Especialista prevê “clima hostil” para negociação de dívidas da Raízen

Ações da companhia caíram pouco mais de 70% em 12 meses. No pregão, tiveram leve melhora após queda com pedido de recuperação extrajudicial

atualizado

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1 de 1 Imagem de fábrica da Raízen - Metrópoles - Foto: Divulgação/Raízen

Em 12 meses, as ações da Raízen (RAIZ4) despencaram 70,29% no Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), segundo dados consultoria Elos Ayta, considerados valores de terça-feira (10/2). No fim da manhã desta quarta-feira (10/3), contudo, depois do baque provocado pelo pedido de recuperação extrajudicial feito na véspera pela empresa, os papéis da companhia recuperaram-se, ainda que parcialmente, em alta de 1,94%. Eles estavam sendo negociados a centavos (R$ 0,54, no caso).

A crise da Raízen pode ter grande impacto no mercado. A empresa tem cerca de 9 mil postos de combustíveis da marca Shell no Brasil, Paraguai e Argentina. A companhia tenta negociar dívidas de R$ 65 bilhões.

Na avaliação de Max Mustrangi, especialista em reestruturação de empresas, o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, feito na noite de terça-feira (10/3), enfrenta desafios. “A empresa ainda precisa do aval de uma parte de debenturistas, bondholders, detentores de títulos de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) que já perderam dinheiro na companhia e não estão nada felizes”, diz. “Isso pode criar um ambiente hostil e dificultar o avanço da recuperação extrajudicial, forçando a ida da companhia para uma recuperação judicial de fato.”

A recuperação extrajudicial (RE) é uma negociação privada, mais rápida, barata e flexível, ideal para empresas com dívidas concentradas e acordo prévio com credores. A recuperação judicial (RJ) é um processo formal, com acompanhamento da Justiça.

Para Mustrangi, os produtores que estavam próximos das usinas podem ser estrangulados com a redução de custos que a Raízen deve executar para aumentar o caixa. “Alguns podem acabar quebrando, porque os custos para migrar de usina pode ser inviável”, afirma. “Outro ponto dentro da Raízen é a conversão de dívida em participação societária, o que pode não ser atrativo tendo em vista os contínuos resultados negativos da empresa, que apresenta déficit há anos e não há sinais de reação ou de mudanças.”

Ele observa que é preciso avaliar o quanto a Cosan vai ser contaminada pela crise da sua controlada. “A Cosan já não está bem, não conseguiu compor junto com a Shell um aporte na Raízen para mitigar danos, porque não tem caixa para isso”, diz o analista. “É imensa a chance de a Cosan ser arrastada para as mesmas condições de sua controlada, ter dificuldade com seus próprios credores e ter que recorrer a algum instrumento jurídico é imensa”, afirma Mustrangi.

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