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É o bicho!

Proteger o ouvido de pets no banho evita otite, surdez e infecções

Umidade no ouvido e falta de prevenção favorecem bactérias oportunistas que podem causar infecções graves, abscessos e meningite

23/06/2026 07:22
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cachorro de porte pequeno sendo avaliado

A falta de proteção adequada nas orelhas de cães e gatos durante o banho, somada à ausência de check-ups regulares, é a principal causa do desenvolvimento de infecções como otites bacterianas e fúngicas nos pets.

O médico-veterinário Pedro Risolia faz um alerta sobre como a umidade acumulada cria o ambiente perfeito para a proliferação de microrganismos oportunistas, destacando que uma inflamação que começa de forma simples na parte externa do ouvido pode evoluir silenciosamente para quadros neurológicos graves, colocando em risco a vida do animal..

Embora a coceira e o incômodo sejam os sinais mais evidentes de problemas auriculares, o perigo real envolve enfermidades que podem avançar sem sintomas visíveis. O sucesso do tratamento depende de um diagnóstico precoce feito por meio de exames de análise citológica e de uma rotina de higiene correta em casa, sem exageros que retirem a proteção natural do conduto auditivo do animal.

Beagle

Animais com anatomias específicas exigem atenção redobrada dos tutores no dia a dia. Raças com orelhas caídas, como cocker spaniel, beagle, golden retriever e basset hound, são mais suscetíveis, pois o formato abafa o conduto auditivo e facilita a proliferação de fungos e bactérias, explica Pedro. Ele pontua que consultas periódicas de check-up permitem identificar ácaros e inflamações antes que se tornem crises graves

O perigo silencioso e o rastro da infecção no sistema nervoso

O ouvido dos animais domésticos possui um ecossistema delicado que lidera as estatísticas de problemas de saúde nas clínicas brasileiras. Dados do PetCenso Saúde da Petlove, levantamento com mais de 1 milhão de pets, revelam um volume expressivo de exames complexos na área. A análise citológica otológica, capaz de detectar bactérias, fungos, parasitas ou inflamações, lidera o ranking de exames complexos em cães e ocupa a sexta posição entre os gatos.

Essa alta incidência nas clínicas tem relação direta com falhas simples de manejo em casa. “Otites bacterianas são ocasionadas por bactérias oportunistas na cavidade auricular, que encontram um ambiente propício para proliferação, decorrentes, normalmente, pelo acúmulo de umidade, podendo ou não estar associado a um algum problema crônico ou falta de prevenção adequada”, esclarece o veterinário.

O grande desafio clínico é que os ácaros e inflamações começam a agir antes mesmo de causarem incômodo visível. “Alguns problemas, como a sarna otodécica, podem ser completamente assintomáticos, evoluindo de forma silenciosa. Por isso, o diagnóstico precoce é o que realmente faz a diferença”, adverte Pedro. 

Quando as infecções avançam sem tratamento, ela deixa de ser uma inflamação superficial. O acúmulo de microrganismos perfura as barreiras auriculares, atinge o ouvido interno e passa a ameaçar diretamente o sistema nervoso, podendo causar perda definitiva de audição, abscessos no sistema nervoso e até meningite.

cachorro de porte médio no colo de tutor
Cuidado e prevenção: visitas regulares ao veterinário e proteção correta nos banhos evitam que problemas simples e infecções evoluam para quadros graves.

Sinais de alerta em casa e o protocolo de higiene

Para identificar o problema antes que ele avance para o cérebro, o tutor precisa monitorar a rotina do animal. Os indicativos clássicos de que há algo errado incluem vermelhidão na pele interna da orelha, excesso de produção de cera, o ato frequente de chacoalhar a cabeça ou esfregá-la contra móveis, além de uma coceira persistente. Outro fator crucial de identificação é o cheiro: infecções causadas por fungos costumam exalar um cheiro adocicado característico. 

Atenção: proteger o conduto com algodão impermeável antes de molhar o pet bloqueia a entrada de água, que é o principal gatilho para a proliferação de bactérias oportunistas no ouvido.

A remoção exagerada da cera elimina os mecanismos de defesa do próprio corpo do animal. De acordo com o veterinário, a higienização deve ser cautelosa, realizada a cada 15 dias ou apenas quando houver sujeira visível. Essa limpeza moderada, combinada ao uso do algodão impermeável nos banhos e visitas periódicas ao veterinário para a realização de exames preventivos, forma os três pilares essenciais para garantir a saúde auditiva dos cães e gatos.