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Como os gatos se comunicam? Entenda sinais e o que significam
Veterinária explica como felinos usam o corpo, o cheiro e o som para se expressar e como os tutores podem aprender a “ouvir” os gatos
atualizado
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Embora convivam com humanos há milênios, os gatos continuam sendo um mistério para muita gente. De acordo com a veterinária Giovana Mazzotti, especializada em felinos, parte dessa confusão acontece porque a forma natural de comunicação dos gatos é muito diferente da nossa.
“Seres humanos são verbais e visuais. Já os gatos se comunicam principalmente por cheiros e sons, e com sinais corporais que, para nós, podem passar despercebidos”, explica.
Urinar fora da caixa pode ser comunicação, não desobediência
Segundo a expert, um erro comum é achar que o gato está “se vingando” ao urinar ou defecar fora da caixinha sanitária. Na verdade, isso pode ser um comportamento de marcação de território ou até um sinal de problema de saúde, inclusive emocional.
“Gatos ansiosos ou com medo podem apresentar esse tipo de comportamento. E, nesses casos, a punição só piora. A urina fora do lugar pode ser a maneira dele dizer que algo não vai bem”, alerta a veterinária.
Outros comportamentos típicos da comunicação felina incluem esfregar o corpo nos móveis, arranhar superfícies ou objetos específicos. “Pode parecer ofensivo para o tutor, mas são formas do gato deixar seu cheiro, dizer ‘isso aqui é meu’, sem que a gente perceba.”

Perfume demais pode atrapalhar o gato
Por serem extremamente sensíveis ao olfato, os gatos precisam identificar o próprio cheiro no ambiente para se sentirem seguros, “Quando o tutor limpa demais com produtos perfumados, especialmente onde o gato costuma se esfregar, ele apaga essas referências”, explica Giovana.
A dica da especialista é simples: “Use apenas um pano úmido nos locais de marcação, sem detergente. Assim, você mantém a higiene sem apagar o território do gato.”
Miar é aprendizado com os humanos
Ao contrário do que muitos pensam, os gatos não miam para se comunicar entre si. O miado é uma linguagem adaptada à convivência com humanos. “Na natureza, o repertório vocal do gato é mínimo. Mas eles aprendem a miar com a gente porque percebem que funciona”, esclarece Giovana. “Quando o tutor responde ao miado, o gato entende que é assim que se consegue o que quer. É uma comunicação construída entre ele e o tutor.”
Com o tempo, cada família desenvolve um vocabulário único entre humano e felino. “Só quem entende aquele miado específico é o gato e seu tutor”, diz a veterinária.
Posturas corporais dizem muito
Além dos cheiro e do som, os gatos também se comunicam por meio da linguagem corporal. E aí, o desafio é o tutor saber observar.
“Orelhas, bigodes, cauda, cabeça: tudo isso expressa o que o gato está sentindo”, afirma Giovana. “Por exemplo, um bigode projetado para frente, ou uma orelha virada de lado, podem dizer muito mais do que a gente imagina.”
Para entender os sinais, é preciso treino e atenção. “Os gatos se entendem facilmente entre si. Cabe ao humano aprender a ‘ler’ esses sinas com o tempo”, conclui a especialista.








