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Mundo

EUA diz que domínio sobre as Américas “nunca mais será questionado”

Vídeo publicado pelo Departamento de Estado cita doutrina Monroe e reforça "prioridade" dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental

11/08/2026 17:38, atualizado 11/08/2026 18:18
Kevin Dietsch/Getty Images
Imagem colorida, Donald Trump - Metrópoles

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (11/8), um vídeo sobre a Doutrina Monroe — estratégia do país para “dominar” todo o continente americano —  e afirmou que a “dominância norte-americana” no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”.

Com mais de cinco minutos, o vídeo recupera a origem da Doutrina Monroe, apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823. Na época, a política estabelecia oposição à tentativa de potências europeias de recolonizar ou ampliar sua influência sobre países das Américas.

Ao recontar a trajetória da doutrina, o Departamento de Estado destaca episódios em que ela foi utilizada como justificativa para a atuação dos Estados Unidos no continente. Entre os exemplos citados estão a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e a política do governo Ronald Reagan contra grupos de esquerda apoiados pela União Soviética na América Latina.

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Na parte dedicada ao atual governo, a publicação cita a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro durante a Operação Absolute Resolve, realizada em janeiro deste ano. A operação foi conduzida por forças americanas e resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A publicação ocorre em meio ao aumento das tensões de Washington com países da região e um dia após a China pedir para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos.


Nova versão da Doutrina Monroe


Disputa com a China e tensão com o Brasil

A publicação do Departamento de Estado ocorre em um momento de crescente competição entre Washington e Pequim pela influência econômica e estratégica na América Latina.

A China pediu para participar das consultas iniciadas pelo Brasil na OMC contra as tarifas americanas. A iniciativa ocorre no âmbito da disputa comercial envolvendo as medidas adotadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros.

O Brasil abriu formalmente o processo de consultas na OMC para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa etapa é o primeiro estágio do mecanismo de solução de controvérsias da organização e busca permitir que os países tentem chegar a um entendimento antes de uma eventual abertura de painel.

A atuação chinesa acrescenta uma dimensão geopolítica à disputa comercial. Pequim é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e, ao ingressar nas consultas, demonstra interesse direto nos efeitos das medidas americanas sobre o comércio internacional.

A relação entre Washington e Brasília também atravessa um período de tensão. O governo Trump tem adotado medidas comerciais e diplomáticas contra o Brasil, enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva critica o que considera uma tentativa de interferência dos Estados Unidos em assuntos internos brasileiros.