Cabeça ligada: psiquiatras explicam por que a ansiedade piora à noite

Ansiedade aumenta à noite por alterações no sono, hábitos e mente acelerada. Especialistas explicam riscos e como controlar

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1 de 1 Imagem mostra mulher de pijama deitada na cama à noite, com uma mão na cabeça - Metrópoles - dormir sono - Foto: Maria Korneeva/Gettyimages

A ansiedade noturna é uma queixa cada vez mais comum nos consultórios. Muitas pessoas relatam que conseguem passar o dia relativamente bem, mas, ao deitar, a mente acelera, o corpo entra em alerta e o sono simplesmente não vem. O fenômeno tem explicação, e envolve desde alterações biológicas até hábitos do dia a dia.

Segundo o psiquiatra Bruno Pascale, que atende no Rio de Janeiro, há uma relação direta entre sono desregulado e o aumento da ansiedade nesse período. “Quando dormimos mal, o cortisol noturno aumenta e isso interfere na arquitetura do sono, favorecendo a ansiedade principalmente no início ou no fim da noite”, afirma.

Durante a noite, o corpo deveria entrar em estado de repouso, com redução da atividade cerebral e equilíbrio hormonal. Mas isso nem sempre acontece. Alterações no chamado ritmo circadiano, o “relógio biológico”, podem desorganizar esse processo.

O psiquiatra Adiel Rios, que atende em São Paulo, explica que a exposição à luz artificial e o uso de telas à noite confundem o cérebro. “Quando você usa o celular à noite, o cérebro entende que ainda é dia, atrasando a melatonina e mantendo o organismo em estado de alerta”, diz.

Esse desajuste faz com que o corpo permaneça ativado justamente no momento em que deveria desacelerar, favorecendo o surgimento da ansiedade noturna.

Quando a mente ganha espaço

Além dos fatores biológicos, há um componente psicológico importante. Durante o dia, distrações como trabalho, estudos e interações sociais ocupam a mente. À noite, esse “silêncio” mental abre espaço para preocupações acumuladas.

A psicóloga Daisy Cangussú, que atende em São Paulo, explica que esse processo é comum. “À noite, há menos estímulos externos, e a mente passa a processar preocupações acumuladas, o que aumenta a ativação emocional e dificulta o sono”, afirma.

Esse ciclo pode se intensificar rapidamente: quanto mais a pessoa percebe que não está conseguindo dormir, maior fica a ansiedade, criando um efeito de retroalimentação.

O ciclo que piora a ansiedade

A privação de sono não é apenas consequência, mas também causa do problema. Dormir mal altera o funcionamento do cérebro, aumentando a resposta ao estresse e reduzindo a capacidade de controle emocional.

Pascale alerta que esse processo pode virar um ciclo difícil de quebrar. “A falta de sono intensifica a ansiedade, aumenta sintomas como taquicardia e tensão e leva a um ciclo vicioso que compromete o rendimento e a qualidade de vida”, explica.

Além disso, hábitos comuns, como consumo de cafeína à noite, uso excessivo de telas e procrastinação, contribuem para manter o cérebro em estado de alerta.

Quando é hora de buscar ajuda

A ansiedade noturna pontual pode ser normal, especialmente em momentos de estresse. O problema começa quando ela se torna frequente, intensa e passa a afetar o dia seguinte.

Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade constante para dormir, sintomas físicos como coração acelerado e impacto no desempenho profissional ou acadêmico. Nesses casos, o tratamento pode envolver mudanças de hábitos, psicoterapia e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico.

Entender a ansiedade noturna é o primeiro passo para controlá-la. Mais do que um incômodo passageiro, ela pode ser um sinal de que o corpo e a mente estão fora de equilíbrio — ignorar isso tende a piorar o problema.

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