Ariana Grande e o perigoso retorno do heroin chic
Afastamento da cantora dos holofotes acende alerta para a volta de uma estética dos anos 1990 que transforma a magreza extrema em padrão

O anúncio de que Ariana Grande fará uma pausa na carreira para se proteger do constante escrutínio sobre seu corpo não é um caso isolado: é o sintoma de uma indústria em retrocesso. À medida que o heroin chic ressurge com força nas passarelas e nos tapetes vermelhos — impulsionado pelo uso desenfreado de medicamentos para emagrecimento —, a magreza extrema volta a ser consumida como padrão, reacendendo um perigoso alerta na cultura pop.
Vem entender!

Caso Ariana Grande
O discurso sobre a aparência de Ariana Grande está longe de ser inédito. Desde que foi escalada para interpretar a bruxa Glinda na adaptação do musical Wicked, as mudanças em seu físico tornaram-se pauta constante na mídia e nas redes sociais. A aparente e contínua perda de peso da artista passou a levantar questionamentos entre os fãs sobre seu estado de saúde.

A intensidade dos comentários levou a cantora a se manifestar publicamente, esclarecendo que as fotos antigas — usadas em comparações com seu corpo atual — retratavam, na verdade, a sua “versão mais doente”. Contudo, a perda de peso ainda mais acentuada nos anos seguintes fez com que as especulações ganhassem força e tom de urgência.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Ela está doente, não está em seu perfeito juízo. Precisa de ajuda e precisa ser impedida de causar danos a outras garotas com o exemplo que está dando neste momento. Qualquer pessoa que incentive ou promova isso é má. Ponto-final”, opinou uma usuária nas redes.
O debate atingiu um novo ápice com o lançamento do clipe de Petal, faixa-título de seu álbum mais recente. No vídeo, Ariana interpreta Pepper, uma jovem aspirante a artista que enfrenta sucessivas rejeições da indústria do entretenimento. Em uma das cenas, ela surge em um figurino todo preto — composto por blusa e calça —, cujo decote evidencia ombros, clavículas e colo. O visual gerou duras críticas da atriz e ativista Jameela Jamil:
“Essa pobre mulher possivelmente está morrendo diante dos nossos olhos”, escreveu Jamil. “Esse look foi pensado para acentuar sua magreza e gerar repercussão. Sua equipe é irresponsável por não orientá-la a se afastar dessa imagem profundamente prejudicial, que é apresentada de forma glamourizada para os fãs jovens.”



Diante da nova onda de controvérsias, um representante oficial da cantora confirmou à revista People que, após o encerramento da turnê Eternal Sunshine, em 1º de setembro, Ariana fará uma pausa por tempo indeterminado na carreira. O afastamento da vida pública foi motivado pelo “escrutínio constante e interminável” sobre sua imagem.

O preocupante retorno do heroin chic
A magreza é um padrão estético que perdura no mundo da moda. Do heroin chic dos anos 1990 ao uso de medicamentos para emagrecer nos dias de hoje, o visual é associado a status, disciplina e desejabilidade.

Marcada por corpos extremamente magros, aparência pálida, olheiras profundas e um ar de fragilidade quase doentia, modelos como Kate Moss se tornaram símbolos dessa fase. Embora tenha sido amplamente criticado por promover padrões nocivos e até incentivar transtornos alimentares, a lógica por trás do heroin chic nunca desapareceu completamente.


Nos últimos anos, esse cenário ganhou um novo capítulo com os medicamentos para emagrecimento – como os agonistas de GLP-1 Ozempic e Mounjaro. Celebridades, influenciadores e até figuras da indústria da moda passaram a exibir transformações corporais rápidas, reacendendo discussões sobre padrões irreais e acessibilidade.

Em meio a este cenário, estilistas norte-americanos vêm expressando preocupações com o baixo peso das celebridades. “Agora existe um estigma em relação a ter qualquer peso”, afirmou um stylist e ex-editor da Vogue ao Page Six.

Ao mesmo veículo, outra fonte declarou que existe pressão e competição entre as artistas para que acompanhem umas às outras: “Uma atriz vê outra emagrecer, então outra emagrece ainda mais”. A dificuldade de vestir as celebridades aumenta a medida que até mesmo o sample size – amostras enviadas pelas grifes para editoriais e tapetes vermelhos – ficam grandes demais. Deve-se levar em consideração que essas peças já são tradicionalmente menores que a média da população.

























