Eleição 2026

“Saio de cabeça erguida”, diz Castro ao renunciar ao governo do Rio

Cláudio Castro (PL) deixou comando do Rio de Janeiro um dia antes da retomada de julgamento no TSE que pode torná-lo inelegível

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Cláudio Castro
1 de 1 Cláudio Castro - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

De saída do governo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) afirmou nesta segunda-feira (23/3) que deixa o cargo de “cabeça erguida”. Ele anunciou a renúncia após reunião com aliados na sede do governo fluminense e comunicou a decisão à imprensa.

A saída ocorre um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento de uma ação que pode torná-lo inelegível. O afastamento vinha sendo discutido há semanas com aliados e acabou prevalecendo como a estratégia considerada mais viável para evitar o “constrangimento” de uma eventual cassação pela Corte e tentar afastar o risco de inelegibilidade.

Ao se despedir do cargo, Castro não mencionou o processo em análise no TSE. Ele afirmou que deixará o governo para disputar uma vaga no Senado, agradeceu aos aliados e fez um balanço de sua gestão.

“Hoje encerro meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Saio para ser candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata”, declarou.

O político também disse ter mantido “respeito” na relação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ter dialogado com a “oposição e adversários”.

“Dialoguei com oposição e adversários. Não fiz política rasteira. Não ataquei a família dos outros. Minha relação com o governo federal, mesmo difícil, foi pautada pelo respeito. Não há uma postagem ou fala minha com apelidos ou questões jocosas. Sempre entendi que a população escolheu a mim e aquela outra pessoa. Seja prefeito, vereador, deputado. Mantive um nível, que nem sempre é visto. Pessoas usam palavras de baixo calão, desrespeitam. E em nenhum momento vocês me viram fazer isso”, afirmou.

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Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro
Cláudio Castro (PL) é pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Ele governará, de forma interina, o estado.
Ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro
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Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro

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Cláudio Castro (PL) é pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro
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Cláudio Castro (PL) é pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro

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O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Ele governará, de forma interina, o estado.
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O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Ele governará, de forma interina, o estado.

Reprodução/Museu da Justiça do Rio

Pré-candidato ao Senado

Cláudio Castro foi anunciado como pré-candidato ao Senado pelo PL em fevereiro. Aliados do governador afirmam que ele foi, contudo, surpreendido com o avanço do caso no TSE.

O julgamento contra Cláudio Castro foi interrompido após pedido de vista do ministro Nunes Marques. Em movimento que contrariou os planos de aliados do ex-governador, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, marcou a retomada da análise para esta terça-feira (24/3).

Até o momento, a Corte Eleitoral já registrou dois votos favoráveis à cassação e à inelegibilidade do ex-governador. Castro é investigado por abuso de poder político e econômico com a contratação de milhares de servidores temporários sem transparência.

Aliados afirmam que, mesmo em caso de condenação, ainda haveria a possibilidade de disputar o Senado sub judice, enquanto recorre da decisão.

O entorno de Castro também acredita que a saída antecipada pode esvaziar a motivação do caso e, eventualmente, afastar o risco de inelegibilidade.

Especialistas e dirigentes do PL no estado ponderam, no entanto, que o processo deve seguir mesmo após a renúncia. Nesse cenário, apenas parte de uma eventual condenação — a cassação — deixaria de existir, enquanto a inelegibilidade poderia ser mantida.

Mandato-tampão

Costurada após dias de consultas a aliados, a saída também abre caminho para a convocação de uma eleição indireta para o chamado mandato-tampão. Nesse processo, caberá aos deputados estaduais eleger um novo governador, que ficará no cargo até a posse do vencedor das eleições de outubro.

Até a escolha do novo chefe do Executivo fluminense, o governo estadual será exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Ficará a cargo dele convocar, em até 48 horas, a eleição para o mandato-tampão.

A eleição indireta será necessária porque o estado não conta com vice-governador, já que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas fluminense.

Uma lei que regulamenta o processo foi sancionada por Castro no último dia 11, mas teve trechos suspensos pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode embaralhar o cenário das candidaturas.

A decisão, que ainda será analisada pelo plenário da Corte, suspendeu a flexibilização do prazo de desincompatibilização. O texto sancionado previa que candidatos interessados em disputar o mandato-tampão poderiam se afastar de cargos públicos em até 24 horas após a vacância dos cargos de governador e vice.

Na avaliação de parlamentares, a derrubada da norma pode inviabilizar candidaturas de nomes cotados para o mandato-tampão, como o pré-candidato do PL ao governo estadual, Douglas Ruas.

Ruas e outros secretários do governo Castro foram exonerados, nos últimos dias, para viabilizar candidaturas em outubro. Parte da sigla defendia que Douglas Ruas disputasse a eleição indireta e também o pleito regular, a fim de alavancar o desempenho eleitoral com o uso da estrutura de governo.

Fux também derrubou um trecho que tratava do formato da votação. Pela norma sancionada por Castro, a disputa teria votação aberta e registro público de votos dos deputados estaduais. Na última sexta (20/3), Cláudio Castro e a Alerj pediram que Fux reconsiderasse a decisão e validasse as regras da eleição indireta.

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