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Endividada, Raízen encerra parceria e deixa operação da rede Oxxo

Parceria da Raízen vinha sendo muito criticada no mercado por ter acumulado prejuízos e desviado o foco da empresa de energia

atualizado

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Divulgação/Raízen
Imagem de fábrica da Raízen - Metrópoles
1 de 1 Imagem de fábrica da Raízen - Metrópoles - Foto: Divulgação/Raízen

A Raízen, um dos gigantes do agronegócio brasileiro no setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, anunciou ao mercado, nesta quinta-feira (4/9), que encerrou a parceria com a mexicana Femsa Comercio, estabelecida em 2019 por meio da joint venture Rede Integrada de Lojas de Conveniência e Proximidade (Grupo Nós).

Joint venture é um modelo de colaboração empresarial que consiste na união de duas ou mais empresas com o objetivo de executar um projeto. A Femsa, que se tornou conhecida como a maior engarrafadora de Coca-Cola do mundo, opera os mercados Oxxo no Brasil. Em 2019, a companhia mexicana adquiriu, por R$ 561 milhões, metade da divisão de conveniência da Raízen, responsável pelas lojas Select.

Com o fim do acordo, segundo comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Raízen receberá 1.256 lojas de conveniência Shell Select e Shell Café, que permanecerão no modelo de franquias integrado à rede de postos Shell.

A Femsa, por sua vez, receberá 611 mercados da rede Oxxo e o centro de distribuição localizado no município de Cajamar (SP). A companhia também ficará com as dívidas e caixas disponíveis na joint venture, que seguirá prestando serviços de suprimentos e logística relacionados aos produtos ofertados pelo centro de distribuição para as lojas Shell Select e Shell Café.

O que diz a Raízen

A parceria entre Raízen e Femsa tinha a meta de abrir 5 mil lojas, mas vinha sendo muito criticada no mercado por ter acumulado prejuízos e desviado o foco da empresa de energia.

“Essa decisão está alinhada à estratégia de reciclagem e simplificação do portfólio de negócios da Raízen, permitindo maior foco e agilidade na execução de sua oferta integrada Shell”, afirmou a empresa no comunicado ao mercado.

O desfecho da operação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além do cumprimento das demais condições precedentes estabelecidas nos contratos.

Prejuízo e dívidas

A Raízen teve prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre da safra 2025/2026. A companhia reverteu o lucro de R$ 1,1 bilhão registrado no mesmo período da safra anterior (2024/2025).

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Raízen ficou em R$ 1,9 bilhão, com uma queda anual de 23,4%. O resultado veio abaixo da estimativa média do mercado, que era em torno de R$ 2,16 bilhões.

A dívida líquida da Raízen soma R$ 49,2 bilhões, o que representa um aumento de 56% em relação ao mesmo período da safra anterior. Os maus resultados refletem dificuldades que vêm sendo enfrentadas pela empresa nos últimos meses, como a quebra de safra e problemas na moagem, além de um forte aumento das despesas financeiras.

Empresa busca capitalização

De acordo com a Raízen, o crescimento da dívida é resultado de uma “limpeza” no balanço, com a substituição das chamadas “dívidas ruins” e de curto prazo por dívidas de longo prazo. Em meio ao aumento do risco financeiro e aos juros em patamar elevado, a empresa afirmou que busca formas de capitalização.

“Não temos nem detalhes nem a certeza de uma potencial operação. O que a gente tem é uma conversa ativa que envolve os controladores, Shell e Cosan, para avaliar mecanismos de acelerar essa jornada e reduzir o risco”, afirmou o CFO da Raízen, Rafael Bergman, ao comentar o resultado da companhia.

Por meio de um comunicado, a empresa informou que o eventual aporte pode ser feito pelos próprios acionistas. Também há a possibilidade de que novos investidores entrem no circuito.

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