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Minas Gerais

Diarista volta à cena do crime em reconstituição da morte de casal.

Reprodução simulada nesta quarta (8) deve esclarecer a dinâmica do crime; investigação reúne um conjunto robusto de provas contra suspeita

08/07/2026 02:30
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Belo Horizonte – A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, voltará nesta quarta-feira (8/7) à cena do crime brutal do qual foi protagonista na capital mineira. Ela deixará a cadeia e participará da reconstituição da morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76.

Presa preventivamente após confessar os assassinatos, ela acompanhará a reprodução simulada realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), considerada uma das últimas etapas antes da conclusão do inquérito.

A expectativa dos investigadores é que a reconstituição permita esclarecer, ponto a ponto, a dinâmica do duplo latrocínio — roubo seguido de morte — cometido dentro do apartamento onde o casal vivia, no bairro São Pedro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A presença da investigada foi confirmada pela defesa, que afirma acompanhar todas as diligências e diz confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo da instrução processual.

Últimos detalhes de um crime que chocou Minas

A reprodução simulada ocorre pouco mais de uma semana após o assassinato que mobilizou a polícia e provocou forte comoção em Minas Gerais.

Segundo a investigação, Paola trabalhava pela primeira vez na residência quando decidiu atacar o casal. A Polícia Civil sustenta que ela levou comprimidos de clonazepam até o imóvel, dopou as vítimas, esperou que elas perdessem a capacidade de reação e, em seguida, as matou com dezenas de facadas antes de fugir levando joias, relógios de luxo, R$ 18 mil em dinheiro, celulares e outros objetos.

Após deixar o apartamento, a diarista ainda teria tomado banho, vestiu roupas da idosa e saiu caminhando normalmente até a portaria do edifício.

delegados apresentam objetos deixados em uma caçamba pela diarista
Polícia apresenta objetos encontrados em caçamba logo após a diarista cometer o crime; incluindo uma blusa com marcas de sangue

Nos dias seguintes, circulou entre Belo Horizonte e Itabira, hospedou-se em hotel, fez compras, utilizou carros por aplicativo e vendeu parte dos bens roubados. A estimativa é que o prejuízo causado ao casal ultrapasse R$ 200 mil.

Ela foi encontrada dormindo na madrugada de quinta-feira (2/7), ao lado de seu filho de 6 anos em um hotel de Itabira, cidade que fica cerca de 110 quilômetros de distância da capital mineira.

Faca encontrada reforça investigação

Às vésperas da reconstituição, a Polícia Civil anunciou uma das descobertas mais importantes do caso: a localização da faca utilizada nos assassinatos.

A arma foi identificada durante uma nova perícia realizada no apartamento do casal nesta terça (7). Com auxílio de luminol — reagente químico capaz de revelar vestígios de sangue invisíveis a olho nu —, os peritos analisaram diversas facas da cozinha até localizar aquela usada no crime.

casal de idosos mortos em BH / faca com luminol
Luminol encontra marcas de sangue na faca utilizada para matar o casal de idoso

Segundo os investigadores, a descoberta fortalece um inquérito que já reúne imagens de câmeras de segurança, laudos periciais, exames toxicológicos, depoimentos de testemunhas e parte dos objetos roubados recuperados ao longo das investigações.

A Polícia Civil também afirma que exames descartaram a versão apresentada por Paola de que teria sofrido um surto psicótico após ingerir clonazepam.

De acordo com os laudos, não havia vestígios do medicamento no sangue nem na urina da suspeita, reforçando a tese de que o remédio foi levado exclusivamente para dopar o casal, ao contrário do que ela disse em depoimento.

Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, a suspeita estava com 40 comprimidos do medicamento na bolsa.

Choro na audiência de custódia

Embora tenha permanecido em silêncio ao longo da audiência de custódia, realizada após a prisão, Paola chorou quando a juíza leu informações repassadas por familiares sobre sua relação com o filho de seis anos.

Paola Setefany diarista que matou casal de idosos em BH
Paola Setefany diarista que matou casal de idosos em BH

Na ocasião, a magistrada converteu a prisão em flagrante em preventiva, destacando a extrema gravidade dos fatos, a crueldade do crime e a necessidade de preservar a ordem pública.

Desde então, a diarista permanece presa enquanto responde pela investigação do duplo latrocínio.

Defesa pede respeito ao devido processo legal

O advogado Bruno Corrêa afirmou que acompanhará a reconstituição e todas as etapas da investigação.

Em nota, a defesa manifestou solidariedade aos familiares das vítimas e ressaltou que atuará “com absoluta responsabilidade”, observando os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.

O defensor acrescentou que qualquer conclusão sobre a responsabilidade da investigada deve ocorrer exclusivamente ao fim da instrução processual, com base nas provas produzidas nos autos, e não em julgamentos antecipados decorrentes da repercussão do caso.

Investigação vai além do assassinato do casal

Enquanto prepara a conclusão do inquérito, a Polícia Civil também apura se Paola pode ter feito outras vítimas utilizando o mesmo modo de agir.

Pelo menos duas pessoas procuraram os investigadores após reconhecerem a diarista nas reportagens sobre o caso. Os relatos indicam situações semelhantes: vítimas que afirmam ter perdido a consciência durante serviços prestados por ela e, posteriormente, perceberam o desaparecimento de dinheiro, carteiras ou joias.

Para os investigadores, os depoimentos apresentam um padrão compatível com o identificado no assassinato de Cláudio e Maria Clotilde e ainda são objeto de apuração.

A reprodução simulada desta quarta-feira deve representar um dos momentos mais importantes da investigação. Além de confrontar a versão apresentada pela suspeita com as provas técnicas já reunidas, a expectativa é que o procedimento permita reconstruir, minuto a minuto, como ocorreu um dos crimes de maior repercussão registrados em Minas Gerais nos últimos anos.