Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

Diarista chocou perita ao comparar facadas em casal a matar galinha.

Delegado João Prata diz que suspeita demonstrou frieza durante a reconstituição e afirma não acreditar em surto psicótico

14/07/2026 14:52, atualizado 14/07/2026 15:36
Reprodução/Redes
Diarista Paola

Belo Horizonte – Durante a reconstituição do latrocínio que matou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, no bairro São Pedro, na região centro-sul de Belo Horizonte, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, chamou a atenção dos investigadores ao ser questionada sobre como desferiu as facadas no casal.

“Durante a reconstituição, a perita perguntou como ela teria desferido os golpes. Ela respondeu perguntando à perita se ela já tinha matado uma galinha. Ficou preocupada com o cabelo, preocupada com as unhas”, afirmou o delegado João Prata, chefe da Divisão Operacional do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), em entrevista nesta terça-feira (14/7).

O delegado também classificou a suspeita como “dissimulada” e “completamente fria” e disse não acreditar que ela tenha sofrido um surto psicótico no momento do crime.

“Como nós não somos peritos, não podemos afirmar se ela era imputável ou inimputável. Mas, ao meu ver, como delegado de polícia há 20 anos no combate ao crime patrimonial, não tenho sombra de dúvidas de que ela era plenamente imputável. Inclusive, durante o ataque, ela entrou em luta corporal com as vítimas”, acrescentou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

A defesa da diarista disse que a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) acolheu o pedido de exame de sanidade mental. Até esta manhã, segundo os investigadores, a Justiça não havia respondido ao pedido.

Com a conclusão do inquérito, além da diarista Paola, mais quatro homens foram indiciados por receptação qualificada, por terem adquirido os objetos que a mulher roubou.

Primeira ida ao apartamento

De acordo com a investigação, Paola trabalhava pela primeira vez na residência das vítimas no dia do crime. Ela chegou ao apartamento por indicação de um parente do casal, para quem já prestava serviços de diarista regularmente, duas vezes por semana.

O familiar prestou depoimento e afirmou estar profundamente abalado. Conforme relatado pelo delegado, ele disse sentir culpa por ter indicado Paola e afirmou que nunca teve qualquer problema com a funcionária, considerada por ele uma pessoa de confiança.

No entanto, em entrevista coletiva no dia 3 de maio, o parente comentou que Paola havia “mudado o comportamento” nos últimos dias. Ele ainda afirmou que ela ligou para ele no dia do crime, relatando que Maria Clotilde estava passando mal. Ele, no entanto, diz que preferiu não checar o que estava acontecendo na casa.

O crime

As investigações apontam que Paola entrou no edifício por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o prédio usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pelos familiares como pertencente a Maria Clotilde.

A perícia constatou que Cláudio e Maria Clotilde foram mortos com diversos golpes de faca em várias partes do corpo. Para a Polícia Civil, a violência empregada é incompatível com uma reação isolada durante um roubo e demonstra extrema crueldade.

A autora confessou os assassinatos, mas alega que a intenção inicial era apenas o roubo. Após deixar o apartamento, segundo as investigações, a suspeita passou cerca de dois dias circulando entre Belo Horizonte e Itabira. Nesse período, ela se hospedou em um hotel na Savassi, fez refeições em restaurantes, utilizou carros de aplicativo, realizou compras e vendeu joias roubadas da casa das vítimas.

Prisão

Paola foi presa na madrugada do dia 2 de julho, em um hotel de Itabira, região central do estado durante uma operação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). Ela estava acompanhada do filho de 6 anos. Levantamentos indicaram que ela pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.

“Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18,8 mil, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo em posse da investigada”, informa.

Reconstituição da morte no apartamento

A reconstituição no apartamento onde ocorreu o crime foi um dos últimos passos do inquérito da PCMG, antes do indiciamento por duplo latrocínio. Paola Stefany decidiu participar da reconstituição e, ao chegar ao local, foi hostilizada por vizinhos e populares que passavam por lá. Ela foi xingada de “assassina” e “vagabunda”.