Agro: em crise, Raízen põe ativos de açúcar, etanol e energia à venda

Com prejuízo bilionário, Raízen tem ativos à venda em seus negócios de açúcar, etanol e bioenergia que somam cerca de R$ 4,9 bilhões

atualizado

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1 de 1 Imagem de fábrica da Raízen - Metrópoles - Foto: Divulgação/Raízen

A Raízen, um dos gigantes do agronegócio brasileiro no setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, que reportou um prejuízo bilionário no quarto trimestre do ano passado, informou que tem ativos à venda em seus negócios de açúcar, etanol e bioenergia que somam cerca de R$ 4,9 bilhões.

No entanto, essas operações contam com passivos de R$ 4,27 bilhões, o que resulta em um valor líquido de R$ 697 milhões à venda, de acordo com a companhia.

A Raízen classifica esses ativos não circulantes como “mantidos para venda” quando “a venda é altamente provável e o ativo, ou o grupo de ativos, está disponível para venda imediata em suas condições atuais, sujeito apenas aos termos habituais e costumeiros aplicáveis à venda”.

Ativo não circulante é aquele que representa os bens, direitos e valores de longo prazo de uma empresa, considerados essenciais para o seu funcionamento. Em geral, inclui itens como imóveis, maquinários, investimentos, marcas e patentes. Sua diferença em relação ao ativo circulante é que tem menor liquidez e uma permanência duradoura.

Entenda

Desses ativos da Raízen que estão à venda, cerca de R$ 1,93 bilhão envolve os negócios de açúcar e etanol. Outros R$ 373 milhões se referem aos chamados “ativos biológicos”, como canaviais. Há, entretanto, R$ 1,5 bilhão em passivos de arrendamento de terras, de longo prazo.

Também foram classificados como ativos à venda usinas de geração de energia solar (R$ 1,4 bilhão) e contas a receber de clientes da comercializadora de energia (R$ 608 milhões).

Até aqui, a Raízen já vendeu R$ 5 bilhões em ativos. Grande parte dessas operações foi sacramentada no último trimestre, como vendas das usinas de cana-de-açúcar Leme, Rio Brilhante e Passatempo, além dos canaviais da Usina Santa Elisa.

Prejuízo da Raízen disparou mais de 500%

Segundo o balanço financeiro da companhia, o prejuízo no período entre outubro e dezembro de 2025 foi de R$ 15,645 bilhões.

O resultado negativo aumentou 508,5% em relação às perdas de R$ 2,571 bilhões acumuladas no quarto trimestre do ano anterior.

A receita líquida da Raízen entre outubro e dezembro de 2025 somou R$ 60,392 bilhões, o que representou uma queda anual de 9,7%.

O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 3,151 bilhões, com recuo de 3,3%.

O balanço da empresa mostra também que o nível de investimentos diminuiu em cerca de R$ 3 bilhões, em comparação com o ano-safra anterior, em linha com o Plano de Investimentos para 2025/2026.

Ao final do ano passado, a Raízen possuía R$ 17,3 bilhões em caixa e aplicações.

O que diz a Raízen

De acordo com a Raízen, empresa controlada por Cosan e Shell, o prejuízo líquido foi impactado pelo “impairment” de R$ 11,1 bilhões no quarto trimestre, em função da piora do crédito e do rebaixamento de notas de classificação por parte de algumas das principais agências de risco.

“Impairment” é um procedimento contábil que verifica se o valor contábil de um ativo excede seu valor de recuperação, garantindo que bens não sejam superavaliados no balanço. Ele é feito quando o valor de mercado ou uso de um ativo cai abaixo do registrado, exigindo um ajuste de redução.

Segundo a Raízen, isso “decorreu da revisão de procedimentos contábeis aplicáveis às premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade de determinados ativos – incluindo tributos diferidos e a recuperar, ágio sobre rentabilidade futura e outros ativos não financeiros”.

“Tais provisões não possuem efeito caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a companhia equacione sua estrutura de capital”, afirmou a Raízen.

A companhia informou, ainda, que “continua operando no curso normal de seus negócios” e reforçou “o compromisso com a continuidade regular das operações e na manutenção da relação com nossos parceiros de negócios – clientes, revendedores e fornecedores, ainda mais essenciais neste período”.

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