De viaduto a casas: veja cenas de ameaças e desmoronamentos no DF

Além do viaduto sobre a Galeria dos Estados, imóveis colapsaram e Defesa Civil precisou interditar residências e até parte da Rodoviária

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 10/12/2019 18:28

Para o Corpo de Bombeiros, o rompimento de uma tubulação provocou a abertura da cratera que engoliu carros na 709/909 Sul. Pelo mesmo motivo, outras duas edificações colapsaram no DF na semana passada.

Construída em cima da rede pública de esgoto, uma casa na Chácara 91 do Sol Nascente foi engolida, no último sábado (07/12/2019), por uma erosão provocada pela ruptura da tubulação. A Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) realizava obra de revitalização do emissário de esgoto no momento do acidente. Da casa onde morava uma família com quatro pessoas há 9 anos restaram apenas um banheiro e um quarto.

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Em 5 de dezembro, uma casa na Rua 19 de Vicente Pires passou pelo mesmo problema. O imóvel veio abaixo depois que a tubulação de águas pluviais se rompeu com a força da chuva. A casa ficou destruída: as paredes cederam e houve destelhamento. Apesar dos estragos, ninguém ficou ferido. Os sete ocupantes da residência foram retirados. Os bombeiros trabalharam com quatro viaturas e 18 militares.

A residência, feita de alvenaria, tinha quatro cômodos. Devido à gravidade dos danos, técnicos da Defesa Civil chegaram ao local para fazer a avaliação da estrutura e definir se era necessário isolar o perímetro, a fim de garantir a segurança dos lotes vizinhos.

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CBMDF/Divulgação
Uma casa caiu em Vicente Pires depois que a tubulação de águas pluviais se rompeu com a força da chuva

 

Desabamento ainda sem explicação

Na manhã desta terça (10/12/2019), parte da laje de uma casa desabou na QNR 5, em Ceilândia, após o telhado do segundo piso da residência ceder. A edificação tem três andares. Ninguém se feriu. A Defesa Civil foi acionada para avaliar a estrutura da casa. A causa do desabamento ainda é desconhecida. O proprietário da residência não estava no imóvel no momento do incidente.

O imóvel ao lado foi atingido por pedaços de construção que caíram sobre a cama dos vizinhos. No momento do desabamento, apenas uma pessoa estava em casa. Ela havia acabado de acordar e se assustou com o barulho, mas não se feriu.

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Rodoviária: risco de desabamento iminente

Em junho deste ano, o governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou o fechamento da plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto para evitar o desabamento da estrutura. Conforme registrado pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, laudos técnicos detectaram fissuras irreversíveis. “O risco de desabamento iminente não nos deixa alternativa. Vamos fazer todo o esforço para que os transtornos sejam os menores possíveis e a reabertura ocorra rapidamente”, afirmou Ibaneis ao portal.

Segundo nota técnica da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), ao longo dos últimos meses, “diversas manifestações patológicas” foram identificadas na estrutura da rodoviária, sendo que algumas fissuras apresentaram crescimento acentuado recentemente.

“Algumas foram classificadas como críticas e verificou-se que as fissuras estruturais são as de maior relevância e podem trazer maior risco à segurança estrutural da Rodoviária, inclusive com risco de colapso estrutural/desabamento, exigindo ações imediatas”, diz trecho do documento.

Na cobertura da laje da plataforma inferior, foram verificados: “rompimento de cabos de protensão de longarinas por corrosão, movimentação anormal com abertura de frestas em vigas de encabeçamento do caixão perdido da plataforma superior, problemas de infiltração, problemas com estrutura do reservatório de incêndio, corrosão nos guarda-corpos dos viadutos, fissuras de vigas e lajes”, entre outros problemas.

A companhia ressalta ainda que o fluxo acima de 700 mil pessoas por dia dificulta qualquer tipo de ação preventiva ou corretiva sem causar transtornos à operação do terminal. “Hoje, a Rodoviária já se encontra em obras, com contrato de recuperação e revitalização sob responsabilidade da empresa Concrepoxi e fiscalização da Novacap”, acrescenta.

Veja trechos do laudo sobre a Rodoviária: 

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Defesa Civil interditou 93 prédios

O risco de prédios desabarem levou a Defesa Civil a notificar, entre janeiro e outubro deste ano, 695 imóveis por apresentarem riscos aos ocupantes. Desse total, 93 prédios acabaram interditados e 14 construções desabaram.

Lideravam o número de casos com queda de estrutura: Águas Claras e Sobradinho II, com três registros; Planaltina e São Sebastião, com dois casos cada; Gama, Taguatinga, Lago Sul e Vicente Pires, uma ocorrência cada.  Nenhum dos desabamentos registrados até então resultou em morte.

Ainda conforme a Defesa Civil, quase 6 mil famílias de 19 regiões administrativas do Distrito Federal estão em locais considerados com grande ameaça de sofrerem desabamentos, deslizamentos e até mesmo inundações. Leia matéria completa sobre as áreas de risco.

Viaduto no coração de Brasília colapsou

Em fevereiro de 2018, a capital federal registrou um dos casos mais chocantes de desabamento de uma estrutura, quando o viaduto sobre a Galeria dos Estados, no Eixão Sul, colapsou. No dia do desabamento, o próprio governador do Distrito Federal à época, Rodrigo Rollemberg (PSB), admitiu que a estrutura não tinha passado por manutenção. Logo depois, demitiu o então diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Henrique Luduvice.

Desde então, foram abertas investigações no Tribunal de Contas do DF, Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e Câmara Legislativa para apontar as responsabilidades pelo desabamento. A estrutura foi reconstruída e liberada, parcialmente, ao tráfego de veículos.

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Garagem na 210 Norte desabou

Em fevereiro de 2018, câmeras do sistema de monitoramento e segurança do Bloco C da 210 Norte registraram o momento do desabamento do piso sobre a garagem. Pelo menos 25 carros foram esmagados e destruídos na manhã de (4/2). O desmoronamento assustou os moradores, que desceram desesperados com medo de o prédio cair. Após vistoria no local, a Defesa Civil verificou que apesar da gravidade da situação, as estruturas não foram atingidas e as pessoas liberadas a retornarem a seus apartamentos.

O fornecimento de gás foi suspenso e a energia cortada, já que havia muita gasolina espalhada pela garagem em função do esmagamento dos carros. Como muitos canos se quebraram, o prédio ficou sem água. Depois de uma contagem dos moradores, foi confirmado pelos bombeiros que não estava faltando ninguém. Porém, mesmo assim, cães farejadores percorreram a garagem em busca de vítimas.

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Em 2017, um homem de 55 anos morreu após ser atingido por escombros de prédio que vistoriava, em Vicente Pires. A construção estava irregular, de acordo com os órgãos fiscalizadores.

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