Bolsonaro faz nova ameaça a eleições durante participação virtual em ato

Presidente não compareceu à manifestação pró-voto impresso na Esplanada dos Ministérios, mas fez pronunciamento por videochamada

atualizado 01/08/2021 17:23

Jair Bolsonaro Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou, na manhã deste domingo (1º/8), por videochamada, de um ato em defesa do voto impresso em Brasília. Durante o pronunciamento, o mandatário voltou a ameaçar as eleições de 2022.

“Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição”, disse ele, em discurso que foi feito por videoconferência e transmitido por carro de som na Esplanada dos Ministérios. “Nós mais do que exigimos, pode ter certeza. Agimos juntos, porque vocês são de fato o meu Exército, o nosso Exército”, prosseguiu.

O mandatário voltou a criticar o que chamou de “jogo do poder” e afirmou que há algumas autoridades que têm o discurso da democracia “apenas da boca para fora”.

Convocado pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), autora da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, e por demais parlamentares bolsonaristas, o ato deste domingo ocorre em Brasília, no Rio de Janeiro, em São Paulo e outras capitais do país.

Em Brasília, a movimentação se concentrou na Esplanada dos Ministérios, com grande quantidade de pessoas. Vestidos com as tradicionais camisas canarinho, os apoiadores carregavam bandeiras do Brasil e passeavam, com e sem máscaras, pelo gramado.

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O chefe do Executivo também voltou a criticar o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a quem acusou de querer impor a própria vontade. Barroso, ministros do TSE, presidentes partidários e especialistas têm defendido a confiabilidade da urna eletrônica e rebatido acusações de fraude eleitoral.

“Algumas pessoas aqui do Planalto Central, usando a força do poder, querem a volta daqueles que saquearam o país há pouco tempo, querem a impunidade e a corrupção. Não pode, em nenhum regime democrático, uma pessoa ser aquela dona da verdade e reverberar o que ela quer impor para a sociedade”, afirmou Bolsonaro.

O presidente da República ainda convocou manifestação popular na avenida Paulista, em São Paulo.

“Não estou aqui, em hipótese alguma, querendo impor a minha vontade, é a vontade de vocês, simplesmente. Se preciso for dar um último alerta àquele que não tem respeito para conosco, eu convidarei o povo de São Paulo, a maior capital do Brasil, para ir à [avenida] Paulista, para que o som deles, a voz do povo, seja ouvido por aqueles que teimam em golpear a nossa democracia. O povo dirá que voto tem que ser auditável, que a contagem tem que ser pública, e que o voto tem que ser impresso”, pontuou.

Assista ao vídeo com a participação do presidente no ato em Brasília:

O presidente também fez uma participação virtual no ato em São Paulo, na tarde deste domingo. A concentração começou por volta das 13h em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, e reuniu figuras como a deputada Carla Zambelli e o deputado Eduardo Bolsonaro, ambos do PSL paulista.

“Quero parabenizá-los pela iniciativa de irem às ruas e lutarem por liberdade e por eleições limpas. Não é apenas o direito de vocês, é uma obrigação de quem está do lado de cá proporcionar uma eleição que tenha contagem pública dos votos, bem como se apresente uma forma de auditá-los. E isso é possível”, disse Bolsonaro em chamada realizada pelo filho Eduardo.

“Ninguém aqui em Brasília é o dono da verdade. Ninguém aqui pode fazer uso do poder da força para impor a sua vontade. Uma eleição limpa, democrática, com voto impresso em papel e com a contagem pública, é importante pra dar continuidade à nossa democracia.”

PEC do voto impresso

A Câmara dos Deputados discute uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para que, “na votação e apuração de eleições, plebiscitos e referendos, seja obrigatória a expedição de cédulas físicas, conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas em urnas indevassáveis, para fins de auditoria”.

Sem votos favoráveis na comissão especial, a votação da PEC foi adiada por aliados de Bolsonaro para depois do recesso parlamentar. Nas últimas semanas, o ministro Barroso se reuniu com deputados e senadores de várias siglas, para tratar da defesa da urna eletrônica.

Bolsonaro tem o acusado de interferência no Legislativo e dispara uma série de ataques ao ministro, o que aumenta a tensão entre Executivo e Judiciário.

Na última quinta-feira (29/7), Bolsonaro transmitiu uma live em que defendeu enfaticamente a adoção do voto impresso e voltou a falar sobre denúncias de fraude que circulam pela internet e já foram desmentidas.

O evento no Palácio da Alvorada foi aberto à cobertura de jornalistas credenciados e serviu também para o chefe do Executivo federal fazer fortes ataques ao ministro Barroso.

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