
Claudia MeirelesColunas

Como ultraprocessados afetam intestino, imunidade e saúde mental
Especialista explica como ultraprocessados prejudicam a microbiota, metabolismo, imunidade, favorecem inflamação e afetam até a saúde mental
atualizado
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Cada vez mais presentes na rotina, os alimentos ultraprocessados têm efeitos que vão além das calorias e do impacto no peso. Ricos em aditivos e pobres em fibras, eles alteram a microbiota intestinal, favorecem inflamação e podem afetar funções que vão da imunidade ao humor, um impacto sistêmico que começa no intestino, como explica a nutricionista Ana Paula Dias Leite.
“Os ultraprocessados empobrecem a diversidade da microbiota e podem levar à disbiose intestinal, com redução de bactérias benéficas e aumento das patogênicas. Isso favorece um ambiente inflamatório no organismo”, explica.

Microbiota fragilizada e inflamação silenciosa
A microbiota intestinal — conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino — desempenha papel central na digestão, na imunidade e até na regulação metabólica. Quando esse ecossistema é afetado, o corpo tende a entrar em um estado de inflamação crônica de baixo grau.
“Isso acontece porque esses alimentos são pobres em fibras, que alimentam as bactérias boas, e ricos em ingredientes artificiais que o intestino não reconhece adequadamente”, afirma a especialista.

O problema vai além dos nutrientes
Reduzir o debate a açúcar, gordura e sal é simplificar demais uma questão complexa. “Não é só excesso de macro. É o conjunto da obra: grau de processamento, combinação de ingredientes e o impacto metabólico que isso gera”, destaca a nutricionista.
Ou seja, mesmo produtos com “cara de saudável” podem ter efeitos negativos se forem altamente processados.

O papel dos aditivos químicos
Outro ponto de atenção são os aditivos presentes nesses alimentos, como corantes, conservantes e emulsificantes.
“Alguns emulsificantes já foram associados a alterações na barreira intestinal e na microbiota”, diz. “Não estamos falando só de calorias, mas da qualidade do que está sendo consumido”, completa.

O intestino responde rápido
Uma das características mais marcantes da microbiota é sua capacidade de adaptação.
“Em poucos dias, já dá para observar mudanças na microbiota quando a alimentação muda — tanto para pior quanto para melhor”, explica.
Isso significa que ajustes simples na rotina alimentar já podem trazer benefícios em curto prazo.

Impactos que vão do metabolismo ao cérebro
O desequilíbrio intestinal não fica restrito ao sistema digestivo.
“Quando a microbiota está desregulada, aumenta a inflamação de baixo grau. Isso afeta a imunidade, pode gerar resistência à insulina e dificultar o emagrecimento”, afirma.
Além disso, existe uma conexão direta com o cérebro.
“O eixo intestino-cérebro mostra que um intestino inflamado pode interferir na produção de neurotransmissores, impactando sintomas como ansiedade, irritabilidade e até compulsão alimentar”, completa.

Frequência x consistência
A especialista reforça que o problema não está no consumo ocasional, e sim na repetição.
“O consumo pontual não é o problema. A questão é quando os ultraprocessados passam a ser a base da alimentação”, alerta.
Na prática, a mudança de hábitos não precisa ser extrema para ser eficaz.
“Sem terrorismo nutricional. O mais importante é organizar refeições, priorizar comida de verdade e reduzir a dependência de soluções prontas. É sobre consistência, não perfeição”, orienta.
Pequenas trocas, grandes efeitos
Substituições simples no dia a dia já ajudam a melhorar o ambiente intestinal. Troque:
- Refrigerante por água com gás com limão;
- Biscoito por frutas com aveia;
- Embutidos por proteínas in natura (ovos, frango, carne);
- Pratos ultraprocessados por preparações caseiras simples.
O maior erro é subestimar o problema
Para a nutricionista, ainda há muita desinformação sobre o tema. “Muita gente acredita que dá para compensar ultraprocessados com suplementos ou dietas da moda, mas não dá. E também acham que é só uma questão estética, quando estamos falando de saúde metabólica, intestinal e até mental”, conclui.
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