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Minas Gerais

Polícia indicia 4 por compra de bens roubados de casal morto em BH

As quatro pessoas procuraram voluntariamente os investigadores e alegaram que desconheciam a origem dos produtos roubados por diarista

14/07/2026 08:25, atualizado 14/07/2026 08:26
Redes Sociais / Reprodução
Paola Setefany diarista que matou casal de idosos em BH

Belo Horizonte — Ao final do inquérito sobre a morte do casal Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala, de 75 anos, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou, além da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, mais quatro homens, por receptação qualificada, por terem adquirido os objetos que Paola roubou após matar os dois, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, no dia 29 de junho.

As quatro pessoas procuraram voluntariamente os investigadores, juntamente com seus advogados, e alegaram que desconheciam a origem ilícita dos produtos. Eles devolveram tudo o que tinham comprado de Paola.

“Também no procedimento policial, quatro homens que adquiriram bens roubados da residência das vítimas foram indiciados pelo crime de receptação qualificada. No curso das apurações, eles procuram voluntariamente a PCMG, acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens e os devolveram”, diz trecho de documento da polícia.


Itens recuperados

  • R$ 18,8 mil em dinheiro
  • 14 relógios
  • dois celulares
  • oito frascos de perfume
  • diversos acessórios (brincos, anéis, pulseiras, pingentes, cordões)
  • 11,2 gramas de ouro fundido
  • dois pares de tênis
  • dois casacos
  • outras roupas

De acordo com a Polícia Civil, os homens poderão ter a pena reduzida por “arrependimento”, conforme previsto no art. 16 do Código Penal.

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Relembre o caso

De acordo com a investigação, Paola trabalhava pela primeira vez na residência das vítimas no dia do crime. Ela chegou ao apartamento por indicação de um parente do casal, para quem já prestava serviços de diarista regularmente, duas vezes por semana.

O familiar prestou depoimento e afirmou estar profundamente abalado. Conforme relatado pelo delegado, ele disse sentir culpa por ter indicado Paola e afirmou que nunca teve qualquer problema com a funcionária, considerada por ele uma pessoa de confiança.

No entanto, em entrevista coletiva no dia 3 de maio, o parente comentou que Paola havia “mudado o comportamento” nos últimos dias. Ele ainda afirmou que ela ligou para ele no dia do crime, relatando que Maria Clotilde estava passando mal. Ele, no entanto, diz que preferiu não checar o que estava acontecendo na casa.

O crime

As investigações apontam que Paola entrou no edifício por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o prédio usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pelos familiares como pertencente a Maria Clotilde.

A perícia constatou que Cláudio e Maria Clotilde foram mortos com diversos golpes de faca em várias partes do corpo. Para a Polícia Civil, a violência empregada é incompatível com uma reação isolada durante um roubo e demonstra extrema crueldade.

Após deixar o apartamento, segundo as investigações, a suspeita passou cerca de dois dias circulando entre Belo Horizonte e Itabira. Nesse período, ela se hospedou em um hotel na Savassi, fez refeições em restaurantes, utilizou carros de aplicativo, realizou compras e vendeu joias roubadas da casa das vítimas.

Prisão

Paola foi presa na madrugada do dia 2 de julho, em um hotel de Itabira, região Central do estado durante uma operação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). Ela estava acompanhada do filho de 6 anos. Levantamentos indicaram que ela pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.

“Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18,8 mil, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo em posse da investigada”, informa.

Reconstituição da morte no apartamento

A reconstituição no apartamento onde ocorreu o crime foi um dos últimos passos do inquérito da PCMG, antes do indiciamento por duplo latrocínio. Paola Stefany decidiu participar da reconstituição e ao chegar ao local foi hostilizada por vizinhos e populares que passavam por lá. Ela foi xingada de “assassina”e “vagabunda”.

Outras vítimas da diarista

Durante as investigações, outras pessoas procuraram o Depatri para informar que também foram vítimas da diarista. “Foram contabilizados outros quatro crimes, praticados com o mesmo modo de agir, ou seja, dopando clientes”, relatou a PCMG, em nota.