Bolsonaro sobre impeachment: “Não vou meter o rabo entre as pernas”

Presidente Jair Bolsonaro disse, ainda na reunião ministerial de 22 de abril divulgada hoje, que é o "chefe supremo das Forças Armadas"

Andre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 22/05/2020 23:17

Ao se defender de um possível processo de impeachment, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, em reunião com ministros no último dia 22 de abril, que não vai “meter o rabo entre as pernas” e que é o “chefe-supremo das Forças Armadas”.

O vídeo da reunião ministerial foi divulgado nesta sexta-feira (22/05) após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

“Quando se fala em possível impeachment, uma ação do Supremo, eu vou em qualquer lugar do território nacional. Ponto final. O dia que foi coibido de ir para qualquer lugar do Brasil, pelo Supremo, acabou o badal”.

“E, espero que eles não decidam, ou ele, né, monocraticamente, querer tomar certas medidas, porque aí vamos ter uma crise política de verdade. Eu não vou meter o rabo entre as pernas. Zero, zero”, disse.

O presidente destacou, em seguida, que até aceitaria “a porrada” do Supremo caso achassem dinheiro dele em contas na Suíça ou ligação com empreiteiro. “Agora, com frescura, com babaquice, não”.

“Eu sou o chefe-supremo das Forças Armadas. Ponto final”, completou o presidente, ainda durante. a reunião.

Bolsonaro relembrou que participou de manifestação que pedia a volta do Ato Inconstitucional nº 5 (AI-5), mas, segundo, ele, não tem “nada demais”. “Cadê o AI-5? Acabou, não existe mais AI-5 no Brasil, é uma besteira”, disse.

O presidente criticou, logo após, a Câmara dos Deputados que, segundo ele, faz homenagem a Che Guevara, Mao Tse Tung e Fidel Castro, e “não tem problema nenhum”.

Leia a íntegra da reunião ministerial de 22 de abril:

Entenda o caso

Moro deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

Entre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.

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No último dia 12 de maio, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo — a AGU, por outro lado, queria que apenas as falas do presidente na reunião fossem tornadas públicas.

Veja os vídeos da reunião ministerial liberados pelo STF:

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