
Mirelle PinheiroColunas

Falsa Las Vegas: operação revela luxo extremo de operadores do PCC. Veja vídeo
A Justiça autorizou cinco prisões preventivas, 22 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de mais de R$ 5,2 bilhões em bens e ativos
atualizado
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A Operação Falsa Las Vegas mostrou não apenas um sofisticado esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), mas também o alto padrão de vida ostentado pelos investigados apontados como operadores financeiros da facção.
Durante a ação deflagrada nesta quinta-feira (28/5), investigadores da Polícia Civil de São Paulo apreenderam um helicóptero registrado em nome de Eduardo Moreno Lopes, conhecido como “Tio”, apontado pelas investigações como integrante da cúpula financeira do esquema.
Eduardo atuaria como operador financeiro profissional responsável por coordenar o fluxo ilícito de dinheiro da organização criminosa. O nome dele aparece em organogramas da investigação como integrante da “cúpula estratégica” da estrutura criminosa.
A investigação aponta que o grupo funcionava como uma espécie de braço financeiro terceirizado do PCC e de outros criminosos, oferecendo estruturas prontas para lavagem de dinheiro por meio de plataformas clandestinas de apostas, fintechs, empresas de fachada e contas bancárias pulverizadas.
Segundo os investigadores, o dinheiro circulava por diferentes empresas e plataformas digitais até ser reinserido na economia formal.
O helicóptero apreendido nesta quinta não foi o único bem de luxo encontrado nas investigações. Em dezembro de 2025, durante a Operação Falso Mercúrio, que deu origem à Falsa Las Vegas, a Polícia Civil apreendeu uma embarcação Azimut 560 avaliada em R$ 15 milhões, além de outro barco de R$ 4 milhões, carros de luxo e outros bens milionários ligados ao esquema.
As investigações apontam que os veículos e embarcações eram utilizados tanto para ocultação patrimonial quanto para integração do dinheiro lavado ao patrimônio formal dos investigados.
Documentos apreendidos pela polícia indicam que a organização utilizava plataformas de apostas como a “Black Vegas” para exploração clandestina de jogos como “Tigrinho” e “Jogo do Bicho”. A plataforma operava hospedada fora do Brasil e recebia pagamentos principalmente via PIX.
Outra plataforma investigada, chamada “Aposte Fácil”, funcionava com aparência de legalidade ao utilizar referências à Loterj e sistemas formais de pagamento, segundo a investigação.
A sede da empresa ASX Participações e Tecnologia, segundo o Ministério Público, funcionava como centro operacional da estrutura criminosa. No local, investigadores apreenderam registros financeiros, cadernos manuscritos, documentos ligados às plataformas de apostas e materiais relacionados à movimentação de dinheiro em grande escala.
A polícia afirma ter identificado uma engrenagem sofisticada de conversão de dinheiro em espécie em depósitos bancários fracionados, utilizando contas de passagem, fintechs e empresas registradas em nome de laranjas.
As investigações também apontam o uso de pessoas sem qualquer atividade empresarial real como proprietárias formais das empresas usadas no esquema.
Em um dos depoimentos, um homem registrado como dono de uma empresa afirmou que apenas emprestou documentos pessoais em troca de pagamentos mensais, enquanto terceiros controlavam toda a movimentação financeira da companhia.
Segundo o Ministério Público, o grupo mantinha vínculos investigados com integrantes do PCC, incluindo pessoas associadas ao caso do assassinato de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach.
Nesta fase da operação, a Justiça autorizou cinco prisões preventivas, 22 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de mais de R$ 5,2 bilhões em bens e ativos financeiros. Ao todo, 76 imóveis também foram sequestrados pelas autoridades.













