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É o bicho!

Doença renal crônica é uma das maiores ameaças à saúde dos gatos

Por esconderem sinais de dor, gatos só manifestam sintomas quando a lesão renal está avançada

26/06/2026 02:00
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Gato laranja na mesa do veterinário

A doença renal crônica (DRC) é uma das enfermidades mais frequentes e perigosas na rotina clínica dos gatos. Biologicamente, os felinos têm baixa necessidade de beber água, o que sobrecarrega o sistema urinário ao longo dos anos. Essa característica, somada a uma predisposição genética para a formação de cálculos e obstruções, torna os rins desses animais especialmente vulneráveis.

O grande perigo reside no comportamento natural dos bichanos, que tendem a ocultar sinais de dor e desconforto, fazendo com que a patologia se desenvolva de forma silenciosa.

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Atenção aos sinais

Quando o tutor consegue notar os primeiros sintomas visíveis em casa, como apatia, perda de peso e isolamento, o quadro clínico já se encontra em estágio bastante avançado.

Por isso, de acordo com a veterinária Manuela Paula, professora da UDF, o diagnóstico precoce é um divisor de águas.

“Quando o diagnóstico de doença renal em gatos é realizado em estágio avançado, a sobrevida do paciente é significativamente menor e tratamentos complexos se tornam obrigatórios”, explica a profissional. 

Alerta

Uma anestesia mal monitorada, mesmo em procedimentos simples, como a castração, pode causar danos renais graves a longo prazo.

Isso acontece porque alguns anestésicos exigem uma boa circulação sanguínea nos rins. Se a pressão do animal cair durante a cirurgia sem que o problema seja identificado a tempo, o órgão pode sofrer lesões que só se manifestarão no futuro.

Medidas preventivas

Para identificar o problema antes mesmo de o animal apresentar sintomas, medidas preventivas são indispensáveis e devem fazer parte de um protocolo regular de check-up. Entre os exames, a análise de urina é uma das mais importantes, pois permite avaliar a saúde do sistema urinário do pet e ajuda a prevenir complicações mais graves.

O monitoramento também inclui exames de sangue que avaliam o funcionamento dos rins, além de testes capazes de identificar alterações precoces, antes mesmo do surgimento de sintomas.

Para confirmar o diagnóstico, o veterinário realiza um ultrassom abdominal para avaliar o tamanho dos rins e verificar a presença de cicatrizes ou endurecimentos na região.

Gato no colo do tutor
Gatos costumam esconder sinais de dor. Alterações no apetite ou isolamento podem indicar que a doença renal crônica está em estágio avançado

Estimular a hidratação é essencial

Embora os gatos disfarcem o mal-estar, o tutor pode notar alterações físicas e comportamentais importantes. Quando os rins não conseguem filtrar as impurezas do organismo, o acúmulo dessas toxinas costuma provocar vômitos, diarreia e falta de apetite

Na caixinha de areia, comportamentos extremos acendem o alerta: o animal pode simplesmente parar de urinar, devido a uma obstrução ou falha renal, ou passar a urinar em grandes volumes, inclusive fora da caixa, por causa do desconforto.

Para prevenir o desgaste precoce dos rins, estimular a hidratação frequente deve começar ainda na fase de filhote. O fornecimento de alimentos úmidos, como sachês, também é essencial para aumentar a ingestão de água na dieta.

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Vale ressaltar que muitos felinos detestam que seus bigodes encostem nas bordas dos potes. A recomendação é espalhar vasilhas de boca larga pela casa e investir em fontes de água corrente para atraí-los.

Se o animal preferir beber água direto da torneira, o tutor deve instalar um filtro para garantir que o líquido seja de qualidade.

O que fazer após um diagnóstico? 

Uma vez que os gatos recebem o diagnóstico da doença, a notícia não deve ser encarada como uma “sentença de morte”. Terapias modernas e o uso de rações renais terapêuticas restritas em fósforo e proteína podem devolver qualidade de vida ao felino.

Para os tutores que enfrentam dificuldades financeiras para arcar com o custo do tratamento, Manuela Paula orienta buscar apoio de redes de solidariedade, como protetores e veterinários, que podem intermediar a doação de rações terapêuticas e medicamentos.

Garantir uma vida saudável ao gatinho também exige combater fatores secundários, como a obesidade, que predispõe ao diabetes e, consequentemente, à falência renal. Além disso, adaptar a casa por meio da verticalização e da “gatificação” do ambiente reduz os estressores e estimula os exercícios físicos. 

Por fim, o manejo adequado das caixas de areia, distribuídas em quantidade suficiente e mantidas sempre limpas em locais estratégicos, evita que o animal retenha a urina por longos períodos. Assim, é possível proteger o sistema urinário do bichano contra infecções e outros problemas de saúde.