Claudia Meireles

Coração disparado: médico diferencia ansiedade de arritmia cardíaca

O especialista explica como identificar sinais de ansiedade e diferenciar arritmias ao sentir o coração acelerado

atualizado

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Ilustração colorida de coração - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de coração - Metrópoles - Foto: magicmine/Getty Images

Coração disparado, falta de ar e aperto no peito são sintomas comuns que, à primeira vista, podem ser facilmente atribuídos à ansiedade. Entretanto, em alguns casos, esses sinais podem esconder alterações no ritmo cardíaco relacionados à arritmia e atrasar o diagnóstico do quadro.

Rafael Vilanova, cardiologista do Complexo Hospitalar de Niterói, explica que diferenciar ansiedade e arritmia cardíaca nem sempre é simples. Em ambos os casos, a pessoa pode sentir o coração acelerado, bem como sensação de desconforto no peito e falta de ar.

Por conta das semelhanças, o diagnóstico médico é feito pelo padrão do episódio: na ansiedade, costuma haver um gatilho emocional e os sintomas cessam quando a situação se resolve. Na arritmia cardíaca, o início e o fim tendem a ser mais abruptos, sem motivo aparente.

“Às vezes, o paciente acorda no meio da noite com o coração disparado, sem nenhum fator desencadeante. Outros pacientes descrevem uma espécie de ‘virada’ no peito, que é bastante sugestiva de taquicardia paroxística”, elucida o médico.
Saiba os sinais de uma crise de ansiedade - ansiedade de domingo
A taquicardia é um sintoma semelhante ao da arritmia cardíaca e merece investigação

As crises de ansiedade ativam o sistema nervoso simpático, que libera adrenalina, acelera o coração e pode desencadear batimentos extras ou episódios de taquicardia em pessoas com alguma predisposição.

“O que torna o manejo mais desafiador é que isso frequentemente vira um ciclo: o paciente sente o coração bater diferente, fica mais ansioso, e o órgão responde a isso”, analisa o cardiologista.

Quais sintomas indicam que o coração acelerado merece investigação médica

De acordo com o cardiologista, qualquer episódio que assuste o paciente justifica uma consulta. Entretanto, sinais aumentam a urgência: tontura ou desmaio durante o episódio, dor no peito associada, falta de ar desproporcional ao esforço e episódios que se repetem com frequência, mesmo que pareçam leves.

“É importante saber sobre o histórico familiar. Morte súbita em parente jovem, sem causa explicada, pode indicar predisposição hereditária a arritmias graves”, destaca Rafael.
Ilustração colorida de esqueleto com coração e vasos sanguíneos em evidência - Metrópoles
O cardiologista explica que “o órgão nem sempre dá sinais de que não está bem”

Pacientes com doença cardíaca prévia, como insuficiência cardíaca, infarto, valvopatia e que desenvolvem palpitações novas, também precisam de avaliação urgente, pois o risco é diferente.

“Outro cenário que merece atenção especial são os jovens com episódios durante o exercício físico, podendo representar condições associadas à morte súbita em atletas. Nesses casos, a investigação deve vir antes do retorno à atividade intensa”, finaliza o médico.

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