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Minas Gerais

"Prejudicou a imagem de todas", diz diarista após crime que chocou BH.

Faxineira afirma que profissionais de limpeza passaram a ser vistos com desconfiança após o latrocínio do casal cometido por diarista em BH

08/07/2026 14:24, atualizado 08/07/2026 14:28
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Belo Horizonte — A reconstituição do latrocínio (roubo seguido de morte) que vitimou um casal de idosos no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (8), também foi marcada pelo desabafo de diaristas que acompanharam a movimentação em frente ao prédio onde o crime aconteceu.

Enquanto a principal suspeita, Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, era levada ao local pela Polícia Civil, uma das profissionais afirmou que o caso abalou a confiança dos empregadores e prejudicou a reputação da categoria.

“Prejudicou demais. Prejudicou a imagem de todas as diaristas”, afirmou Lilian, que trabalha há mais de 20 anos na profissão.

Segundo ela, após o crime, patrões passaram a desconfiar até de profissionais conhecidas há anos.

“Agora ninguém está confiando no nosso trabalho. Estamos sendo vigiadas pelos patrões que conhecem a gente há anos. Estão pedindo mais referências, perguntando onde a gente mora, querendo saber de quem já trabalhou”, relatou.

A diarista disse que ela e outras colegas se sentem injustiçadas por serem associadas ao crime.

“Somos pessoas honestas, trabalhamos dignamente e estamos pagando o preço por causa dessa vagabunda. Nós não temos culpa. Temos referência, boa índole e trabalhamos honestamente”, afirmou.

“Nem todo mundo é igual”

Durante a entrevista, Lilian pediu que a população não generalize a categoria por causa da atuação da suspeita. “Nem todo mundo é igual. Não é porque fomos criados na favela que todos são iguais. Existe gente honesta que sai de casa todos os dias para trabalhar”.

Ela ainda classificou a investigada como “assassina”, “pilantra” e “estelionatária” e afirmou que não considera Paola uma verdadeira diarista.

“Diarista, não. Ela é estelionatária, pilantra, assassina”, finalizou.

Reconstituição do crime

A Polícia Civil realiza nesta quarta a reconstituição do duplo latrocínio no apartamento onde moravam o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76.

Segundo a investigação, Paola trabalhava pela primeira vez na residência quando dopou o casal com comprimidos de clonazepam, esperou que as vítimas perdessem a capacidade de reação e, em seguida, as matou com dezenas de facadas. Depois, fugiu levando joias, relógios de luxo, celulares e outros objetos.

Na terça-feira (7), a Polícia Civil informou ter localizado a faca usada no crime após uma nova perícia no apartamento. Com o uso de luminol, peritos identificaram vestígios de sangue na arma, considerada uma das principais provas da investigação.

A reconstituição é uma das últimas etapas antes da conclusão do inquérito, que deve indiciar a suspeita por duplo latrocínio.