Áreas que podem alagar ou ter desabamento abrigam 6 mil famílias

Levantamento obtido pelo Metrópoles revela que, de 2016 até hoje, o número cresceu 20% e preocupa a Defesa Civil. Chuva agrava a situação

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 06/12/2019 11:41

Quase 6 mil famílias de 19 regiões administrativas do Distrito Federal estão em locais considerados com grande ameaça de sofrerem desabamentos, deslizamentos e até mesmo inundações. É o que aponta o mais recente relatório da Defesa Civil com levantamento das chamadas áreas de risco, ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade.

De acordo com o documento, de 2016 até hoje, houve um aumento de aproximadamente 20% de moradias ameaçadas, especialmente durante o período de chuvas. Essas unidades passaram de 4.762 para 5.702. No ano passado, eram 5.367 residências nessa situação.

São consideradas como de risco áreas com as seguintes características: proximidade a córregos e outros cursos de água; ausência ou precariedade de sistemas de drenagem de águas pluviais; falta de saneamento básico; fragilidades nas construções; localização de residências em lugares com declives acentuados; invasões ou ocupações em áreas de proteção ambiental; acúmulo de resíduos sólidos (entulhos e restos de obras) em locais inadequados, entre outras.

CBMDF/Divulgação
Uma casa caiu em Vicente Pires depois que a tubulação de águas pluviais se rompeu com a força da chuva, em 5 de dezembro

Endereços mais ameaçados

No total, há pelo menos 41 setores monitorados pelo órgão responsável por minimizar os impactos de possíveis desastres ambientais e sociais. O mapeamento compreende 25% de todo o DF. Os setores estão enquadrados nos índices de risco alto e muito alto: além de deslizamento e inundação, há ainda registros de casas construídas em região de assoreamento e de possíveis erosões.

A Estrutural – mais especificamente a região do Setor de Chácaras Santa Luzia – é a que apresenta o maior número de residências em locais considerados inadequados pela Defesa Civil: 1.320 mil casas estão em condições precárias. Na sequência, São Sebastião também está em estado de alerta, visto que mais de 600 famílias encontram-se em locais ameaçados.

De acordo com o órgão, há preocupações ainda com Vicente Pires e Arniqueira, local onde há mais de 30 erosões. Sol Nascente, Pôr do Sol, Fercal e Vila Rabelo, em Planaltina, estão em situação de emergência. Conforme o levantamento, as regiões com mais endereços ameaçados são Arniqueira e Fercal. Há, respectivamente, 25 e oito locais com alerta considerado como grave nessas regiões.

“A redução dos riscos instalados é um processo complexo que demanda o planejamento de políticas públicas integrados à gestão de risco, de forma a incorporar transversalmente nas ações da gestão pública estratégias que visam prevenção, mitigação, preparação, resposta e reconstrução dos potenciais desastres”, indica o relatório. A Defesa Civil trabalha na atualização do mapeamento. Será refeito todo o trabalho do último estudo, divulgado em 2015.

Situação piora com chuva

Com a chegada da chuva, os dados serão fundamentais para ajudar a evitar a ocorrência de graves incidentes. Ainda mais quando a Defesa Civil e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgam alertas de temporais, como ocorreu nessa quinta-feira (05/12/2019).

Os dois órgãos informaram que, até as 15h desta sexta-feira (06/12/2019), as cidades do DF serão atingidas por ventos fortes, que podem atingir velocidade máxima de 100km/h, o suficiente para destelhar casas (foto em destaque) ou até mesmo derrubar construções precárias.

Veja fotos dos estragos causados por temporais no DF: 

 

A Subsecretaria do Sistema de Defesa Civil mapeou 5.702 residências em situação de risco em dezenove regiões administrativas do Distrito Federal. O intuito do levantamento realizado visa mitigar os riscos, as ameaças e as vulnerabilidades quanto à incidência de desastres. A relação dos fatores, ameaças e vulnerabilidades é um forte condicionante à ocorrência de desastres, considerando a suscetibilidade a fenômenos naturais aumentado pelos riscos agravados pelas ocupações irregulares das áreas mapeadas

Trecho do relatório da Defesa Civil

Moradores orientados a deixar locais

A partir do levantamento, os moradores passam a ser notificados (foto abaixo) para deixarem o local e ficarem em segurança.

O Governo do Distrito Federal (GDF) disponibiliza programa para acolher a população ameaçada por situações de emergência e calamidade pública.

Reprodução / Defesa Civil
Durante levantamento, Defesa Civil notificava os moradores sobre risco em localidades do DF

 

A Defesa Civil também tem um caminhão a postos no caso de ocorrência de desastres naturais. Há colchões, cobertores, remédios e cestas básicas para emergências. A instituição conta com a parceria da Secretaria de Desenvolvimento Social para realizar o atendimento às comunidades afetadas.

Procurada, a Defesa Civil, vinculada à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), informou apenas “que o levantamento de áreas de risco de 2019 está em fase de consolidação e será divulgado nos próximos dias”.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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