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Minas Gerais

Diarista que matou casal em BH é indiciada por duplo latrocínio

Quatro indivíduos também foram indiciados por receptação qualificada por terem adquirido bens subtraídos do apartamento das vítima

13/07/2026 18:49, atualizado 13/07/2026 19:27
Reprodução/Redes sociais
Primo recebeu ligação de Paola

Belo Horizonte – A Polícia Civil mineira (PCMG) concluiu seu inquérito e a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, foi indiciada por duplo latrocínio, que é o crime de roubo seguido de morte, pela morte do casal o advogado Cláudio Atála Inácio, de 76 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Atala, de 75 anos.

Além da diarista, quatro indivíduos foram indiciados por receptação qualificada por terem adquirido bens subtraídos do apartamento das vítimas. Eles procuraram a polícia e devolveram os itens, mas ainda podem ter que responder por tê-los comprado de Paola. Por terem colaborado, eles poderão ter pena reduzida.

“No curso das apurações, eles procuram voluntariamente a PCMG, acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens e os devolveram. Assim, poderão ter a pena reduzida por arrependimento posterior, conforme previsto no art. 16 do Código Penal”, diz nota da PCMG.


Itens recuperados

Parte dos itens subtraídos de um casal foram recuperados na casa da investigada e restituídos

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  • R$ 18,8 mil em dinheiro
  • 14 relógios
  • dois celulares
  • oito frascos de perfume
  • diversos acessórios (brincos, anéis, pulseiras, pingentes, cordões)
  • 11,2 gramas de ouro fundido
  • dois pares de tênis
  • dois casacos
  • outras roupas

Agora, o Ministério Público vai receber o resultado do inquérito e decidir se vai denunciar os indiciados. Se o fizer, a Justiça decide se eles viram réus.

De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, o crime foi premeditado, pois Paola já teria entrado no apartamento com a intenção de cometer o roubo.

“Segundo apurado, a suspeita tem histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas – método também utilizado contra o casal de idosos, além da violência física”, informa a PCMG.

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Advogado e esposa foram mortos a facadas em apartamento de luxo em BH
Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76
Paola, acusada de matar o casal
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Paola, acusada de matar o casal

Reprodução
Advogado e esposa foram mortos a facadas em apartamento de luxo em BH
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Advogado e esposa foram mortos a facadas em apartamento de luxo em BH

Daniel Galera/Metrópoles
Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76
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Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76

Reprodução/Redes sociais

Primeiro dia de trabalho

De acordo com a investigação, Paola trabalhava pela primeira vez na residência das vítimas no dia do crime. Ela chegou ao apartamento por indicação de um parente do casal, para quem já prestava serviços de diarista regularmente, duas vezes por semana.

O familiar prestou depoimento e afirmou estar profundamente abalado. Conforme relatado pelo delegado, ele disse sentir culpa por ter indicado Paola e afirmou que nunca teve qualquer problema com a funcionária, considerada por ele uma pessoa de confiança.

No entanto, em entrevista coletiva no dia 3 de maio, o parente comentou que Paola havia “mudado o comportamento” nos últimos dias. Ele ainda afirmou que ela ligou para ele no dia do crime, relatando que Maria Clotilde estava passando mal. Ele, no entanto, diz que preferiu não checar o que estava acontecendo na casa.

O crime

As investigações apontam que Paola entrou no edifício por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o prédio usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pelos familiares como pertencente a Maria Clotilde.

A perícia constatou que Cláudio e Maria Clotilde foram mortos com diversos golpes de faca em várias partes do corpo. Para a Polícia Civil, a violência empregada é incompatível com uma reação isolada durante um roubo e demonstra extrema crueldade.

Após deixar o apartamento, segundo as investigações, a suspeita passou cerca de dois dias circulando entre Belo Horizonte e Itabira. Nesse período, ela se hospedou em um hotel na Savassi, fez refeições em restaurantes, utilizou carros de aplicativo, realizou compras e vendeu joias roubadas da casa das vítimas.

Prisão

Paola foi presa na madrugada do dia 2 de julho, em um hotel de Itabira, região Central do estado durante uma operação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). Ela estava acompanhada do filho de 6 anos. Levantamentos indicaram que ela pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.

“Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18,8 mil, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo em posse da investigada”, informa.

Reconstituição da morte no apartamento

A reconstituição no apartamento onde ocorreu o crime foi um dos últimos passos do inquérito da PCMG, antes do indiciamento por duplo latrocínio. Paola Stefany decidiu participar da reconstituição e ao chegar ao local foi hostilizada por vizinhos e populares que passavam por lá. Ela foi xingada de “assassina”e “vagabunda”.

Outras vítimas da diarista

Durante as investigações, outras pessoas procuraram o Depatri para informar que também foram vítimas da diarista. “Foram contabilizados outros quatro crimes, praticados com o mesmo modo de agir, ou seja, dopando clientes”, relatou a PCMG, em nota.