Neurologista alerta para hábitos que podem afetar o sistema nervoso
Rotina com pouco sono, excesso de telas e cafeína pode manter o cérebro em estado de alerta constante e favorecer ansiedade e irritabilidade
atualizado
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Dormir pouco, viver conectado o tempo todo e consumir cafeína em excesso são hábitos cada vez mais comuns na rotina moderna. Embora pareçam inofensivos, especialistas alertam que essas práticas podem desregular o sistema nervoso e afetar diretamente o equilíbrio emocional.
Segundo a psiquiatra Mariela Andraus, da clínica Integra Mente, em Brasília, o funcionamento do cérebro é fortemente influenciado pela rotina diária.
“Hoje sabemos que a saúde mental não depende apenas de fatores psicológicos ou genéticos. O modo como vivemos diariamente tem um impacto muito grande no funcionamento do cérebro”, afirma.
De acordo com a especialista, alguns hábitos cotidianos acabam mantendo o organismo em um estado constante de alerta.
Entre os principais estão dormir pouco, ter horários irregulares de sono, passar muitas horas diante de telas, consumir cafeína em excesso e manter uma rotina sedentária. Quando esses fatores se acumulam, o organismo entra em um estado de estresse prolongado e isso pode favorecer sintomas como ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação constante de sobrecarga.
Sono é um dos pilares do equilíbrio do sistema nervoso
A neurologista Stephanie Gomes de Almeida Machado, da Clínica Paciente, também em Brasília, destaca que o sono é um dos processos mais importantes para manter o sistema nervoso funcionando adequadamente. Segundo ela, no período da noite o cérebro realiza uma série de atividades essenciais.
Durante o sono ocorre uma espécie de limpeza do cérebro, por meio do sistema glinfático, que remove resíduos potencialmente neurotóxicos. Além disso, o período também é fundamental para a consolidação da memória. Quando o sono é insuficiente ou irregular, essas funções ficam prejudicadas.
A neurologista afirma, ainda, que a falta de descanso adequado também altera o funcionamento de áreas importantes. A amígdala cerebral, região ligada às respostas emocionais, se torna mais reativa, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo controle racional, perde eficiência.
Na prática, isso pode deixar a pessoa mais irritada, sensível ao estresse e com menor capacidade de lidar com frustrações.
Excesso de telas mantém o cérebro em alerta
Outro fator que pode desregular o sistema nervoso é o uso excessivo de celulares e redes sociais. Mariela explica que o cérebro humano não evoluiu para lidar com um fluxo constante de estímulos digitais como notificações, vídeos e mensagens.
Cada alerta ativa circuitos ligados à dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, criando um ciclo de busca contínua por novos estímulos. Com o tempo, isso pode gerar dificuldade de concentração e a sensação de que a mente nunca desacelera.
A neurologista Stephanie acrescenta que o problema não está apenas no volume de estímulos, mas também na forma de como eles são consumidos.
Segundo ela, o funcionamento das redes sociais estimula um comportamento conhecido como “atenção parcial contínua”.
“Nós nunca mergulhamos profundamente em nada. Ficamos em um estado de vigilância superficial constante, o que esgota a energia mental e impede o descanso real do sistema nervoso”, afirma.
Além disso, a luz azul emitida pelas telas interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono.
Cafeína em excesso pode intensificar ansiedade
A psiquiatra explica que a alimentação também tem influencia direta no equilíbrio do sistema nervoso. A cafeína, por exemplo, é um estimulante. Em pequenas quantidades, pode ajudar na atenção e no estado de alerta. Porém, o consumo exagerado pode aumentar os sintomas de ansiedade.
Palpitações, tremores, inquietação, irritabilidade e piora da qualidade do sono são alguns dos efeitos relatados.

Sinais de que o sistema nervoso pode estar sobrecarregado
O corpo costuma dar sinais quando o sistema nervoso está sob pressão. Entre os sintomas mais comuns estão dificuldade para dormir, irritabilidade frequente, ansiedade persistente, cansaço constante e problemas de concentração.
A neurologista também destaca a chamada “névoa mental”, conhecida como brain fog, caracterizada por sensação de lentidão no raciocínio e dificuldade de foco. “Muitas vezes a pessoa sente uma fadiga cognitiva que não melhora nem mesmo após uma noite de sono”, explica.
Segundo as especialistas, quando esse quadro se prolonga, pode aumentar o risco de problemas como ansiedade, depressão e burnout.
Mudanças simples podem ajudar a proteger o cérebro
Pequenas mudanças no estilo de vida podem ajudar o cérebro e melhorar o bem-estar. Entre as principais recomendações estão manter horários regulares para dormir e acordar, reduzir o uso de telas à noite e praticar atividade física regularmente.
Stephanie também destaca a importância da exposição ao sol logo pela manhã, o que ajuda a regular o ciclo circadiano, o relógio biológico do organismo.
“Outra medida importante é programar pausas sem uso de telas ao longo do dia. Momentos de descanso real ajudam o sistema nervoso a se recuperar”, orienta.
Apesar de parecerem pequenos, esses hábitos do dia a dia têm impacto direto no funcionamento cerebral. Privação de sono, excesso de estímulos digitais, sedentarismo e consumo exagerado de cafeína podem, ao longo do tempo, alterar o equilíbrio emocional e aumentar os níveis de estresse.
Por outro lado, mudanças simples na rotina, como dormir em horários regulares, reduzir o uso de telas à noite, praticar atividade física e reservar momentos de descanso ao longo do dia, já são capazes de melhorar significativamente o bem-estar mental.
Os especialistas reforçam que cuidar da saúde do cérebro não depende apenas de tratamentos médicos, mas também de escolhas cotidianas que ajudam o organismo a sair do estado permanente de alerta e recuperar o equilíbrio.
