EUA diz que domínio sobre as Américas “nunca mais será questionado”
Vídeo publicado pelo Departamento de Estado cita doutrina Monroe e reforça "prioridade" dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (11/8), um vídeo sobre a Doutrina Monroe — estratégia do país para “dominar” todo o continente americano — e afirmou que a “dominância norte-americana” no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”.
Com mais de cinco minutos, o vídeo recupera a origem da Doutrina Monroe, apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823. Na época, a política estabelecia oposição à tentativa de potências europeias de recolonizar ou ampliar sua influência sobre países das Américas.
The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. 🇺🇸
American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again. pic.twitter.com/hsoGS17gqV
— Department of State (@StateDept) August 11, 2026
Ao recontar a trajetória da doutrina, o Departamento de Estado destaca episódios em que ela foi utilizada como justificativa para a atuação dos Estados Unidos no continente. Entre os exemplos citados estão a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e a política do governo Ronald Reagan contra grupos de esquerda apoiados pela União Soviética na América Latina.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa parte dedicada ao atual governo, a publicação cita a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro durante a Operação Absolute Resolve, realizada em janeiro deste ano. A operação foi conduzida por forças americanas e resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A publicação ocorre em meio ao aumento das tensões de Washington com países da região e um dia após a China pedir para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Nova versão da Doutrina Monroe
- A Doutrina Monroe foi formulada em 1823, quando os Estados Unidos ainda eram uma potência em ascensão.
- O princípio original estabelecia que os países europeus não deveriam promover novas colonizações ou intervenções políticas no continente americano.
- Em 1904, o presidente Theodore Roosevelt apresentou o chamado Corolário Roosevelt, segundo o qual os Estados Unidos poderiam intervir nos países latino-americanos em determinadas situações consideradas ameaças à estabilidade regional.
- A nova política de Trump recupera parte dessa lógica, mas a adapta às disputas geopolíticas atuais.
- A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos afirma que Washington deve impedir que potências de fora do Hemisfério Ocidental estabeleçam presença ou controlem ativos considerados estratégicos na região.
- Em junho, uma autoridade do Departamento de Estado afirmou ao Congresso que o governo Trump havia colocado o Hemisfério Ocidental novamente no centro da política externa americana e repetiu que a predominância dos Estados Unidos na região não seria questionada.
- A estratégia também está associada ao combate ao tráfico de drogas, à imigração irregular e à atuação de organizações criminosas transnacionais.
Disputa com a China e tensão com o Brasil
A publicação do Departamento de Estado ocorre em um momento de crescente competição entre Washington e Pequim pela influência econômica e estratégica na América Latina.
A China pediu para participar das consultas iniciadas pelo Brasil na OMC contra as tarifas americanas. A iniciativa ocorre no âmbito da disputa comercial envolvendo as medidas adotadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros.
A atuação chinesa acrescenta uma dimensão geopolítica à disputa comercial. Pequim é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e, ao ingressar nas consultas, demonstra interesse direto nos efeitos das medidas americanas sobre o comércio internacional.
A relação entre Washington e Brasília também atravessa um período de tensão. O governo Trump tem adotado medidas comerciais e diplomáticas contra o Brasil, enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva critica o que considera uma tentativa de interferência dos Estados Unidos em assuntos internos brasileiros.



