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Postulante à Presidência da República pelo PSD, Guilherme Afif Domingos confirmou, em entrevista ao Metrópoles nesta sexta-feira (13/7), que continuará na disputa ao Planalto apesar das tentativas do PSDB de selar uma aliança com seu partido para a eleição nacional. O pessedista também criticou fortemente o pré-candidato tucano, Geraldo Alckmin. “Ele sempre me perseguiu em São Pauo”, disse.

Reveja a entrevista:

Sobre a informação de que o PSD teria selado um acordo com o tucano, Afif afirmou que “essa notícia é uma típica notícia colocada pelos articuladores do Alckmin que estão com imensa dificuldade de conseguir outros partidos”.

“Então eles têm que anunciar alguma coisa antecipada só que qualquer decisão passa pela convenção do partido. E na convenção eu sou dissidente. Portanto, eu estou colocando o meu nome porque eu acho que o partido tem que disputar com marca própria. Temos que ter militância dentro das ideias e não terceirizar”, disse.

Na entrevista concedida ao colunista Caio Barbieri e ao editor de Brasil, Lúcio Lambranho, Afif demonstrou mágoa em relação a Alckmin sobre a época em foi vice-governador na chapa do tucano. Ele atribuiu as perseguições contra ele a sua mudança de partido na época. Em 2011, logo após ter assumido o mandato como vice, Afif seguiu Kassab e saiu do DEM para fundar o PSD.

“Eu e o Kassab temos uma ligação histórica porque ele nasceu na política pelas minhas mãos. E o que a gente ganhou com essa decisão foi a demissão”, afirmou.

Na época, ele acumulou o cargo de secretário de Desenvolvimento do estado. “Alckmin me demitiu e depois começou a me perseguir querendo cassar o meu mandato. […] Agora tão candidamente se volta para olhar um no olho do outro. Isso não é política”, disparou.

Afif explicou ainda que decidiu aceitar o convite, na cota pessoal da ex-presidente Dilma Rousseff, para assumir o Ministério da Micro e Pequena Empresa “porque não estava conseguindo trabalhar em São Paulo”.

O presidenciável voltou a alfinetar Alckmin ao dizer que ele não consegue alavancar sua candidatura nem mesmo em São Paulo, sua base eleitoral. “A campanha nacional tem que ter personalidade própria e o candidato pelo qual estão optando não tem um desempenho ótimo. Aliás, está com dificuldades em São Paulo. Acho que o povo de lá enjoou”, disse.

Bandeira eleitoral
Para o pessedista, no entanto, o pragmatismo de Gilberto Kassab pode acabar prejudicando a própria legenda. “Pragmatismo em excesso não é bom”, disse. Kassab defende uma aliança com o PSDB na esfera nacional e tem se aproximado dos tucanos para viabilizar um acordo.

Apesar disso, Afif defendeu seu nome na campanha como uma estratégia para aumentar a base parlamentar da legenda no Congresso Nacional. “O que acontece na disputa da base não é o que vai acontecer na disputa presidencial. Nessa, ela vai acontecer a partir do eleitor diretamente decidido. Ela não quer ter intermediário. No nacional o povo quer votar diretamente porque é o candidato cujo número e bandeira vão ajudar a colocar mais deputados e senadores”, disse.

“Na eleição nacional é importante ter a bandeira do partido. O eleitor gosta de votar na pessoa. E na medida em que você faz uma fusão, você simplesmente desaparece”, completou.

O político, empresário e administrador de origem libanesa é presidente licenciado do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Afif, 75 anos, tenta ganhar a confiança do próprio partido. O PSD tem se inclinado a apoiar a candidatura do PSDB à Presidência. Junto com outros cinco pré-candidatos citados, segundo dados da última pesquisa Datafolha (publicada em 11/6), ele não atingiu 1% das intenções de voto. Esta será a sua segunda tentativa de chegar ao Planalto. Em 1989, concorreu pelo Partido Liberal (PL). Com 3,27 milhões de votos, ficou em sexto lugar na disputa.