Gatos respirando de boca aberta no inverno pode indicar doença grave
Uso inadequado de aquecedores e falta de água favorecem o avanço de doenças respiratórias silenciosas que afetam os gatos nos meses frios

A chegada do inverno acende um alerta para tutores de gatos sobre o avanço de doenças, infecções respiratórias e virais que se manifestam de forma discreta. Diferente do que muitos acreditam, manter os animais totalmente dentro de casa não elimina os riscos, já que vírus e bactérias podem ser transportados por roupas, sapatos e objetos.
A respiração com a boca aberta é considerada um dos sinais mais alarmantes, pois pode indicar insuficiência respiratória grave.
Sintomas e fatores de risco
A baixa temperatura favorece o aparecimento de quadros como a rinotraqueíte e a calicivirose, além de agravar o desconforto de raças de focinho achatado e comprometer severamente animais diagnosticados com FIV ou FeLV.
Como os felinos costumam esconder os sinais de mal-estar, o tutor precisa monitorar atentamente pequenas mudanças de comportamento na rotina. Sintomas como espirros recorrentes, secreção no nariz, olhos lacrimejando e apatia excessiva indicam que o animal precisa de suporte.
O manejo inadequado de aquecedores também surge como um fator de risco invisível dentro de casa. Eles ressecam o ar, geram irritações nas vias aéreas dos gatinhos e também aumentam as chances de queimaduras físicas e desidratação.
Por isso, a veterinária Vanessa Barreto ressalta que o período exige cuidados específicos.
“Durante o inverno, observamos um aumento de casos de doenças respiratórias, especialmente em animais mais jovens, idosos ou com a imunidade comprometida. Como os gatos costumam esconder sinais de desconforto, muitas vezes os tutores demoram a perceber que algo não vai bem”.

Avanço das viroses e perigo para raças de focinho achatado
O inverno altera a dinâmica de proliferação de patógenos no ambiente dos felinos, impulsionando vírus como o herpesvírus felino (causador da rinotraqueíte) e a calicivirose, além de infecções bacterianas secundárias.
O perigo das doenças respiratórias é potencializado em espaços com maior concentração de animais, onde a disseminação se torna mais rápida. Gatos que já convivem com patologias crônicas, como a FIV (imunodeficiência felina) e a FeLV (leucemia felina), têm suas defesas naturais reduzidas, tornando-se alvos fáceis para complicações pulmonares severas.
A anatomia do animal também dita o nível de vulnerabilidade ao frio. Raças que possuem o focinho achatado enfrentam uma dificuldade respiratória mecânica natural devido ao formato de suas vias aéreas.
Com a chegada do inverno, o ar frio e seco intensifica esse desconforto físico, exigindo monitoramento redobrado para evitar crises agudas de falta de ar.
Truque do sachê e protocolo de vacinação
A prevenção contra as doenças da estação passa obrigatoriamente pelo estímulo à hidratação, já que os gatos reduzem naturalmente a ingestão de água nos dias frios. Essa queda no consumo de líquidos prejudica o organismo e abre portas para problemas urinários.
Para combater a desidratação, os tutores devem adotar o uso de alimentos úmidos (sachês) na rotina alimentar e disponibilizar bebedouros pela casa, respeitando a preferência dos felinos por água em movimento.
Manter os ambientes limpos e ventilados, oferecer locais aquecidos para o descanso e não negligenciar as vacinas são os pilares para vencer as doenças sazonais.
A imunização continua sendo a barreira mais eficiente contra o complexo respiratório felino, mas ela não deve ser feita de forma genérica. Vanessa reforça que não existe um protocolo único para todos os gatos.
“Cada animal possui um estilo de vida, histórico clínico e nível de exposição diferentes. Por isso, o acompanhamento veterinário é fundamental para definir quais vacinas e cuidados são mais adequados para cada caso”, afirma a profissional.
Consultas preventivas cumprem o papel de identificar essas alterações antes que virem uma crise, garantindo o bem-estar do felino até o fim do inverno.




