Crise na Raízen: dívida bilionária cresceu 43% em apenas 1 trimestre

Empresa protagoniza o maior pedido de recuperação extrajudicial em curso no país, protocolado na noite de terça-feira (10/3)

atualizado

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1 de 1 Imagem de fábrica da Raízen - Metrópoles - Foto: Divulgação/Raízen

A Raízen tenta se escorar no maior pedido de recuperação extrajudicial em curso no Brasil, protocolado na Justiça na noite desta terça-feira (10/2). O objetivo da medida é a renegociação de dívidas estimadas em R$ 65 bilhões.

Maior empresa de biocombustíveis do país, a Raízen é fruto da joint venture entre a brasileira Cosan, do bilionário Rubens Ometto, e da Shell, a antiga Royal Dutch Shell, multinacional petrolífera com sede em Londres.

Na segunda semana de fevereiro, a Raízen informou, em suas demonstrações financeiras do terceiro trimestre da safra 2025/26, a presença de eventos e circunstâncias que “indicam a existência de incerteza significativa quanto à continuidade operacional da companhia”. A ressalva foi feita no Anexo XIII do relatório de resultados.

De acordo com a companhia, tal incerteza era resultado do fato de a “estrutura de capital permanecer pressionada pelo nível de endividamento e pelos respectivos encargos financeiros”. No período de nove meses encerrado em 31 de dezembro de 2025, a Raízen registrou prejuízo de R$ 19,8 bilhões, superando em mais de 1.000% as perdas de R$ 1,66 bilhão contabilizadas em igual intervalo de 2024/25. O patrimônio líquido ficou negativo em R$ 1,1 bilhão.

Explosão dos débitos

Naquele trimestre (o terceiro da safra 2025/26), o prejuízo líquido ficou em R$ 15,65 bilhões, ante perdas de R$ 2,57 bilhões no mesmo período da safra anterior. A variação negativa foi de 508,6%. A dívida líquida cresceu 43,4%, alcançando R$ 55,3 bilhões.

Havia algum tempo, portanto, que a possibilidade de recuperação extrajudicial rondava o mercado. Gigante dos biocombustíveis, a continuidade da operação da companhia preocupava tanto o governo brasileiro, pela dimensão da empresa no mercado, como a Shell, que tem na Raízen parte substancial de seus planos de energia limpa e, no Brasil, um dos mercados mais importantes para a petrolífera britânica.

Diante desse quadro, as ações da Raízen negociadas na Bolsa brasileira (B3) se desvalorizaram mais de 60% em 12 meses e passaram a ser negociadas a centavos. A empresa também perdeu sua classificação de crédito de investimento seguro das principais agências avaliadoras de risco. A Shell e o conglomerado brasileiro detêm, cada um, participação de 44% na Raízen.

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