
Mirelle PinheiroColunas

Quem são os chefes do esquema que lavou bilhões do PCC em cassino
Integrantes da cúpula estratégica e do núcleo operacional do esquema tinham funções preestabelecidas dentro da rede criminosa
atualizado
Compartilhar notícia

A coluna apurou que os líderes do esquema bilionário de exploração ilegal de apostas e lavagem de dinheiro, que teria movimentado bilhões para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), alvo de operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil nesta quinta-feira (28/5), são Sandro Calliari, Eduardo Lopes, Carlos Rodrigues Kamalakian, Cristiano Kamalakian e Varlei da Silva. Carlos e Sandro foram presos.
Integrantes da cúpula estratégica e do núcleo operacional do esquema, eles tinham funções preestabelecidas dentro da rede criminosa coordenada pelo grupo.
Os chefões
Sandro Calliari é sócio das empresas ASX Participações e Tecnologia, Aposte Fácil e Black Vegas. Segundo as investigações, ele é responsável pelo comando estratégico do núcleo de lavagem de dinheiro e possui registros anteriores relacionados à exploração de jogos de azar.
Eduardo Moreno Lopes, conhecido como “Tio”, é apontado como operador financeiro profissional e classificado como gerente do fluxo ilícito do esquema. A polícia rastreou uma negociação de aporte em espécie no valor de R$ 1,5 milhão. Juntos, Sandro e Eduardo integram a cúpula do esquema.
Já Carlos Rodrigues Kamalakian é apontado como provedor de numerário em espécie. Em uma das movimentações monitoradas pelos investigadores, ele teria desviado R$ 50 mil de uma operação no valor de R$ 1 milhão.
Cristiano Kamalakian é apontado como líder do Grupo IRKA. Segundo as investigações, ele era responsável por validar transferências de alto valor para a rede de empresas de fachada.
Já Varlei Ramos da Silva é apontado como o principal executor de pagamentos do esquema.
De acordo com a Polícia Civil, o Grupo IRKA possui vínculos investigados e comprovados com integrantes do PCC.
Operação Falsa Las Vegas
O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram, nesta quinta-feira (28/5), a Operação Falsa Las Vegas contra o esquema bilionário.
A ação é um desdobramento da Operação Falso Mercúrio e mira empresários, operadores financeiros, empresas de fachada e plataformas de apostas suspeitas de movimentar recursos do crime organizado.
As investigações apontam que a plataforma “Aposte Fácil” operava com aparência de legalidade ao utilizar referências à Loterj e sistemas de pagamento formalizados.
Paralelamente, o grupo mantinha a plataforma clandestina “Black Vegas”, hospedada fora do país, usada para oferta de jogos ilegais como “Tigrinho” e “Jogo do Bicho”.
A investigação também identificou sofisticada engrenagem de lavagem de dinheiro baseada em empresas de fachada, contas bancárias pulverizadas e uso de “laranjas”. Segundo a polícia, alguns laranjas recebiam pagamentos mensais apenas para emprestar documentos pessoais para abertura de empresas e contas bancárias.
Nesta fase da operação, a Justiça autorizou cinco prisões preventivas, 22 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e ativos financeiros que ultrapassam R$ 5,2 bilhões. Ao todo, 76 imóveis foram sequestrados pelas autoridades.













