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Tácio Lorran

Master enviou R$ 57,9 milhões a empresa com 40 reais de capital social

Empresa recém-aberta foi uma das 10 que mais receberam recursos do Banco Master nos últimos anos

17/07/2026 02:00

O Banco Master enviou R$ 57,9 milhões a uma empresa recém-aberta que detém um capital social ínfimo, de apenas R$ 40. Os repasses foram feitos entre 2024 e 2025, segundo dados da Receita Federal analisados pela coluna. A Copenhagen e Assessoria e Consultoria S.A. é uma das 10 empresas que mais receberam valores do Master no período por supostos serviços prestados.

A empresa pertence ao Estônia Fundo de Investimento Multiestratégia, que é administrado pela gestora Trustee DTVM – investigada pela Polícia Federal por suspeita de aquisição e ocultação de bens para o grupo criminoso do empresário Daniel Vorcaro, CEO do Master.

A Copenhagen foi fundada em novembro de 2024 e atualmente tem como sede um prédio comercial no município de São Caetano do Sul (SP). A empresa declara exercer atividade de consultoria em gestão empresarial.

Atual sede da Copenhagen, em São Caetano do Sul (SP)
Atual sede da Copenhagen, em São Caetano do Sul (SP)

No papel, a Copenhagen é dirigida pelo contador Rogério Lourenço Novo. Ele assumiu o posto em setembro de 2025, pouco antes da Polícia Federal deflagrar a Operação Compliance Zero, que apura a fraude envolvendo o Banco Master.

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Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela Polícia Federal por supostamente operar esquema de notas fiscais falsas de companhias de fachadas para evadir impostos entre 2013 e 2015. A fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões e também tinha como beneficiário o empresário Tercio Borlenghi Júnior, fundador da Ambipar.

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Fundo de investimento Estônia é o dono da Copenhagen
Capital social da Copenhagen é R$ 40
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Capital social da Copenhagen é R$ 40

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Fundo de investimento Estônia é o dono da Copenhagen
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Fundo de investimento Estônia é o dono da Copenhagen

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O Ministério Público Federal, contudo, promoveu o arquivamento das apurações, após a principal empresa investigada aderir a um regime de parcelamento da dívida tributária. Atualmente, Rogério Lourenço Novo também é conselheiro fiscal da Ambipar.

Anteriormente, a gestão da Copenhagen era exercida pelo diretor Artur Martins de Figueiredo, também da Trustee DTVM. Segundo reportagem publicada pelo UOL, ele é investigado pela PF por usar fundos de investimentos e manobras contábeis para movimentar e ocultar dinheiro do Master.

Procurada, a Trustee DTVM afirmou à coluna que, como administradora do fundo Estônia Multiestratégia, que investe em ações da Copenhagen Assessoria e Consultoriada, não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja.

“Importante esclarecer que Artur Figueiredo exerceu o cargo de administração na empresa Copenhagen, representando o fundo Estônia – prática de governança amplamente consolidada no mercado quando estruturas societárias recebem investimentos de fundos de participações.”

“Durante todo o período em que exerceu a função na companhia, a atuação de Artur Figueiredo observou rigorosamente a legislação aplicável, os procedimentos de governança, controles internos e compliance então vigentes”, prosseguiu a Trustee.