Ariana Grande: é possível diagnosticar transtorno pela aparência?
O debate sobre a magreza de Ariana Grande ganhou as redes sociais com acusações que vão desde transtornos alimentares a culto à magreza

A cantora Ariana Grande voltou ao centro das polêmicas após o lançamento do clipe de Petal, faixa que dá nome ao seu novo álbum. Na produção, a artista aparece visivelmente mais magra, o que desencadeou uma onda de comentários nas redes sociais, com especulações que vão desde culto à magreza até a possibilidade de um transtorno alimentar.
Diante da repercussão, um representante da cantora afirmou à revista People que devido a esse “escrutínio público incessante e contínuo”, Ariana fará uma pausa nas aparições públicas após o encerramento da turnê Eternal Sunshine, em 1º de setembro de 2026.
Ouvida pela coluna Claudia Meireles, a médica gastroenterologista Maria Júlia Colossi alerta que, apesar da perda de peso da cantora acontecer em um momento em que a magreza acentuada voltou a ganhar espaço em Hollywood , é preciso cautela antes de qualquer conclusão e, principalmente, de diagnósticos como os feitos em relação a Ariana.
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“Não é possível diagnosticar uma anorexia ou transtornos semelhantes somente por fotos ou mudanças na aparência. A anorexia corresponde a um transtorno alimentar: trata-se de um diagnóstico clínico e psiquiátrico, que exige avaliação estruturada de comportamento, pensamento e estado físico, não apenas peso ou aparência”, alerta.
De acordo com a médica, para o diagnóstico de doenças como essa, existem critérios definidos internacionalmente que se pautam em três elementos essenciais: restrição persistente da ingestão calórica, causando perda de peso importante; medo intenso de ganhar peso (frequentemente negado pelo próprio paciente e que precisa ser inferido do comportamento); e perturbação na forma como o peso ou a forma corporal são vivenciados.
“A perda de peso não intencional tem causas amplas e variadas, e a maioria não é primariamente psiquiátrica”, destaca.
Impactos dos comentários públicos sobre Ariana Grande
Vanessa Bulcão, psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia e terapia cognitivo-comportamental, destaca ainda o perigo psicológico de rotular alguém dessa forma, no que pode ser definido como body shaming.
“Utilizar expressões como ‘está anoréxica’ para descrever alguém muito magro transforma um diagnóstico psiquiátrico sério em uma característica estética. A anorexia nervosa não é sinônimo de magreza. É uma condição complexa, marcada por alterações na relação com a alimentação, com o peso, com a imagem corporal e, frequentemente, por medo intenso de ganhar peso e comportamentos persistentes de restrição”, destaca a psicóloga.

Além disso, ela ressalta que tanto elogios quanto críticas ao emagrecimento podem contribuir para o agravamento de um quadro de adoecimento, caso ele exista.
“Muitas vezes não sabemos se uma mudança corporal está relacionada com doença física, sofrimento emocional, uso de medicamentos, luto, stress, alterações hormonais ou um transtorno alimentar. Esse tipo de rotulação também pode aumentar o estigma, provocar vergonha e reforçar comportamentos alimentares prejudiciais”, destaca.
Por isso, ela defende que é possível demonstrar preocupação diante de um possível problema de saúde, comportamental ou abuso de medicamentos sem que isso se transforme em invasão de privacidade ou julgamentos a Ariana Grande.
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