Imagens mostram diarista saindo com bolsas de casa de vítima em BH.
Nutricionista afirma ter sido dopada e furtada pela diarista indiciada pela morte de casal em BH; polícia investiga mais crimes da suspeita
Belo Horizonte – Imagens de câmeras de segurança mostram a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, deixando a casa da nutricionista Raphaella Parreiras, no bairro Buritis, em Belo Horizonte, por volta das 17h30, carregando bolsas e sacos de lixo. Segundo a vítima, dentro deles estavam joias, presentes, acessórios e outros objetos furtados após ela e o marido terem sido supostamente dopados.
Raphaella procurou a Polícia Civil após reconhecer no caso do casal o mesmo modo de agir que diz ter sofrido. Conforme as investigações, Paola utilizava medicamentos com efeito sedativo para reduzir a capacidade de reação das vítimas antes de cometer os furtos e roubos. A corporação informou que outras pessoas também procuraram o Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) relatando episódios semelhantes.
Relato da nova vítima
Segundo a nutricionista, ela precisou contratar uma diarista freelancer porque a profissional que costuma fazer faxinas em sua casa teve um problema pessoal e não pôde comparecer. A indicação de Paola veio de um grupo de moradores do bairro Buritis, onde havia diversos comentários positivos sobre o trabalho da suspeita.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Era uma pessoa que tinha diferentes indicações em momentos diferentes ao longo dos últimos anos. Tinha relatos de pessoas dizendo que ela trabalhava na casa delas há mais de um ano e fazia um bom serviço”, contou.
Ao chegar ao imóvel, a diarista recebeu orientações sobre a limpeza e perguntou sobre produtos utilizados na faxina. Em seguida, solicitou que alguns itens fossem comprados. Como a nutricionista só começaria a trabalhar à tarde, ela saiu de casa com o marido para ir ao supermercado.
Nutricionista acredita que foi dopada
Ainda no estacionamento do supermercado, Raphaella começou a passar mal. “Eu comecei a sentir uma sonolência muito grande e acabei dormindo dentro do carro no estacionamento do supermercado”, contou.
Após conversar com o delegado responsável pelo caso, Raphaella passou a acreditar que a diarista tenha colocado clonazepam em sua garrafa de água.
“A gente acredita, de acordo com a conversa que eu tive com o delegado Gustavo, que ela possa ter colocado o clonazepam dentro da minha garrafa de água. Eu não comi nada que tivesse em casa, somente essa água.”
Ela explicou que estava fazendo atendimentos on-line durante a manhã e mantinha a garrafa sobre a mesa, em um local de fácil acesso para a diarista. À tarde, o marido de Raphaella também teria sentido muito sono e precisou dormir.
R$ 30 mil roubados
Segundo Raphaella, as imagens de segurança registraram a mulher saindo carregando diversas bolsas e sacos.
“Os vídeos mostram que ela sai com muitos itens. A gente acredita que os objetos tenham sido roubados enquanto ele estava dormindo e também durante o período da manhã”, diz.
A nutricionista afirma que o prejuízo foi de aproximadamente R$ 30 mil, incluindo joias, presentes recebidos ao longo do casamento, acessórios femininos e outros objetos pessoais. Grande parte dos bens foi recuperada pela Polícia Civil, mas as joias continuam desaparecidas.
“Ela já entrou para furtar”
Raphaella acredita que a diarista já chegou à residência decidida a cometer o crime. Segundo ela, durante a faxina, Paola fazia perguntas sobre objetos da casa e demonstrava interesse pelos bens do casal.
“Ela já chegou em casa com o intuito de furtar. Eu percebi alguns comentários dela muito interessada em saber sobre as coisas”, falou.
Em determinado momento, a diarista chegou a oferecer um curso de organização residencial que dizia ministrar. Raphaella recusou e pediu que ela apenas realizasse a limpeza.
Investigação contra Paola
Na segunda-feira (13/7), a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do advogado Cláudio Atala Inácio e da esposa, Maria Clotilde Atala. Paola Stefany foi indiciada por duplo latrocínio, crime de roubo seguido de morte.
Segundo a investigação, ela entrou no apartamento dos idosos já com a intenção de roubar. A corporação afirma que a suspeita tinha um histórico de utilizar medicamentos com efeito sedativo para incapacitar vítimas antes de subtrair objetos de valor. No caso do casal, além do roubo, os idosos foram mortos com diversos golpes de faca.
Durante a investigação, outras vítimas procuraram o Depatri relatando terem sido dopadas após contratar a diarista. De acordo com a Polícia Civil, foram identificados quatro outros crimes praticados com o mesmo modo de agir.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que decidirá se oferece denúncia contra Paola e os demais indiciados à Justiça.









