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Negócios

Raízen apresenta versão de plano de recuperação extrajudicial. Entenda

No fim de maio, a Raízen já havia apresentado alguns detalhes do plano compartilhado com credores. A proposta será levada para votação

Fábio Matos03/06/2026 09:35, atualizado 03/06/2026 09:54
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Divulgação/Raízen
Imagem de fábrica da Raízen - Metrópoles

A Raízen, um dos gigantes do agronegócio brasileiro no setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, divulgou, nesta quarta-feira (3/6), versão de seu plano de recuperação extrajudicial que será votado em assembleia.

No fim de maio, a companhia já havia apresentado alguns detalhes do plano compartilhado com credores. A proposta será levada para votação de titulares de debêntures emitidas pela empresa e pela Raízen Energia. Debêntures são títulos de dívida emitidos pelas empresas para a captação de recursos – e debenturistas são os detentores desses títulos.


Entenda

  • Recuperação extrajudicial é um instrumento jurídico que permite a uma empresa que passa por dificuldades financeiras negociar diretamente com seus credores para reestruturar suas dívidas fora do sistema judicial tradicional.
  • Trata-se, em linhas gerais, de uma alternativa mais rápida e menos onerosa do que a recuperação judicial, que pode ser homologada pelo juiz para conferir segurança jurídica ao acordo.
  • A recuperação judicial, por sua vez, é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
  • Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação.

O que diz o plano da Raízen

No documento apresentado nesta quarta-feira, a Raízen elenca alguns pontos como os aportes de R$ 3,5 bilhões pela Shell, a R$ 0,25 por ação, e R$ 500 milhões adicionais por um veículo ligado à Aguassanta Investimentos.

No plano de recuperação extrajudicial, a Raízen prevê três opções de pagamento. Na primeira, haveria a conversão de 45% da dívida total reestruturada em ações.

Na segunda opção, o plano prevê desconto de 80% sobre o valor do crédito e pagamento em parcela única, com vencimento no dia 31 de março de 2047.

A terceira alternativa prevê o pagamento em caixa equivalente ao menor valor entre 75% dos respectivos créditos ou R$ 9.750,00 – sujeito a um limite agregado de R$ 150 milhões.

Ainda de acordo com a Raízen, os detentores de títulos locais – como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) – devem se reunir já nesta quarta-feira em assembleias nas quais o plano será discutido.

Nos próximos dias, também devem ocorrer negociações separadas com bancos e detentores de títulos emitidos no exterior.

Recuperação extrajudicial

Em fevereiro deste ano, a Raízen protocolou aquele que é, hoje, o maior pedido de recuperação extrajudicial em curso no Brasil. O objetivo da medida é justamente a renegociação das dívidas da empresa.

A Raízen é uma das maiores empresas de energia do Brasil e do mundo. Fundada em 2011 a partir de uma joint venture entre a brasileira Cosan e a gigante britânica Shell, a companhia é líder global em produção de açúcar e etanol. A Raízen opera toda a rede de postos da marca Shell no país.

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