Bolsonaro: pessoas usaram tortura para obter indenizações e poder

Pré-candidato à Presidência da República criticou resistência ao regime militar durante programa Roda Viva, da TV Cultura

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atualizado 31/07/2018 1:43

Em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura nesta segunda-feira (30/7), o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) disse que pessoas se aproveitaram da tortura sofrida para angariar votos, indenização e poder.

A declaração foi dada após a jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico, questioná-lo sobre seu recorrente apoio ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI, morto em outubro de 2015.

“De acordo com a nossa Constituição, ninguém poderá ser declarado culpado sem uma sentença transitada em julgado. Nós abominamos a tortura. Naquele momento, o mundo vivia um clima bastante complexo por causa da Guerra Fria. Esse pessoal que se disse torturado é uma forma que eles usavam para conseguir indenização, votos e poder”, declarou Bolsonaro.

Questionado por Leonencio Nossa, repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo, sobre abrir ou não os arquivos da ditadura militar, o político aproveitou para atacar a ex-presidente Dilma Rousseff.

“Onde a Dilma Rousseff esteve na semana passada? Representando o Foro de Sao Paulo em Cuba. O primeiro marido dela, que está vivo, mora no México, sequestrou um avião e foi para Cuba. O segundo marido dela contou num programa de televisão que, durante a lua de mel, expropriava bancos e roubava quartéis. Esse tipo de gente lutou por democracia? Quando Fidel Castro morreu será que estavam chorando no túmulo dele, uma pessoa que matou tanta gente?”, prosseguiu.

Direitos Humanos
Bolsonaro ainda classificou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americano (OEA), como instituição “com viés de esquerda”, pelo fato de ter condenado o  Estado brasileiro pela morte do jornalista Vladmir Herzog durante o regime militar. Esta condenação permitiu que o Ministério Público Federal (MPF) reabrisse as investigações sobre o caso nesta segunda-feira (30/8).

O militar reformado está sendo sabatinado pelo apresentador  Ricardo Lessa e por Thaís Oyama, redatora-chefe da revista Veja; Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico; Leonencio Nossa, repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo; e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo. O cartunista Paulo Caruso é o responsável pelas ilustrações do presidenciável.

Antes mesmo de o programa ter início, pontualmente às 22h15, o assunto já estava entre os mais comentados na rede social Twitter, com dezenas de milhares de menções. A hashtag #BolsonaronoRodaViva levou milhares de usuários a debater prós e contras sobre o candidato.

Bolsonaro é o décimo pré-candidato a marcar presença no programa da TV Cultura. Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (PSol), João Amoêdo (Novo), Ciro Gomes (PDT), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB), Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Afif Domingos (PSD) e Geraldo Alckmin (PSDB) foram os participantes.

A pré-candidatura do ex-paraquedista do Exército Brasileiro foi anunciada em 22 de julho durante a Convenção Nacional do PSL, no Rio de Janeiro. Até o momento ele não definiu um nome para o cargo de vice. A advogada Janaína Paschoal, o astronauta Marcos Pontes e Luiz Philippe de Orléans e Bragança, sobrinho de D. Luís Gastão de Orléans e Bragança, atual chefe da Casa Imperial do Brasil, o deputado federal Victório Galli (PSL-MT) e até um general da ativa que não teve o nome revelado foram cogitados.

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