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Claudia Meireles

Brasil lidera ranking da ansiedade; veja 5 hábitos preventivos

O Brasil concentra a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)

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Homem prestando apoio emocional para mulher chorando- Metrópoles

O Brasil concentra a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 18,6 milhões de brasileiros convive com o problema. Em escala global, a entidade estima ainda que a depressão e ansiedade são responsáveis por fazer com que os indivíduos percam aproximadamente 12 bilhões de dias úteis por ano — um impacto que ultrapassa a saúde mental e afeta a qualidade de vida, os relacionamentos e a produtividade.

Buscando entender como os brasileiros podem agir na prevenção da doença, a coluna Claudia Meireles ouviu a psicóloga clínica Vanessa Bulcão. Segundo ela, embora a ansiedade faça parte da resposta natural do organismo diante de situações de perigo ou desafio, ela deixa de cumprir essa função quando o estado de alerta se torna frequente, intenso ou desproporcional.

Apesar dos fatores genéticos e experiências de vida também influenciarem o quadro, a rotina diária exerce um papel importante na forma como o cérebro responde ao estresse. “Analisando os dados da OMS, é urgente que as pessoas se atentem aos hábitos diários, especialmente, aqueles que ajudam a regular as emoções e favorecem o funcionamento do sistema nervoso“, frisa Vanessa Bulcão.

Mulher com ansiedade - Metrópoles
Quando vivemos além dos nossos limites, normalmente, também estamos em estado de ansiedade

Cinco hábitos que ajudam a prevenir a ansiedade

Para Vanessa Bulcão, coordenadora da Unidade de Psicologia do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), em Portugal, a prevenção contra a ansiedade é um assunto que deve ser levado em consideração por todas as pessoas, antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.

“O cérebro responde ao ambiente em que vivemos diariamente. Quando cultivamos hábitos que favorecem o descanso, o equilíbrio emocional e o autocuidado, aumentamos nossa capacidade de lidar com situações estressantes sem que elas evoluam para um quadro de sofrimento psicológico”, avalia a psicóloga.

Imagem mostra mulher de pijama deitada na cama à noite, com uma mão na cabeça - Metrópoles - dormir sono
Fatores como a privação de sono podem aumentar o risco de crises

Nesse contexto, ela chama a atenção para cinco hábitos que ajudam a prevenir a ansiedade e devem ser incluídos na rotina quase que de forma “obrigatória”. A primeira delas é garantir uma boa noite de sono.

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O sono 

“O sono é um dos principais reguladores da saúde mental. Dormir bem permite que o cérebro organize memórias, regule emoções e reduza a ativação dos sistemas relacionados ao estresse. Quando o descanso é insuficiente ou de baixa qualidade, a tendência é que a irritabilidade, a preocupação excessiva e a ansiedade aumentem”, alerta a especialista.

Reduza os estímulos digitais 

“Era da dopamina” é um termo que ajuda a entender as mudanças em exponencial dos tempos atuais. De acordo com a psicóloga, a busca por prazer rápido por meio de redes sociais e excessos de estímulos tem um impacto real na resposta de fuga ou luta, o mecanismo natural de sobrevivência. 

Vanessa esclarece que a exposição constante a notificações e informações aceleradas mantém o cérebro em estado contínuo de alerta. “Criar momentos do dia longe das telas ajuda a diminuir a sobrecarga mental e favorece períodos de maior tranquilidade e concentração”, orienta.

foco endorfina
A hiperconexão gera inquietações diárias

Priorize momentos de lazer 

Em uma sociedade cada vez mais workaholic, saber a hora de parar e relaxar se faz essencial para evitar o sentimento de aperto no peito. A especialista reforça que reservar um tempo para atividades prazerosas, hobbies e para o convívio com familiares e amigos é uma solução importante para fortalecer o bem-estar emocional.

“Essas experiências ajudam a reduzir o estresse acumulado e funcionam como um fator de proteção para a saúde mental. O cérebro precisa de pausas. Vivemos em uma cultura que valoriza a produtividade constante, mas momentos de lazer, descanso e convivência não representam perda de tempo. Eles são fundamentais para manter o equilíbrio psicológico”, garante Vanessa Bulcão.

Foto colorida de mulher lendo um livro - Metrópoles
Ler regularmente pode reduzir o estresse e ajudar a desacelerar a mente no dia a dia

 Atenção plena 

Além das práticas de exercícios físicos, a psicóloga também orienta os leitores a criarem uma rotina de práticas que os ajudam a se autorregular. Para Vanessa, técnicas como meditação, respiração consciente e mindfulness auxiliam na redução da tensão emocional ao estimular o foco no momento presente.

“Com a prática regular, essas estratégias contribuem para diminuir pensamentos acelerados e melhorar o controle das emoções”, frisa.

Imagem colorida de pessoa meditando em cima de tapete rosa em lugar verde - Metrópoles
Meditar pode reduzir nível de ansiedade e controla a percepção da dor no organismo

Rotina organizada 

Para evitar aquela sensação de que “não vou dar conta”, Vanessa é enfática: uma rotina estruturada oferece maior sensação de controle e segurança ao cérebro. “Ter horários relativamente estáveis para dormir, trabalhar, se alimentar e descansar reduz a sensação de imprevisibilidade, um dos fatores que costuma alimentar a ansiedade”, destaca.

Homem estressado e frustrado com dispositivos eletrônicos no escritório. Metrópoles
Mantenha uma rotina organizada

Não hesite em procurar ajuda

Apesar das técnicas e hábitos para prevenir os sintomas, Vanessa esclarece que nem toda a ansiedade pode ser evitada. Quando as sensações começam a interferir em pilares da vida como no trabalho, nos estudos, relacionamentos e qualidade de vida, é fundamental buscar acompanhamento psicológico.

“A ansiedade não deve ser encarada como um sinal de fraqueza, mas como um indicativo de que o organismo está sobrecarregado. Quanto mais cedo a pessoa identifica os sinais e adota estratégias de cuidado, maiores são as chances de preservar sua saúde mental e qualidade de vida”, conclui Vanessa Bulcão.

Primeiro plano das mãos de uma paciente adolescente durante a terapia. Conceito de reabilitação. Metrópoles
É fundamental buscar acompanhamento psicológico

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