Raízen pede recuperação judicial para negociar R$ 65 bilhões em dívida

Recuperação judicial pedida pela Raízen, gigante do agro brasileiro, suspende as dívidas financeiras e mantém os pagamentos dos fornecedores

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de depósito com a logo da empresa Raízen - Metrópoles - Foto: Divulgação/Raízen

A empresa brasileira Raízen, produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, protocolou plano de recuperação extrajudicial para negociar R$ 65 bilhões em dívidas. A solicitação, protocolada nesta quarta-feira (11/3), conta com a adesão de 40% dos credores do débito — o acordo, no entanto, depende de 50% mais um.

O plano de recuperação da Raízen alcança obrigações financeiras e tenta dar à empresa um ambiente capaz de preservar o caixa, principalmente com a chegada do início da safra de cana-de-açúcar, que depende de maior capital de giro.

Na prática, a recuperação judicial suspende as dívidas financeiras e mantém os pagamentos dos fornecedores.

Ativos à venda

A Raízen, um dos gigantes do agronegócio brasileiro, reportou prejuízo bilionário no quarto trimestre do ano passado. Além disso, em fevereiro, informou que tem ativos à venda em seus negócios de açúcar, etanol e bioenergia que somam cerca de R$ 4,9 bilhões.

No entanto, essas operações contam com passivos de R$ 4,27 bilhões, o que resulta em valor líquido de R$ 697 milhões à venda, de acordo com a companhia.

A Raízen classifica esses ativos não circulantes como “mantidos para venda” quando “a venda é altamente provável e o ativo, ou o grupo de ativos, está disponível para venda imediata em suas condições atuais, sujeito apenas aos termos habituais e costumeiros aplicáveis à venda”.

Ativo não circulante é aquele que representa os bens, direitos e valores de longo prazo de uma empresa, considerados essenciais para o seu funcionamento. Em geral, inclui itens como imóveis, maquinários, investimentos, marcas e patentes. Sua diferença em relação ao ativo circulante é que tem menor liquidez e permanência duradoura.

Entenda

Desses ativos da Raízen que estão à venda, cerca de R$ 1,93 bilhão envolve os negócios de açúcar e etanol. Outros R$ 373 milhões se referem aos chamados “ativos biológicos”, como canaviais. Há, entretanto, R$ 1,5 bilhão em passivos de arrendamento de terras, de longo prazo.

Também foram classificados como ativos à venda usinas de geração de energia solar (R$ 1,4 bilhão) e contas a receber de clientes da comercializadora de energia (R$ 608 milhões).

Até aqui, a Raízen já vendeu R$ 5 bilhões em ativos. Grande parte dessas operações foi sacramentada no último trimestre, como vendas das usinas de cana-de-açúcar Leme, Rio Brilhante e Passatempo, além dos canaviais da Usina Santa Elisa.

Em 2025, produtores e empresas ligadas ao agronegócio registraram 1.990 pedidos de recuperação judicial. O número representou crescimento de 56,4%, na comparação com 2024.

O dado faz parte de um levantamento realizado pela Serasa Experian e indica novo recorde da série histórica do levantamento, iniciada em 2021.

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