistência.
























