Solidão pode elevar risco de doenças cardíacas, aponta estudo

Pesquisa mostra que solidão, mais do que o isolamento social, esteve ligado a maior incidência de doença cardíaca

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1 de 1 Foto em preto e branco de mulher abraçada em um travesseiro, sentada na cama em frente à janela - Metrópoles. - Foto: Freepik

Sentir-se sozinho pode ter impacto direto na saúde do coração. Um estudo publicado nessa quarta-feira (15/4) no Journal of the American Heart Association mostrou que a solidão esteve associada a maior risco de desenvolver doença valvar cardíaca degenerativa — condição em que as válvulas do coração passam a funcionar de forma inadequada ao longo do tempo.

O efeito da solidão foi observado mesmo após considerar fatores genéticos e outras condições de saúde. A pesquisa analisou dados de 462.917 adultos do UK Biobank, com idade mediana de 58 anos e sem doença valvar no início do acompanhamento. Os participantes foram acompanhados por cerca de 13 anos e 9 meses, e os diagnósticos foram identificados por registros médicos.

Solidão pesa mais que isolamento

Os pesquisadores avaliaram separadamente solidão e isolamento social. A solidão foi medida por perguntas sobre sentir-se sozinho e ter alguém de confiança. Já o isolamento social levou em conta fatores objetivos, como morar sozinho e ter pouco contato com outras pessoas.

Conforme mostrou o resultado, a solidão esteve associada ao aumento do risco de doença valvar cardíaca. A percepção subjetiva de desconexão pareceu ter mais peso do que a quantidade de interações sociais.

Durante o seguimento, mais de 11 mil pessoas desenvolveram doença valvar degenerativa. Entre os principais diagnósticos, foram registrados casos de estenose aórtica e regurgitação mitral.

Na comparação entre os grupos, participantes com maior nível de solidão apresentaram risco 19% maior de desenvolver a doença. Quando analisados os subtipos, o risco foi 21% maior para estenose aórtica e 23% maior para regurgitação mitral. O isolamento social, por outro lado, não mostrou associação significativa com o aumento do risco.

Genética não anulou o efeito

O estudo também avaliou a predisposição genética para doença cardiovascular. A associação entre solidão e doença valvar permaneceu mesmo após esse ajuste.

O cenário mais desfavorável foi observado entre pessoas que combinavam alto risco genético e altos níveis de solidão, indicando que os fatores podem se somar.

Os autores identificaram que participantes mais solitários também apresentavam, com mais frequência, hábitos menos saudáveis. Esses fatores ajudaram a explicar parte da associação observada.

Além disso, a solidão pode estar ligada a maior estresse crônico, que afeta processos inflamatórios e cardiovasculares ao longo do tempo. Como o estudo é observacional, não é possível afirmar causa e efeito, apenas associação.


Hábitos ligados à relação entre solidão e coração

Segundo o estudo, alguns comportamentos podem contribuir para a associação entre solidão e doença valvar cardíaca:

  • Obesidade;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Sono inadequado;
  • Baixa prática de atividade física;
  • Alimentação de pior qualidade.

Apesar das limitações, como a avaliação da solidão em um único momento, o trabalho reforça que a saúde do coração vai além dos fatores tradicionais.

Os resultados sugerem que a forma como uma pessoa se sente em relação às próprias conexões sociais pode influenciar o risco cardiovascular ao longo da vida. Isso amplia o olhar sobre prevenção, que passa a incluir não apenas hábitos físicos, mas também aspectos emocionais e sociais.

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