Diarista que matou casal em BH fará exame para tentar provar surto
O requerimento será encaminhado à Justiça, que decidirá se instaura o incidente de insanidade mental e autoriza a perícia

Belo Horizonte – A defesa da diarista Paola Stefany Neto Cirino, investigada pela morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, pediu que ela passe por um exame para apurar eventual incidente de insanidade mental. Ela alega que teve um surto psicótico quando cometeu o crime, possibilidade que a investigação tem descartado.
Segundo o advogado de Paola, Bruno Corrêa, o pedido foi acolhido pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). A informação foi divulgada pelo defensor nesta sexta-feira (10).
Segundo Bruno Corrêa, o pedido se baseou no histórico de atendimentos de saúde mental da investigada, em depoimentos de familiares e na postura dela durante a reprodução do que aconteceu.
“A defesa se baseou exatamente no passado dela em relação às diversas vezes que ela esteve nesses locais que tratam situações de saúde, CAPS de Ribeirão das Neves, Hospital Espírita André Luiz, nos depoimentos dos familiares dela e, principalmente, no depoimento dela e na forma com que ela se posicionou na reprodução simulada dos fatos. Ficou nítido para todos que estavam ali que ela teve um surto psicótico“, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSendo assim. segundo ele, a PC já acolheu o requerimento da defesa e agora deverá encaminhá-lo ao Poder Judiciário. Caberá à Justiça decidir se instaura o incidente de insanidade mental, procedimento que, se autorizado, determina a realização da perícia.
A reportagem entrou em contato com a PCMG e aguarda um posicionamento.
O crime que chocou BH:
- 29 de junho: primeira vez na casa. Paola Cirino foi ao apartamento do casal para trabalhar como diarista. Ela havia sido indicada por um parente das vítimas.
- Casal dopado: segundo a Polícia Civil, a suspeita colocou clonazepam na comida das vítimas e esperou que elas perdessem a capacidade de reação.
- Assassinato: o casal foi morto com dezenas de facadas. A faca usada no crime foi encontrada dias depois durante nova perícia.
- Roubo: após o crime, a diarista levou joias, relógios, celulares, dinheiro e outros objetos de valor antes de deixar o apartamento.
- Prisão: Paola foi presa preventivamente, confessou o crime e parte dos bens roubados já foi recuperada pela polícia.
- Novas apurações: a Polícia Civil investiga se ela pode ter cometido outros furtos durante serviços de limpeza em diferentes residências.
- Reconstituição: na quarta-feira (8/7), a polícia realizou a reprodução simulada do crime. O inquérito deve ser concluído e enviado à Justiça nos próximos dias.
Paola não irá a júri popular
Nessa quinta-feira (9/7), A Justiça determinou que o processo envolvendo Paola não tramite no Tribunal do Júri e seja encaminhado a uma das Varas das Garantias da capital mineira.
Na decisão, a magistrada afirma que o crime atribuído à investigada é latrocínio (roubo seguido de morte), delito que não está entre aqueles de competência do Tribunal do Júri. Anteriormente, o caso havia sido encaminhado como homicídio, que seria atribuição do colegiado.
O advogado de Paola, Bruno Corrêa, afirmou que a decisão já era esperada. “Já era uma decisão esperada e a defesa vai trabalhar para alterar esse contexto ao longo do processo”, disse.
Relembre
O casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi encontrado morto no apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, após o filho estranhar a falta de contato com os pais e ir até o imóvel. Segundo a Polícia Militar, não havia sinais de arrombamento.
Imagens do circuito interno de segurança mostraram Paola entrando no prédio na manhã de segunda-feira (29/6) e deixando o local cerca de oito horas depois com sacolas e uma bolsa reconhecida pela família como pertencente à empresária. Ela foi localizada e presa na quinta (2/7).


