
Claudia MeirelesColunas

4 hábitos capazes de deteriorar a saúde do pâncreas silenciosamente
A nutricionista Sabina Donadelli revelou quais hábitos comuns do dia a dia podem sobrecarregar o pâncreas de maneira silenciosa
atualizado
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O pâncreas é essencial para controlar a glicose e garantir o bom funcionamento do organismo. Segundo a nutricionista Sabina Donadelli, manter o órgão saudável passa por hábitos cotidianos e, quando pequenas escolhas são negligenciadas, a sobrecarga pode acontecer de forma silenciosa.
Embora muitas pessoas só se lembrem do pâncreas ao falar em diabetes, a especialista reforça outras funções decisivas do órgão para o equilíbrio metabólico, digestivo e inflamatório do corpo. Justamente por isso, Sabina destaca como a saúde pancreática pode ser profundamente influenciada por hábitos do dia a dia.
“O pâncreas sofre silenciosamente quando a rotina é marcada por excesso de ultraprocessados, picos glicêmicos frequentes, estresse crônico e sedentarismo. Muitas vezes, esse desgaste começa anos antes de aparecer nos exames”, alerta a especialista.
Saiba quais hábitos podem deteriorar o pâncreas
A alimentação desregrada é o primeiro hábito nocivo citado pela nutricionista. Segundo ela, o consumo excessivo de açúcar, farinhas refinadas e ultraprocessados pode criar um cenário de estímulo contínuo ao órgão.
“Cada pico frequente de glicose exige resposta pancreática. Quando isso se torna rotina, o organismo entra em estado de sobrecarga metabólica”, explica Sabina Donadelli.

Sabina explica que quando a glicose sobe rapidamente no sangue — especialmente após o consumo frequente de açúcar e carboidratos refinados —, o pâncreas libera grandes quantidades de insulina para retirar esse excesso da circulação e levar a glicose para dentro das células.
“Esse mecanismo é natural. O problema surge quando esses picos se repetem muitas vezes ao dia, durante anos. Com o tempo, as células podem se tornar menos sensíveis à ação da insulina, quadro conhecido como resistência à insulina. Para compensar, o pâncreas tende a trabalhar mais e produzir ainda mais hormônio”, explica.
Sabina reforça que esse processo pode favorecer inflamação metabólica, acúmulo de gordura visceral e, em pessoas predispostas, contribuir para a sobrecarga progressiva das células beta pancreáticas — responsáveis pela produção de insulina. “O problema não é um alimento isolado. É viver em repetidos picos glicêmicos, como se o metabolismo nunca tivesse descanso”, afirma.

Sedentarismo
A falta de atividade física também afeta o pâncreas de forma indireta. A nutricionista alerta que o sedentarismo impacta diretamente a sensibilidade à insulina.
A boa notícia é que exercícios moderados já são suficientes para reduzir os danos ao órgão. “Caminhadas, musculação e exercícios aeróbicos, quando praticados com consistência, funcionam como aliados importantes para reduzir a carga metabólica. Esses hábitos melhoram a captação de glicose pelos músculos e reduzem a necessidade de picos elevados de insulina”, explica Sabina Donadelli.

Estresse
Situações constantes de estresse impactam diretamente a saúde metabólica. Sabina aponta que, embora muitas pessoas não façam essa associação, manter o corpo em estado contínuo de tensão tende a elevar o cortisol, favorecer alterações glicêmicas, aumentar a compulsão alimentar e intensificar processos inflamatórios.
“Não existe saúde metabólica sem manejo do estresse. O corpo interpreta o esgotamento crônico como estado de alerta, e isso repercute em todo o eixo hormonal”, diz Sabina.

Ignorar sinais do corpo
Além dos hábitos, a nutricionista reforça que ignorar sinais de que algo não vai bem — ainda que de forma sutil — pode trazer consequências importantes ao organismo.
Quando o pâncreas não funciona adequadamente, alguns indícios podem surgir, como fadiga frequente, dificuldade de controlar a glicemia, oscilações intensas de energia, desconfortos digestivos, aumento de gordura abdominal e alterações metabólicas em exames.
“Embora alguns sinais sejam inespecíficos, eles devem sempre ser avaliados por um profissional”, ressalta.
Além disso, a especialista chama atenção para sintomas que não devem ser ignorados.
“Dor abdominal intensa, náuseas persistentes, vômitos, perda de peso inexplicada, icterícia ou alterações recorrentes da glicemia exigem avaliação médica. O corpo costuma avisar antes de adoecer de forma mais grave. Aprender a interpretar esses sinais é parte da prevenção”, conclui Sabina Donadelli.

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