Falta de vitamina B12 pode causar danos ao cérebro e simular demência
A vitamina B12 ajuda na proteção dos neurônios, por isso a deficiência no composto nutricional pode causar problemas neurológicos

A deficiência de vitamina B12 é comumente associada a sintomas como cansaço e fraqueza. No entanto, um efeito pouco conhecido da condição é o comprometimento do cérebro e do sistema nervoso, que pode causar danos permanentes.
Essencial para o funcionamento da cérebro, a vitamina B12 participa da proteção dos neurônios. Por isso, níveis baixos do nutriente podem provocar alterações de memória, dificuldade de concentração, perda de equilíbrio e até sintomas semelhantes aos da demência, explica o nutrólogo e intensivista Fabiano Girade, coordenador do Serviço de Nutrologia do Hospital Santa Lúcia, à coluna Claudia Meireles.
Como a vitamina B12 afeta o cérebro
Segundo o profissional, a vitamina B12 é essencial para a produção da mielina, a “capa isolante” que reveste os nervos e permite que os impulsos elétricos circulem com velocidade e precisão.
“Quando a vitamina falta, essa capa começa a se degradar. É como um fio elétrico perdendo o encapamento. Além disso, a B12 participa de reações bioquímicas fundamentais para o metabolismo dos neurônios”, explica Fabiano.

A deficiência pode causar desde formigamentos e perda de sensibilidade nas mãos e nos pés até alterações no equilíbrio, déficit de memória, lentidão de raciocínio e, em casos mais graves, degeneração combinada subaguda da medula espinhal, doença que afeta a capacidade de caminhar.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Há também associação com sintomas psiquiátricos, como irritabilidade, apatia e quadros depressivos. Em idosos, o quadro pode, inclusive, simular uma demência. Essa é uma das poucas causas de declínio cognitivo potencialmente reversíveis quando identificada a tempo.”
Quando os danos podem ser permanentes
Em alguns casos, os danos ao cérebro podem se tornar irreversíveis, mas não há um prazo específico para isso. Segundo o médico Fabiano Girade, o prognóstico depende de três fatores: há quanto tempo os sintomas estão presentes, qual é a sua intensidade e qual é a extensão do comprometimento dos nervos ou da medula espinhal.

“Quadros leves e recentes tendem a se recuperar bem com a reposição adequada. Já quadros graves ou prolongados, com perda importante de sensibilidade, dificuldade para caminhar ou comprometimento medular, apresentam maior risco de recuperação incompleta e de sequelas, mesmo após a normalização dos exames”, destaca.
Com a suplementação adequada, a melhora pode aparecer já nas primeiras semanas, mas a recuperação completa costuma levar meses e, em alguns pacientes, permanece incompleta.
“O diagnóstico precoce muda o desfecho. Sempre que possível, as amostras para investigação devem ser colhidas antes da primeira dose. Entretanto, diante de suspeita consistente associada a sintomas neurológicos, o tratamento não deve ser adiado enquanto se aguardam os resultados”, completa.
Como é feita a reposição de vitamina B12?
O tratamento da deficiência de vitamina B12 consiste em dois pilares: repor a vitamina e identificar a causa da deficiência.

“Corrigir apenas o exame, sem investigar o porquê, pode deixar sem diagnóstico uma gastrite autoimune, uma doença de má absorção ou outra condição que exija acompanhamento específico. Quanto à via, a intramuscular costuma ser preferida inicialmente quando há comprometimento neurológico relevante, anemia grave, necessidade de resposta rápida ou má absorção importante”, explica o nutrólogo Fabiano Girade.
Entretanto, o médico ressalta que a vitamina B12 não é um “turbinador do cérebro”. Ou seja, não há benefício cognitivo demonstrado com a suplementação indiscriminada em pessoas sem deficiência.
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