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Dólar recua e Bolsa avança com IPCA, payroll e acordo Mercosul-UE

Na véspera, o dólar fechou em leve alta de 0,06%, negociado a R$ 5,389, próximo da estabilidade. Ibovespa subiu 0,59%, aos 162,9 mil pontos

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O dólar operava em queda, nesta sexta-feira (9/1), em uma última sessão da semana movimentada no mercado financeiro, com os investidores atentos a dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos.

No cenário doméstico, o principal destaque do dia é a divulgação dos dados oficiais de inflação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao mês de dezembro e ao consolidado do ano de 2025.

Nos EUA, após uma série de dados divulgados nos últimos dias sobre o mercado de trabalho, as atenções se voltam para o chamado “payroll” – indicador econômico mensal que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.

Outro fato relevante para os mercados, nesta sexta, é a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), após uma longa espera de mais de 25 anos, por parte da maioria dos embaixadores dos estados-membros do bloco europeu. Para que o acordo entre em vigor, no entanto, ainda falta a chancela do Parlamento Europeu.


Dólar

  • Às 13h02, o dólar caía 0,64%, a R$ 5,355.
  • Às 11h56, a moeda norte-americana recuava 0,48% e era negociada a R$ 5,363.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,398. A mínima é de R$ 5,354.
  • Na véspera, o dólar fechou em leve alta de 0,06%, negociado a R$ 5,389, próximo da estabilidade.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,81% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta no pregão.
  • Às 13h11, o indicador avançava 0,55%, aos 163,8 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou com ganhos de 0,59%, aos 162,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 1,14% no ano.

Inflação abaixo do teto da meta

Os preços de bens e serviços do país ficaram mais caros em 0,33% em dezembro, após acelerarem 0,18% em novembro, avanço de 0,15 ponto percentual, segundo os dados divulgados pelo IBGE.

Nos últimos 12 meses até dezembro, a inflação acumulou alta de 4,26%, ainda acima do centro da meta (3%), mas, pela primeira vez no terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abaixo do teto, que é de 4,5%.

No ano de 2025, portanto, o índice acumulou alta de 4,26%. No mesmo mês de 2024, a variação foi de 0,52%. O avanço de dezembro foi influenciado principalmente pela elevação nos preços do grupo transportes, que acelerou 0,74%.

Esse resultado é o menor para um mês de dezembro desde 2018, quando foi registrado 0,15%.

Altas no mês, além de transportes, também foram registradas nos grupos artigos para residência (0,64%) e saúde e cuidados pessoais (0,52), por exemplo.

No mês, o único grupo com resultado negativo foi o de habitação, com variação de 0,33%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para o ano passado era de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela seria cumprida se ficasse entre 1,5% e 4,5%. Ou seja, a inflação brasileira ficou abaixo do teto da meta.

“Payroll” nos EUA

Ainda nesta sexta-feira, o grande foco do mercado financeiro, no Brasil e no mundo, foi o dado oficial de inflação nos EUA – o chamado “payroll”.

A economia dos EUA registrou a criação de 50 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em dezembro, de acordo com dados divulgados pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.

Esta foi a terceira divulgação do relatório desde o fim do shutdown – a paralisação de diversos setores da máquina governamental, no ano passado, que durou mais de 40 dias e foi a maior da história do país.

O resultado veio abaixo das projeções do mercado, que indicavam a criação de 66 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,4%.

No último relatório, o “payroll” mostrou a abertura de 56 mil vagas no país (dado revisado) e uma taxa de desemprego de 4,5%.

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.

Analistas temem que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, dados mais fracos do “payroll” podem ser até considerados positivos, por sinalizarem maior espaço para a queda dos juros – embora também exista a preocupação em relação a uma retração excessiva da maior economia do mundo.

Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

Acordo Mercosul-UE

A maioria dos países da UE aprovou, provisoriamente, acordo comercial com o Mercosul. Em contrapartida, a negociação entre a UE e quatro países latino-americanos é alvo de protestos de agricultores franceses e provoca rejeição unânime por parte da França.

Após 25 anos de tratativas, a maioria dos embaixadores dos 27 Estados-membros da UE aprovou grande parte do acordo. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se opuseram ao texto, enquanto a Bélgica se absteve.

Após a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com os parceiros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – na próxima semana. Para que o acordo entre em vigor, também será necessária a aprovação do Parlamento Europeu.

O acordo é considerado estratégico por ampliar a integração comercial entre duas grandes regiões econômicas e tem sido descrito como uma prioridade para reforçar o comércio global, a competitividade econômica e a estabilidade geoeconômica.

Ele prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais em uma das maiores áreas de comércio do mundo, o que pode impulsionar exportações e investimentos entre os dois blocos. Para países do Mercosul, isso representa acesso ampliado ao mercado europeu. Já para a UE, uma diversificação das relações comerciais.

Apesar da expectativa de assinatura, o processo ainda enfrenta etapas importantes de implementação e salvaguardas que precisam ser finalizadas antes da oficialização.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou, na quinta-feira (8/1), que decidiu votar contra o acordo. O governo francês é um dos principais opositores ao acordo.

Os agricultores franceses continuam sendo o principal foco de resistência. Eles argumentam que o tratado abriria espaço para concorrência desleal com produtos sul-americanos, produzidos sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na UE.

Trump e Venezuela

Ainda no front internacional, outro ponto de atenção para os mercados são os desdobramentos da situação na Venezuela após a deposição do ditador Nicolás Maduro pelos EUA, no último fim de semana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nesta sexta-feira, que a libertação de presos políticos pelo governo interino da Venezuela é um “sinal de paz”.

Trump também exaltou o trabalho conjunto entre os EUA e a Venezuela, principalmente em relação “à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, da infraestrutura de petróleo e gás” do país. O líder norte-americano afirmou ainda que essa cooperação com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez com que ele cancelasse a segunda onda de ataques que faria contra o país.

“Devido a essa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques anteriormente prevista, que parece não ser necessária. No entanto, todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança”, disse Trump.

O republicano anunciou que pelo menos US$ 100 bilhões serão investidos pelas grandes empresas petrolíferas e anunciou que se reunirá com elas na Casa Branca.

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