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Um viaduto no Eixo Sul desabou nesta terça-feira (6/2), na altura da Galeria dos Estados. Dezenas de carros tiveram de retornar no meio da via, que acabou interditada, após duas faixas do asfalto cederam. A estrutura caiu sobre quatro carros e um restaurante. Segundo o Corpo de Bombeiros, não há feridos. Cães farejadores percorreram a região em busca de vítimas. Há o risco de uma outra laje cair e, por isso, toda a área está isolada para que seja feito escoramento.

A estrutura despencou por volta das 11h50. Imediatamente, fotos e vídeos inundaram as redes sociais. As pessoas não acreditavam no que viam: o asfalto desmoronando em plena área central de Brasília. “Parecia coisa de filme”, disse o bancário Jonatas Almeida, 43 anos, que costuma passar pelo local todos os dias a caminho do trabalho.

José Ferreira do Nascimento, 42 anos, trabalha como lavador de carros no local há 25 anos. “Ouvi só um estrondo. Foi um susto muito grande”, relatou. “Era uma tragédia anunciada. O viaduto tinha muitas rachaduras e infiltrações. Quando os carros pesados passavam, a estrutura tremia”, contou ao Metrópoles.

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) esteve no local e admitiu que o viaduto não passou por manutenção. Ele foi vaiado. Professor de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da Infrasolo, empresa especializada em patologia de edificações, Dickran Berberian explicou que o apoio de uma viga deve ter cedido.

“Segundo a minha experiência, em casos de desabamentos, a estrutura dá um sinal, ou tremor, um barulho. O que caiu não foi uma viga, foi o apoio dela. Acredito que esse viaduto não tenha passado por vistoria, caso contrário, o governo teria detectado o problema”, disse.

De acordo com ele, “o maior inimigo de qualquer edificação é a água. Desabamentos são mais propícios a ocorrerem nessa época de chuva. Se tiver alguma infiltração, os materiais que compõem o viaduto podem ser comprometidos”.

Arte /Metrópoles

 

Arte/Metrópoles

Como era o viaduto antes do desabamento

 

Segundo o GDF, foram enviadas quatro unidades de socorro do Corpo de Bombeiros ao local, duas de suporte, duas motolâncias e um caminhão para atender múltiplas vítimas, se necessário. Os hospitais de Base (IHBDF) e o da Asa Norte também foram acionados para atender eventuais feridos.

A major Lorena Ataídes, do Corpo de Bombeiros, informou como está sendo feito o trabalho em busca de eventuais pessoas sob os escombros: “Fizemos todos os procedimentos para tentar localizar vítimas, contamos com o uso de cães farejadores, tentamos contato telefônico. Até o momento, é uma possibilidade descartada. Isolamos o local com uma distância de 20 metros para todos os lados. Vai permanecer assim até que os engenheiros analisem o risco de mais desabamentos”

A Polícia Militar informou que está no local mantendo a segurança da área com cerca de 30 policiais, incluindo os especialistas em trânsito e motociclistas. O Eixão Sul está todo fechado desde o Buraco do Tatu Norte, assim como as tesourinhas do Setor Bancário. Os Eixos L e W estão com o tráfego fluindo normalmente.

Veja as fotos do local:

 

 

O diretor do Departamento de Estradas e Rodagem do DF (DER-DF), Henrique Luduvice, afirmou que o órgão atuará em força-tarefa junto com a Novacap e a Secretaria de Infraestrutura para recuperar a área. “Primeiramente, no escoramento do viaduto e análise da estrutura, para que possamos oferecer à população a solução mais adequada e mais correta, sob o ponto de vista da intervenção necessária neste viaduto”, disse.

Ainda de acordo com o gestor, será feito um desvio no trânsito para garantir os deslocamentos no centro do Plano Piloto. No entanto, admitiu que o tráfego deve ficar mais complicado pela ausência do viaduto.

A titular da 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), Marilda dos Reis, disse que irá solicitar informações à administração do Plano Piloto para verificar se algum diagnóstico próprio previa a queda de parte do viaduto. Somente depois, o órgão deve se manifestar sobre o assunto.

Veja um vídeo do local:

 

Tragédia anunciada
A deterioração das estruturas já foi alvo de relatório elaborado pelo Sindicato de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco). Nove viadutos do Distrito Federal avaliados pela entidade entre os anos de 2009 e 2011 apresentaram problemas,além das pontes do Bragueto, das Garças e a JK. Foram detectadas desde infiltrações e ferros expostos até descolamento do concreto e fendas abertas.

Após ficar oito anos sem manutenção, a Ponte JK recebeu a atenção do GDF em 2011, quando uma das peças de apoio da estrutura teria se desgastado. Com isso, a pista oscilava com a passagem dos veículos, abrindo uma fissura que ultrapassou 4 centímetros de largura.

Reforçada duas vezes, a Ponte do Bragueto é outra estrutura que pede socorro. É possível ver trincas na laje inferior e ondulações na parte superior.

O acidente desta terça (6) ocorreu dois dias depois do desabamento da laje de uma garagem na 210 Norte. No domingo (4), o piso da laje despencou sobre 23 carros.

 

 

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