Bando levou R$ 1 milhão com explosões de caixas eletrônicos no DF

Um dos principais integrantes da quadrilha foi preso em Valparaíso (GO), no Entorno do DF. Ele produzia as bombas para os criminosos

Reprodução/Vídeo

atualizado 18/12/2019 13:43

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, na manhã desta quarta-feira (18/12/2019), Jaisson Alves de Jesus, 27 anos. O homem faz parte de uma quadrilha especializada na explosão de caixas eletrônicos no DF e Entorno. Somente em cinco ocorrências, registradas em 2018 e 2019 – entre elas, o assalto ao anexo do Palácio do Buriti –, o bando teria levado ao menos R$ 1 milhão.

Segundo o delegado da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) Fernando Cocito, Jaisson é serralheiro e montava os explosivos, além de ajudar a fazer reféns nas ações da quadrilha. “Esse grupo vinha realizando ataques há algum tempo. Os explosivos eram artesanais, montados em casa”, afirmou o policial.

De acordo com o delegado, apenas em um ataque, no Hotel Royal Tulip, os bandidos levaram cerca de R$ 470 mil. “Acredito que os roubos em dinheiro passaram de R$ 1 milhão. Isso sem contar os danos estruturais aos locais atacados”, ressaltou.

Jailsson estava foragido desde maio deste ano, quando cinco pessoas foram presas na Operação Hefesto e dois suspeitos conseguiram fugir. A Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) monitorava o caso há cerca de seis meses. A PCDF encontrou o serralheiro em um hotel de Valparaíso (GO), no Entorno do DF. Ele estava com a esposa.

Além de no Anexo do Palácio do Buriti e no Hotel Golden Tulip, o grupo explodiu caixas eletrônicos no Shopping Pier 21, no Centro Comercial Gilberto Salomão e na Associação dos Servidores do Senado Federal (Assefe). Ao todo, 10 integrantes do bando foram identificados – cinco deles já presos. Um está foragido.

Jaisson é apontado como figura de destaque na quadrilha. Com habilidades em marcenaria, o suspeito produzia os próprios explosivos usados pelos criminosos. A quadrilha comprava rojões em lojas de fogos de artifício para retirar a pólvora.

Em seguida, Jaisson produzia recipientes de um material chamado metalon, espécie de tubo metálico galvanizado. Os explosivos eram moldados artesanalmente e utilizados nos ataques.

 

PCDF/Divulgação

A organização criminosa agia na madrugada, fortemente armada e amparada por dois veículos. Um dos carros sempre era incendiado após a ação, e os bandidos fugiam no outro automóvel, apelidado de “segundinha”.

Memória
O primeiro crime foi cometido pelo bando em 24 de julho de 2018, no Anexo do Palácio do Buriti. A explosão ocorreu por volta de 3h40. Os equipamentos estavam instalados na área do restaurante dos servidores. De acordo com a Polícia Militar, os suspeitos estavam fortemente armados e fugiram em um Palio branco. Durante a ação, os bandidos efetuaram de dois a quatro disparos.

Viaturas da PM e um helicóptero da Polícia Civil realizaram buscas e, minutos depois, um veículo foi achado pegando fogo nas proximidades do Estádio Nacional Mané Garrincha e do Colégio Militar de Brasília.

Após verificação, os policiais confirmaram que se tratava do automóvel envolvido no crime. No local da explosão, foram encontradas cápsulas de munição 5,56 mm. Cerca de R$ 6 mil ficaram espalhados pelo chão.

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Veja vídeo do momento em que os dispositivos explodem no Anexo do Buriti:

 

O segundo ataque foi no Shopping Pier 21, em 22 de outubro de 2018. Novamente portando armas de calibre restrito, e até mesmo fuzil, os criminosos explodiram dois caixas eletrônicos. O grupo amarrou os vigilantes que faziam a segurança do centro comercial. Durante a fuga, trocaram tiros com policiais. Um dos carros utilizados foi abandonado no acesso que vai da L4 Sul para a L2 Sul.

O grupo disparou pelo menos oito vezes contra os militares, que revidaram. Cinco bandidos vestidos com balaclavas – para tapar os rostos – chegaram em um Mitsubishi Pajero, e um deles permaneceu no veículo. Enquanto isso, os outros quatro entraram por trás do shopping e montaram os explosivos.

De acordo com a PMDF, um dos ladrões se feriu na explosão. Quando um comparsa foi socorrê-lo, um dos seguranças conseguiu escapar. Durante a fuga, o grupo lançou objetos pontiagudos de metal na pista, com objetivo de furar os pneus das viaturas policiais e, assim, dificultar a perseguição.

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Em 13 de dezembro do ano passado, a quadrilha explodiu dois caixas eletrônicos em um supermercado que funciona no Centro Comercial Gilberto Salomão, no Lago Sul. De acordo com a PM, os caixas ficaram completamente destruídos.

O bando teria usado um carro branco na fuga, que foi abandonado na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), na altura da floricultura próxima à Octogonal. No local, os bandidos renderam um motorista e levaram seu veículo.

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Veja a ação da quadrilha:

 

A investida mais recente dos criminosos foi no hotel de luxo Golden Tulip Brasília Alvorada, situado no SHTN, em 28 de março deste ano. Quatro bandidos explodiram três caixas eletrônicos. Os assaltantes estavam fortemente armados e renderam os funcionários do estabelecimento, conhecido por hospedar empresários, artistas e autoridades que visitam a capital do país.

De acordo com as imagens de câmeras de segurança, enquanto um criminoso armado rendia um dos empregados, outros dois comparsas forçaram, com uma farra de ferro, a abertura dos equipamentos, que ficam ao lado das escadas que dão acesso ao restaurante do hotel. Só é possível entrar no local após passar pela guarita.

Os homens colocaram explosivos na área e detonaram os artefatos. Toda a ação durou cerca de dois minutos. Um dos carros usados na fuga dos bandidos foi encontrado pela polícia na Asa Norte.

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