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Os dois candidatos que continuam na disputa pelo Governo do Distrito Federal (GDF) trocaram a intensa agenda nas ruas por mais momentos de reunião política nos três primeiros dias após o primeiro turno. Enquanto se preparam para a volta da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, a partir de sexta-feira (12/10), o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) Ibaneis Rocha (MDB) e o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) têm priorizado articulações não só com partidos, mas também com entidades ligadas a variados setores públicos e privados, e até mesmo com pessoas influentes.

Nesta quinta (11), os buritizáveis voltam às ruas: Rollemberg fará caminhada na Feira Permanente de Sobradinho; Ibaneis programou caminhada no Setor Comercial Sul. Mas as negociações de bastidores seguem a todo vapor.

Nessa quarta-feira (10), Rollemberg anunciou neutralidade em relação à disputa nacional. Ele não fará palanque nem para Jair Bolsonaro (PSL) nem para Fernando Haddad (PT). Também se reuniu com policiais militares filiados ao Partido Trabalhista Cristão (PTC), que concorreram às eleições e não se elegeram.

O governador prometeu, se reeleito, encaminhar um plano de carreira que garanta promoção tanto para a Polícia Militar quanto para o Corpo de Bombeiros, independentemente de vagas.

“O soldado chegará ao topo da carreira em 15 anos. Quero ainda garantir que o Hospital da Polícia Militar seja gerido da mesma forma que o Instituto Hospital de Base, além da paridade de vencimento entre ativos e inativos”, disse Rollemberg.

Além dessas promessas, o candidato à reeleição ao Palácio do Buriti passou o dia em articulações nos bastidores. A coligação Brasília de Mãos Limpas busca apoio de representantes da sociedade civil, líderes comunitários e associações, entre outras entidades. O foco, por enquanto, não é em partidos, segundo o vice na chapa, Eduardo Brandão (PV). Até agora, Rollemberg reuniu apoios de PDT, Rede e PCdoB, além do PV.

Ibaneis também se movimentou nessa quarta (10). Entraram para o rol de apoiadores do advogado PMB, PHS e PPS, além de parlamentares do PRB – legenda que reúne líderes das igrejas Universal do Reino de Deus e Sara Nossa Terra. Na terça-feira (9), já tinham embarcado no projeto do emedebista PSDB, PSD e DC.

A situação do PRB, contudo, ainda não está 100% fechada. Embora os deputados distritais eleitos Rodrigo Delmasso e Martins Machado, e o representante da sigla na Câmara dos Deputados a partir de 2019, Julio Cesar, tenham declarado apoio a Ibaneis, a direção do partido promete bater o martelo somente nesta quinta (11). A aplicação integral do documento com diretrizes programáticas, entregue nessa quarta-feira (10), é a condição colocada pela legenda para entrar na campanha do advogado.

Outras siglas ainda calculam qual é a melhor posição a esta altura da disputa. Conforme anunciou o presidente do PR no Distrito Federal, Salvador Bispo, a decisão será tomada na próxima semana, após retorno dos parlamentares eleitos pelo partido que estão viajando: Flávia Arruda, a qual chegou à Câmara dos Deputados; e Agaciel Maia, reeleito para a Câmara Legislativa (CLDF).

De olho nos servidores
A adesão do PHS foi consolidada na noite dessa quarta (10/10), após Ibaneis se comprometer com demandas da Polícia Militar – a categoria elegeu um representante do partido na CLDF, Hermeto. “O Hermeto pediu atenção e cuidado com a PM. Uma preocupação que não é só minha nem dele, mas de toda a população”, disse Ibaneis.

O emedebista também se reuniu com entidades representativas da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e com os deputados distritais eleitos Claudio Abrantes (PDT) e Reginaldo Sardinha (Avante), na terça (9). Na pauta, a situação da segurança pública do DF e o sucateamento da PCDF. Porém, a definição de um possível apoio de servidores da corporação ficou para a próxima segunda-feira (15), às 15h, em uma assembleia geral extraordinária conjunta para tratar sobre o segundo turno.

O advogado comemorou as adesões e afirmou que espera novos embarques. “Estamos muito felizes por reunir um time do bem, vamos continuar conversando com quem quer o melhor para Brasília”, afirmou. Um dos partidos sondados pelo emedebista é o Podemos.

Corrida presidencial
Na terça-feira (9), o deputado federal licenciado Rogério Rosso (PSD) declarou que está ao lado de Ibaneis nesta etapa da corrida pelo Palácio do Buriti. O pessedista vai articular, junto ao presidenciável pelo PSL, Jair Bolsonaro, possível convergência com Ibaneis. Nessa quarta (10), Bolsonaro gravou vídeo agradecendo a Rosso, que teve 169.875 votos no último domingo (7).

“E, obviamente, peço mais: vamos juntos mergulhar no segundo turno para que possamos ter alguém perfeitamente afinado com os interesses do nosso Distrito Federal. Rosso, aquele abraço. Estamos juntos”, disse o candidato do PSL à Presidência da República.

Enquanto Ibaneis sinaliza simpatia com Jair Bolsonaro, Rodrigo Rollemberg usou essa quarta-feira (10) para anunciar neutralidade do apoio nacional. Ele não fará palanque para Bolsonaro nem para Fernando Haddad (PT).

PT
A presidente do PT local, Erika Kokay, afirmou que a legenda não deve apoiar nenhum candidato ao GDF. “Não temos uma posição formal, mas existe uma possibilidade concreta de que o PT aqui no DF não venha a apoiar nenhuma das candidaturas apresentadas”, disse.

De acordo com a deputada federal reeleita, o diretório regional do PT-DF ainda aguarda o posicionamento da Executiva nacional para decidir o caminho que a sigla irá seguir.

“É claro que a posição dos candidatos a governador no DF acerca da eleição presidencial é um componente importante na avaliação do PT para decidir quem iremos apoiar no segundo turno”, assinalou a parlamentar.

Neutralidade
Após ficarem pelo caminho no primeiro turno, os concorrentes ao Palácio do Buriti derrotados começaram a declarar suas preferências – ou a falta delas. Nessa quarta (10), o empresário Alexandre Guerra (Novo) e a ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (Pros) optaram por não firmar apoio com Ibaneis nem com Rollemberg.

Posição semelhante é adotada pelo general Paulo Chagas (PRP) e pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM).