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Minas Gerais

Casal morto em BH: polícia diz que suspeita sobre primo foi descartada

Delegado afirmou que houve "suposição" de participação do primo de uma das vítimas, mas que suspeita foi descartada após investigações

14/07/2026 14:15, atualizado 14/07/2026 14:56
Polícia Civil MG/Larissa Ricci
diarista Paola , delegado Gustavo Barletta

Belo Horizonte – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou que o primo de Maria Clotilde Atala, uma das vítimas do duplo latrocínio cometido pela diarista Paola Cirino, de 30 anos, em Belo Horizonte, chegou a ser alvo de “suposições” de participação no crime. No entanto, segundo o delegado Gustavo Barletta, a hipótese foi totalmente descartada e o parente foi considerado mais uma vítima do esquema, apesar de ter indicado a mulher para o serviço de limpeza.

“A Polícia Civil trabalha de forma técnica, séria e imparcial. Eu não posso dizer que suposições são indícios. Existiram realmente algumas suposições de que ele poderia estar envolvido, mas, neste momento, descartamos totalmente a participação dele’, declarou Barletta, delegado da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri).

Ainda segundo Gustavo, a diarista usou a confiança do parente do casal para se aproximar da família, dopou-o e roubou R$ 800. Todas as suspeitas contra ele foram afastadas após confronto de depoimentos e análise técnica. “Ela (suspeita) confessou informalmente que usava a confiança do primo da dona Clotilde para se beneficiar de várias maneiras”, completou.

A autora confessou os assassinatos, mas alega que a intenção inicial era apenas o roubo. Ela já responde por duplo latrocínio e possui outras vítimas identificadas, incluindo o próprio primo que a indicou.

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Conclusão do inquérito

Com a conclusão do inquérito sobre a morte do casal Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala, de 76 anos, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou, além da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, mais quatro homens, por receptação qualificada, por terem adquirido os objetos que Paola roubou após matar os dois, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.

Relembre o caso

De acordo com a investigação, Paola trabalhava pela primeira vez na residência das vítimas no dia do crime. Ela chegou ao apartamento por indicação de um parente do casal, para quem já prestava serviços de diarista regularmente, duas vezes por semana.

O familiar prestou depoimento e afirmou estar profundamente abalado. Conforme relatado pelo delegado, ele disse sentir culpa por ter indicado Paola e afirmou que nunca teve qualquer problema com a funcionária, considerada por ele uma pessoa de confiança.

No entanto, em entrevista coletiva no dia 3 de maio, o parente comentou que Paola havia “mudado o comportamento” nos últimos dias. Ele ainda afirmou que ela ligou para ele no dia do crime, relatando que Maria Clotilde estava passando mal. Ele, no entanto, diz que preferiu não checar o que estava acontecendo na casa.

O crime

As investigações apontam que Paola entrou no edifício por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o prédio usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pelos familiares como pertencente a Maria Clotilde.

A perícia constatou que Cláudio e Maria Clotilde foram mortos com diversos golpes de faca em várias partes do corpo. Para a Polícia Civil, a violência empregada é incompatível com uma reação isolada durante um roubo e demonstra extrema crueldade.

casal de idosos e diarista Paola
A autora confessou os assassinatos, mas alega que a intenção inicial era apenas o roubo

Após deixar o apartamento, segundo as investigações, a suspeita passou cerca de dois dias circulando entre Belo Horizonte e Itabira. Nesse período, ela se hospedou em um hotel na Savassi, fez refeições em restaurantes, utilizou carros de aplicativo, realizou compras e vendeu joias roubadas da casa das vítimas.

Prisão

Paola foi presa na madrugada do dia 2 de julho, em um hotel de Itabira, região Central do estado durante uma operação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). Ela estava acompanhada do filho de 6 anos. Levantamentos indicaram que ela pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.

“Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18,8 mil, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo em posse da investigada”, informa.

diarista Paola sendo colocada no camburão
Delegado Gustavo Barletta, da Depatri, afirmou que o parente foi apenas mais uma vítima do esquema

Reconstituição da morte no apartamento

A reconstituição no apartamento onde ocorreu o crime foi um dos últimos passos do inquérito da PCMG, antes do indiciamento por duplo latrocínio. Paola Stefany decidiu participar da reconstituição e ao chegar ao local foi hostilizada por vizinhos e populares que passavam por lá. Ela foi xingada de “assassina”e “vagabunda”.