Bolsonaro sobre romper isolamento: “Péssimo exemplo é o cacete”

Em reunião ministerial, o presidente da República defendeu que "pior é estar passando fome e estar na merda"

Bolsonaro-carreataRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 22/05/2020 23:01

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que “péssimo exemplo é o cacete” sobre a quebra do isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. Em reunião ministerial do último 22 de abril, o chefe do Executivo disse que convidaria integrantes do governo para irem a Ceilândia e a Taguatinga para “sentir o cheiro do povo”.

“Eu vou convidar os ministros pra domingo ir passar na (sic) Ceilândia e Taguatinga. Pra ver como é que tá o cara na esquina. Pra vir uns merda pra falar aí, né? A, o cara rompeu o isolamento. Tá dando um péssimo exemplo. Péssimo exemplo é o cacete, pô! Pior é tá passando fome! Tá na merda, porra! Sentir o cheiro de povo. É uma experiência pra todo político sentir”.

Bolsonaro defendeu a ida dele às cidades para não ficar como se fosse “um general na retaguarda e deixar a tropa se ferrar na frente”. “O general tá na frente, o coronel tá na frente, o capitão tá na frente. Nossos heróis da segunda guerra mundial tiveram na frente de campo de batalha”, declarou.

Segundo o presidente, “se preciso”, as Forças Armadas cumpririam “com seu papel”. “Mas temos que dar exemplo e mostrar que o Brasil não é  isso que o pessoal pinta por aí”, completou.

Em 29 de março, o chefe do Executivo foi às feiras de Taguatinga e de Ceilândia. A ida dele gerou aglomeração em meio às regras de distanciamento sugeridas pelo Ministério da Saúde e pelo governo do Distrito Federal.

As falas de Bolsonaro foram disponibilizadas após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello decidir, favoravelmente, nesta sexta-feira (22/05), à divulgação do vídeo da reunião ministerial. O decano só não autorizou a transmissão de partes relativas ao comércio exterior.

Entenda o caso

Moro deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

Veja a íntegra da reunião ministerial divulgada nesta sexta-feira pelo STF:

Entre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.

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No último dia 12 de maio, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo — a AGU, por outro lado, queria que apenas as falas do presidente na reunião fossem tornadas públicas.

Veja os vídeos da reunião ministerial liberados pelo STF:

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