Nova vítima diz ter sido dopada por diarista que matou casal em BH.
Nutricionista afirma que teve cerca de R$ 30 mil em bens roubados após contratar a diarista, que já foi indiciada por duplo latrocínio em BH
Belo Horizonte – A nutricionista Raphaela Parreiras, de 28 anos, procurou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para relatar que também foi vítima da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, indiciada por matar o casal de idosos Cláudio Atála Inácio, de 76 anos, e Maria Clotilde Atála, de 75, durante um roubo em Belo Horizonte. Em depoimento, Raphaela afirmou que acredita ter sido dopada pela suspeita antes de ter a casa furtada.
A nutricionista e o marido constataram o desaparecimento de joias, presentes recebidos ao longo do casamento, acessórios femininos e diversos outros objetos. O prejuízo foi estimado em cerca de R$ 30 mil.
Segundo a nutricionista, ela precisou contratar uma diarista freelancer porque a profissional que costuma prestar serviços em sua casa teve um problema pessoal e cancelou a faxina. A indicação de Paola foi encontrada em um grupo de moradores do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte.
Raphaela contou que decidiu contratar a diarista após verificar que ela acumulava diversas recomendações de moradores, publicadas ao longo dos últimos anos. “Era uma pessoa que tinha diferentes indicações, relatos de pessoas dizendo que ela trabalhava na casa delas há mais de um ano e fazia um bom serviço”, afirmou.
Quando Paola chegou à residência, Raphaela mostrou como gostaria que a limpeza fosse feita. Durante a conversa, a diarista perguntou sobre os produtos utilizados na faxina e solicitou que alguns itens fossem comprados. Como a nutricionista só começaria a trabalhar à tarde, ela saiu de casa acompanhada do marido para ir ao supermercado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSonolência repentina
Foi nesse momento que algo chamou a atenção da vítima. Segundo Raphaela, ainda no estacionamento do supermercado ela começou a sentir uma sonolência intensa e inesperada.
“Eu comecei a sentir uma sonolência muito grande e acabei dormindo dentro do carro, no estacionamento do supermercado”, contou.
Ela afirma que permaneceu cerca de uma hora no veículo porque o marido percebeu que ela não estava bem. Mesmo depois de voltar para casa, continuava extremamente sonolenta.
Após conversar com o delegado responsável pelas investigações, Raphaela passou a acreditar que a diarista possa ter colocado clonazepam em sua garrafa de água.
Segundo ela, a garrafa permanecia sobre a mesa durante a manhã, enquanto realizava atendimentos on-line, e ficou de fácil acesso para a diarista.
Marido também dormiu
Mesmo sem estar completamente recuperada, Raphaela saiu para trabalhar durante a tarde. O marido permaneceu sozinho em casa e, segundo ela, também começou a sentir muito sono.
Quando a diarista terminou a faxina, ele estava se preparando para sair. Como a residência possui fechadura eletrônica, orientou que ela apenas fechasse a porta ao deixar o imóvel. As imagens das câmeras de segurança, segundo Raphaela, mostram a diarista saindo da casa carregando diversas sacolas.
“Os vídeos mostram que ela sai com muitos itens. A gente acredita que os objetos foram levados enquanto ele estava dormindo e também durante o período da manhã”, afirmou.
Interesse pelos bens da casa
A nutricionista acredita que a intenção da diarista era furtar a residência desde o início. Segundo ela, durante toda a faxina Paola fazia perguntas sobre objetos da casa e demonstrava interesse pelos bens do casal.
“Ela já chegou em casa com o intuito de furtar. Eu percebi alguns comentários dela muito interessada em saber sobre as coisas”, contou.
Raphaela disse ainda que, em determinado momento, a diarista chegou a oferecer um curso de organização residencial que dizia ministrar, mas ela recusou porque queria apenas o serviço de limpeza.
Segundo a nutricionista, a Polícia Civil conseguiu recuperar grande parte dos bens, mas as joias ainda não foram encontradas.
Mesmo modo de agir
Na segunda-feira (13/7), a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do casal Cláudio Atála Inácio e Maria Clotilde Atála e indiciou Paola Stefany por duplo latrocínio (roubo seguido de morte).
Conforme a investigação, a diarista entrou no apartamento dos idosos já com a intenção de cometer o roubo. A corporação afirma que ela utilizava medicamentos com efeito sedativo para diminuir a capacidade de reação das vítimas antes de furtar objetos de valor.
No caso do casal de idosos, a polícia concluiu que, além de dopá-los, a investigada os matou com diversos golpes de faca e deixou o apartamento levando joias, dinheiro e outros bens.
Durante as investigações, outras pessoas procuraram o Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) para relatar situações semelhantes.











