PL espera definir substituto de Castro até a próxima semana
Inelegível e alvo de operações da PF, ex-governador desistiu nesta quinta (28/5). Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante lideram corrida interna
atualizado
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O PL do Rio de Janeiro espera anunciar, até a próxima semana, o substituto de Cláudio Castro na disputa ao Senado nas eleições deste ano, segundo integrantes da cúpula partidária ouvidos pelo Metrópoles. O ex-governador comunicou nesta quinta-feira (28/5) às direções estadual e nacional da sigla que desistiu da pré-candidatura.
Lançada em fevereiro, a pré-candidatura de Castro se tornou insustentável após ele ser declarado inelegível e virar alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de 15 dias. O recuo já era esperado pelas cúpulas do PL. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-governador disse que vai “focar completamente” sua defesa.
Nos bastidores, o partido já discute nomes para substituir Castro na disputa ao Senado. A expectativa é que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou da montagem da chapa no Rio em fevereiro, tenha a palavra final sobre a escolha.
Entre os cotados, estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil do Rio Felipe Curi. A mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, também é citada nas conversas internas. Hoje, ela está escalada como suplente do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), que disputará outra vaga ao Senado.
Segundo apurou o Metrópoles, Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante lideram a “bolsa de apostas” dentro do PL fluminense. Jordy tem apoio de alas mais ideológicas do partido e é visto como um nome forte nas redes sociais. Já Sóstenes é considerado competitivo por sua proximidade com o eleitorado evangélico.
A chapa do PL para as eleições de 2026 é encabeçada por Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), como pré-candidato ao governo do estado. O ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) foi escolhido como vice. Uma das vagas ao Senado seria ocupada por Castro, e a outra, por Márcio Canella.
Nos bastidores, dirigentes do partido já tratavam a candidatura como “inviável”. O ex-governador passou a ser visto por correligionários como “tóxico” e uma espécie de “âncora” para a chapa do partido no Rio. Cláudio Castro é investigado pela PF em apurações relacionadas a fraudes no Banco Master e na Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
Segundo dirigentes da sigla, Castro já era considerado “carta fora do baralho” havia algumas semanas por causa de uma condenação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível. O ex-governador ainda sinalizava a possibilidade de disputar sub judice, mas a hipótese era vista internamente como “remota”.
O desgaste aumentou após as operações da PF, consideradas pela cúpula do PL o golpe final na pré-candidatura. Integrantes do partido avaliam que manter Castro na chapa poderia prejudicar o desempenho do PL no estado e contaminar outros projetos eleitorais da legenda, incluindo a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Desistência de Cláudio Castro
- O ex-governador do Rio de Janeiro anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao Senado nesta quinta-feira (28/5).
- Em um vídeo nas redes sociais, Cláudio Castro disse que foi a decisão “mais difícil” de sua vida.
- Castro afirmou que resolveu deixar a corrida ao Senado para “focar completamente” sua defesa nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
- O político disse que a saída da disputa não é o fim de sua vida política. “Somente dou um passo necessário com a certeza de estar fazendo o correto nesse momento tão difícil”, afirmou.
- O ex-governador também declarou que não tem a “menor dúvida” da “lisura” de seu atos à frente da gestão estadual.
Castro liderava pesquisas de intenção de voto para o Senado e ganhou força política após a megaoperação no Complexo da Penha, em outubro de 2025, que deixou mais de 120 mortos.
Nos últimos meses, porém, a situação política e jurídica do ex-governador se deteriorou. Em março, ele renunciou ao cargo na véspera da conclusão do julgamento do TSE que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A estratégia buscava evitar a cassação e provocar eleições indiretas, mas acabou deixando o Rio de Janeiro sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça a menos de cinco meses da eleição.
Para dirigentes do PL, no entanto, o golpe definitivo contra a candidatura veio com as operações recentes da Polícia Federal. Na terça-feira (26/5), Castro foi alvo de uma ação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar um suposto esquema envolvendo o Banco Master.
Segundo a PF, a proximidade entre o ex-governador e o dono do banco, Daniel Vorcaro, teria facilitado um aporte de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais, na instituição financeira. Na decisão, Mendonça afirmou que os investimentos eram “temerários e desprovidos de justificativa técnica”.
A operação envolvendo o Banco Master ocorreu poucos dias após outra ação da PF, deflagrada em 15 de maio. Autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, a investigação aponta que Castro teria usado a máquina pública para beneficiar a Refit em um esquema de fraudes fiscais.
Integrantes da cúpula do PL fluminense afirmam que a avaliação interna era que a situação do ex-governador ainda poderia se agravar. Nos bastidores, dirigentes chegaram a mencionar até mesmo risco de prisão e diziam acreditar que haveria “mais por aí”.








