Defesa diz que Paola reviveu momentos difíceis na reconstituição.
Bruno Corrêa afirma que reprodução foi marcada por emoção, pede exame de insanidade mental e diz que ato ajudará a esclarecer os fatos
Belo Horizonte – A defesa da diarista Paola Stefany Neto Cirino, afirmou que a reconstituição do duplo latrocínio de um casal de idosos, realizada nesta quarta-feira (8/7), em Belo Horizonte, deve contribuir para esclarecer os fatos investigados.
Em entrevista após o procedimento, o advogado Bruno Corrêa disse que a cliente enfrentou momentos de forte abalo emocional durante a reprodução simulada e precisou interromper o ato em diversas ocasiões por causa do nervosismo e da dificuldade para recordar os acontecimentos.
Reconstituição foi marcada por emoção
Segundo Bruno Corrêa, a reprodução dos fatos foi conduzida tecnicamente pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), mas representou um momento delicado para a investigada. De acordo com ele, Paola apresentou dificuldades para reconstruir toda a dinâmica do crime e, em alguns momentos, não conseguiu explicar de forma clara o que ocorreu dentro do apartamento.
“A Paola não estava tranquila. Em diversos momentos nós tivemos que pausar a reprodução dos fatos por conta de nervosismo e emoção”, afirmou o advogado. Ele acrescentou que a cliente deixou claro “aquilo que aconteceu e também aquilo que não aconteceu”, sob a perspectiva da defesa.
Ainda segundo Corrêa, a reprodução simulada é importante porque formaliza tanto os fatos apresentados pela investigação quanto os pontos contestados pela defesa. O advogado também prestou solidariedade à família das vítimas e afirmou que seguirá trabalhando “a fundo” durante o processo.
Defesa pede exame de insanidade mental

Após a reconstituição, Bruno Corrêa informou que protocolou um pedido para que a Polícia Civil represente pela instauração do incidente de insanidade mental da investigada, conforme previsto no artigo 149 do Código de Processo Penal.
Segundo ele, o requerimento se baseia em elementos já reunidos pela defesa, como histórico de atendimentos em unidades de saúde, receituários médicos, relatos de familiares, episódios de confusão mental, esquecimentos e pensamentos suicidas. O advogado ressaltou, porém, que cabe exclusivamente aos profissionais da perícia médica avaliar a condição psicológica da investigada.
“A avaliação é feita exclusivamente por profissionais da área da saúde. Não compete ao advogado fazer juízo de valor”, afirmou.
Corrêa também disse entender que Paola apresenta apenas compreensão parcial da situação, mas evitou concluir se isso comprometeu a reconstituição, afirmando que essa análise depende das autoridades e dos especialistas.
Reconstituição mobilizou moradores
A reprodução do crime ocorreu no apartamento onde o casal de idosos foi assassinado, no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Durante a chegada e a saída da suspeita, moradores e pessoas que acompanhavam a movimentação hostilizaram Paola com gritos e xingamentos.
O procedimento realizado nesta terça (8/7) é considerado uma das etapas finais da investigação conduzida pela Polícia Civil. O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias.

Resumo do crime
Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, está presa suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, durante o primeiro dia de trabalho como diarista na residência do casal, em 29 de junho.
Segundo a Polícia Civil, a investigada teria dopado as vítimas com comprimidos de clonazepam, aguardado que elas perdessem a capacidade de reação e, em seguida, cometido os homicídios com golpes de faca. Após o crime, ela teria levado dinheiro, joias, relógios, celulares e outros objetos antes de deixar o apartamento.
Na véspera da reconstituição, a Polícia Civil informou que localizou a faca apontada como a arma utilizada no crime após uma nova perícia realizada no imóvel, com auxílio de luminol para identificação de vestígios de sangue.


