Falta de vitamina B12 pode ser confundida com ansiedade. Veja sintomas
Médicos apontam que muitos pacientes tratam ansiedade sem sucesso antes de descobrir que sintomas eram causados por deficiência de B12
atualizado
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A deficiência de vitamina B12 pode provocar sintomas que facilmente se confundem com transtornos psiquiátricos, especialmente ansiedade. Irritabilidade, cansaço constante, palpitações, dificuldade de concentração e sensação de “mente embaçada” estão entre os sinais mais relatados por pacientes que chegam aos consultórios acreditando sofrer apenas de desgaste emocional.
Segundo o hematologista Rodolfo Kameo, que atende no Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, a deficiência da vitamina pode afetar diretamente o sistema nervoso. “A deficiência de vitamina B12 pode levar a um quadro de anemia associado a sintomas neuropsiquiátricos”, explica. O médico ressalta que os sinais variam bastante e podem incluir depressão, ansiedade, psicose, demência e até delírio.
Quando a ansiedade pode ter origem física
Na prática clínica, sintomas físicos associados ao quadro emocional costumam servir de alerta para os médicos. Formigamentos nas mãos e nos pés, tontura ao levantar, alterações de equilíbrio, cansaço extremo e falhas de memória fogem do padrão clássico dos transtornos ansiosos.
O psiquiatra Adiel Rios, que atende em São Paulo, afirma que muitos pacientes passam meses tratando ansiedade sem investigar o organismo. “O corpo grita ansiedade. A causa, porém, é nutricional”, afirma. Segundo ele, a vitamina B12 é essencial para a produção de neurotransmissores ligados ao humor e ao equilíbrio emocional, como serotonina e dopamina.
Apesar da relação entre deficiência nutricional e sintomas psiquiátricos, Kameo faz um alerta importante: “É importante ressaltar que a maioria dos casos de ansiedade não está associada à deficiência de vitamina B12”. Por isso, o diagnóstico correto depende de avaliação médica e exames laboratoriais.
Exame simples pode evitar sequelas neurológicas
A investigação costuma começar com um exame de sangue para medir os níveis séricos da vitamina B12. Em alguns casos, outros marcadores podem ser solicitados para identificar deficiência funcional, mesmo quando a vitamina aparece dentro da faixa considerada normal.
Entre os grupos de maior risco estão pessoas veganas sem suplementação, pacientes que fizeram cirurgia bariátrica, idosos, indivíduos com gastrite atrófica ou anemia perniciosa e usuários crônicos de medicamentos que reduzem a absorção da vitamina, como omeprazol e metformina.
Segundo Rios, ignorar os sinais pode trazer consequências prolongadas. “Tratar a mente sem investigar o organismo é tratar metade da pessoa”, afirma.
O hematologista alerta que a deficiência prolongada pode deixar sequelas neurológicas permanentes. “Se demorar para tratar a deficiência de B12, haverá piora progressiva da anemia e é possível que fique sequela neurológica”, diz.
Sintomas persistentes exigem investigação médica
Especialistas alertam que sintomas emocionais persistentes, especialmente quando acompanhados de sinais físicos, não devem ser tratados apenas como ansiedade sem investigação clínica. A deficiência de vitamina B12 pode evoluir lentamente e afetar o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso antes mesmo do surgimento de alterações graves no sangue.
Além do impacto emocional, a carência da vitamina também pode causar fraqueza muscular, alterações de sensibilidade, dificuldade para caminhar e perda de memória. Em muitos casos, o paciente passa anos entre consultas psiquiátricas e tratamentos para ansiedade sem descobrir a origem do problema.
O psiquiatra reforça que a medicina moderna já não separa saúde mental e saúde física. “O intestino fala com o cérebro. Os hormônios falam com o humor. As vitaminas falam com os neurônios”, afirma. Segundo ele, identificar cedo a deficiência de vitamina B12 pode evitar sequelas e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Embora nem toda ansiedade esteja ligada à deficiência de vitamina B12, especialistas reforçam que sintomas persistentes e associados a alterações físicas merecem investigação médica. O diagnóstico precoce pode evitar agravamento da anemia, danos neurológicos e anos de tratamentos que não atacam a causa real do problema.
A avaliação clínica, associada a exames laboratoriais simples, ajuda a diferenciar transtornos psiquiátricos de condições orgânicas que afetam diretamente o funcionamento do cérebro. Em um cenário de aumento dos casos de ansiedade no Brasil, médicos defendem uma abordagem mais ampla, que considere também fatores nutricionais e metabólicos antes de fechar um diagnóstico definitivo.
