Lupa: Afif exagera ao falar de micro e pequenas empresas

Em entrevista ao Metrópoles, pré-candidato do PSD à Presidência da República também aumentou número de empregos gerados pelo setor

Igo Estrela / MetrópolesIgo Estrela / Metrópoles

atualizado 16/07/2018 15:55

O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Guilherme Afif Domingos, concedeu entrevista ao Metrópoles na manhã da última sexta (13/7). Atual presidente do Sebrae, o postulante ao Planalto exagerou ao falar sobre o desempenho das micro e pequenas empresas no Brasil – justamente sua principal área de atuação. Na segunda-feira (10), o pessebista falou ao Roda Viva e, na terça-feira (11), à RedeTV!. A Lupa checou algumas das frases ditas pelo político nesses três eventos. Veja o resultado a seguir:

“Já são 8 milhões de pessoas formalizadas [como MEI]”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista concedida ao Metrópoles no dia 13 de julho

Atualmente, o Brasil tem 6.911.028 de microempreendedores individuais formalizados – ou seja, 1 milhão a menos do que o total citado por Afif. Os dados são do Portal do Empreendedor.

São Paulo é o estado com maior concentração de pessoas cadastradas no sistema, com 1.804.158. Para se formalizar como MEI, o empreendedor não pode ser sócio ou ter outra empresa, e o faturamento máximo permitido nessa modalidade é de R$ 81 mil por ano.

“As pequenas empresas, nos últimos 10 anos, criaram 11 milhões de vagas”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista concedida ao Metrópoles no dia 13 de julho

Segundo levantamento feito pelo Sebrae com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as micro e pequenas empresas geraram 9,799 milhões de empregos entre 2008 e março de 2018, último dado disponível. O número citado por Afif é 12,2% maior.

“As grande empresas (…), nos últimos 10 anos, fecharam 1,4 milhão de vagas”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista concedida ao Metrópoles no dia 13 de julho

Conforme mostra aferição feita pelo Sebrae com base nos dados do Caged, as grandes empresas – aquelas que empregam acima de 250 pessoas – fecharam mais postos de trabalho do que o citado pelo postulante ao Planalto. De 2008 a março de 2018 (último dado disponível no levantamento), o setor perdeu 1.861 milhão de vagas.

“Neste ano [2018], nós batemos 245 milhões de toneladas de grãos produzidos”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista concedida ao Metrópoles no dia 13 de julho

Na safra 2016/2017, a última consolidada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil colheu 237.671,40 toneladas de grãos – 7,3 milhões a menos do que o citado pelo pré-candidato. Para este ano, a estimativa feita pelo último boletim de Acompanhamento da Safra Brasileira, publicado em julho, indica que serão colhidas 228,5 milhões de toneladas de grãos, quase 17 milhões a menos do que o dito por Afif.

“Não fui colocado nem como candidato [na pesquisa do Ibope]”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista ao programa Roda Viva no dia 10 de julho

A última pesquisa do Ibope, divulgada no dia 28 de junho, considerou o nome de Guilherme Afif nos dois cenários apresentados aos eleitores – com o nome de ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sem o nome do petista. Em ambos, o pré-candidato do PSD não atingiu 1% das intenções de voto. Valéria Monteiro (PMN), Aldo Rebelo (SD) e Paulo Rabello (PSC) também não chegaram a 1%. A pesquisa do Ibope ainda mostrou a rejeição aos pré-candidatos. Nesse caso, 8% dos eleitores disseram que não votariam em Afif. O índice é o mesmo de João Amôedo (Novo), Valéria Monteiro e Paulo Rabello (PSC).

“[Nas pesquisas de intenção de voto sobre as eleições de 1989] Atingi o patamar (…) que levou Lula ao segundo turno: bati 14%”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista em sabatina à RedeTV no dia 11 de julho

Em 1989, quando foi candidato à Presidência pelo extinto PL, Afif oscilou entre 1% e 8% das intenções de voto nas pesquisas. Nunca chegou aos 14% que citou. Esse percentual também não foi o que levou Lula ao segundo turno. Naquela eleição, o petista teve 17,18% dos votos.

Nas pesquisas de intenção de voto do Datafolha, Afif tinha 1% em abril de 1989, foi a 8% no início de outubro e, no último levantamento do instituto, no fim de outubro daquele ano, apareceu com 5%. Já nas pesquisas do Ibope, tinha 4% em 21 de setembro e 8% em 11 de outubro.

“Onde está o maior índice de desemprego? Entre os jovens”

Guilherme Afif Domingos, pré-candidato pelo PSD à Presidência da República, em entrevista ao programa Roda Viva no dia 10 de julho

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 43,6% dos jovens de 14 a 17 anos e 28,1% dos de 18 a 24 anos estavam desempregados no 1º trimestre de 2018. Nas outras faixas etárias, o percentual de desempregados atinge menos de 15% do total.

Além disso, a Carta de Conjuntura, lançada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em setembro de 2017, informa que os jovens são os mais desempregados e têm maior chance de serem despedidos. Entre 2012 e 2017, cresceu de 5,3% para 7,3% o índice de trabalhadores com 18 a 24 anos que estão desempregados. Além disso, o salário dos jovens também caiu 0,5% de 2016 a 2017.

Procurado pela Lupa, o pré-candidato não respondeu, até a publicação desta reportagem, os pedidos de esclarecimentos sobre os temas citados.

Reportagem: Chico Marés e Nathália Afonso. Edição: Natália Leal e Cris Tardaguila

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